Do Porto com Amor

sábado, 20 de janeiro de 2018

Campeões dos Nervos


Pronto, já está. Só foram precisos quatro dias para voltarmos ao primeiro lugar. Foi rápido, mas não foi fácil.

O primeiro golo de noite aconteceu ainda antes do jogo começar. Edinho, nos descontos, limpou dois pontos aos labregos de Carvalho e Saraiva (e aos demais sportinguistas também, que, na pior das hipóteses, só são culpados de terem eleito o primeiro).


Foto de Catarina Morais / Kapta +

Aquele magnífico e inesperado boost de moral certamente terá contribuído para uma entrada em campo ainda mais entusiástica e determinada, mas também algo precipitada. Mas as prendas ainda não se tinham esgotado. Depois de Edinho, foi um jovem de nome Sulley a oferecer de bandeja dourada a Marega o primeiro golo da noite - que, por incompetências várias, acabaria por ser também o único.

Chegou bem cedinho a vantagem, o que faria prever um jogo tranquilo e afirmativo. Depois de passar a semana a ouvir latidos e grunhidos de toda a espécie a propósito do jogo que não pudemos concluir por responsabilidade de terceiros (ou segundos, se se concluir que foi mesmo do Estoril), era crucial não deixar fugir a oportunidade de voltar a olhar de cima para todos os demais.

No entanto, o que se passou foi bem diferente. 

Oportunidades para marcar uma mão-cheia de golos não nos faltaram, verdade seja dita, mas fosse pela inépcia dos nossos na hora H, fosse pela cegueira selectiva das toupeiras do apito, fosse pela obstinada oposição do melhor em campo - Cláudio Ramos, o valoroso guarda-redes do Tondela -, não conseguimos nunca ampliar a vantagem e enquanto o apito final não soou, pairou sempre o espectro da "desgraça" sobre as nossas cabeças.

E não foi por o adversário ter estado muito perto de marcar, creio que nem uma oportunidade flagrante teve, mas porque o Porto nunca conseguiu ter o controlo do jogo e muito menos o seu domínio. O período que se seguiu ao golo foi quase surreal, tal a incapacidade para ter e segurar a bola. Foram mais de 15 minutos literalmente aos papéis, mesmo criando um par de oportunidades para fazer o segundo. 

Como se não bastasse, Felipe, Marcano e puseram-se com parvoíces em zona proibida, aumentando ainda mais a desconfiança que inexplicavelmente se gerou entre os jogadores por essa altura. Foi só depois da meia-hora que conseguimos acalmar e recuperar um pouco do controlo do jogo.

O intervalo chegou com duas certezas quase paradoxais: que tínhamos feito outro primeiro tempo muito fraco e que deveríamos estar a vencer por dois ou três, se Corona fosse um tipo ligeiramente mais sortudo, tanto a rematar na "cara" do golo como a conquistar o provável penálti sofrido que, naturalmente, as toupeiras voltaram a nem sequer "telever".

O segundo tempo resume-se em poucas linhas. 

Até aos 85 minutos, houve o Porto a tentar ampliar, o Tondela a tentar não sofrer mais e a arbitragem a gozar o prato. A partir daí, passou o Tondela a tentar marcar e o Porto a "rezar" para não sofrer. E a arbitragem? Imagino que estivessem a rezar em sentido oposto...

Mais quatro ou cinco golos desperdiçados e/ou evitados por Cláudio Ramos e o(s) penálti(s) da praxe a ficarem fechadinhos a sete chaves na Cidade do Futebol. É isto o campeonato português de 2017/18: penáltis, só a favor dos outros, mesmo se inexistentes.

O alívio colectivo que chegou com o último apito deve-se ter ouvido em Setúbal...

No final do dia, alargamos a vantagem sobre o segundo classificado ou, na pior das hipóteses, reconquistamos o primeiro lugar. No entanto, a equipa voltou a dar mostras de estar a atravessar dificuldades, eventualmente por debilidade física, que facilmente se alarga ao domínio mental. Algo a ser analisado e combatido com muito atenção pela equipa técnica, porque não se admitem mais tropeções sem consequências gravosas. Sofrimento à parte, não se podia pedir melhor. Aproveitemos, pois, que hoje o dia é de festa.





Notas DPcA 


Dia de jogo: 19/01/2018, 21h00, Estádio do Dragão, FC Porto - CD Tondela (1-0)


José Sá (5): Pois é, sente-se que está a entrar numa espiral negativa de insegurança própria e desconfiança alheia. Esteve quase sempre bem com as mãos, mas também quase sempre mal com os pés, mesmo sem pressão para errar. Tem a palavra SC.

Ricardo (6): Jogo muito completo, sem nunca desanimar mesmo perante a dificuldade em meter com "regularidade" um bom último passe.

Alex Telles (6): Menos "Alex" que o habitual, mas ainda assim um dos melhores da equipa. Ontem não houve assistência, embora tenha feito por isso.

Marcano (6): Alguns tremeliques iniciais, prontamente corrigidos rumo a uma exibição segura, com destaque para aquele corte providencial após a herrerice da noite.

Felipe (6): Melhor que nas últimas partidas, mas ainda assim alternando momentos melhores e piores durante o jogo. Pelo menos, pareceu um pouco mais calmo...

Danilo (7): Dos mais importantes nos períodos difíceis do jogo, não só cumprindo bem o seu papel como também disfarçando algumas herrerices aqui e ali.

Herrera (5): Eu tinha avisado. O Herrera desta época, que pegou de estaca e relegou Óliver para o esquecimento (not), não é o Herrera a que estava habituado. Fiquei obviamente muito feliz por o "conhecer", mas o outro nunca chegou a sair dos meus pesadelos. Ontem, vi mais do outro do que do renovado. E voltei a ter pesadelos herrerosos, especialmente quando decidiu "vingar" Sulley e oferecer o golo ao Tondela.

< 78' Corona (6): Teve tudo para sair do jogo em ombros: oportunidades de golo (uma clarinha) e penálti sobre ele. Se tudo tivesse corrido bem, tinha sido uma noite em cheio. Assim, ficou só o esforço e a certeza de que pode (e deve) muito mais.

< 88' Brahimi (5): Se não entrou em campo "lesionado", pelo menos parecia acreditar (ou temer) que assim fosse. Muito retraído, receoso de meter o pé ou sequer esticar a perna, foi quase uma sombra durante o primeiro tempo. Depois soltou-se um pouco, talvez mais crente na sua recuperação, mas nunca em pleno. Sentia-se que não estava a 100% no jogo e, pelo que produziu, deveria ter saído bem mais cedo. Acontece que a sua presença em campo acaba por ser incomodativa mesmo sem mexer um dedo. Assusta o adversário, obriga-o a pensar duas vezes antes de se aventurar em força em terrenos mais avançados. Isso, e o facto de, num lance, conseguir resolver um jogo, terão forçado a sua permanência.



Melhor em Campo Marega (7): Já escrevi que o "verdadeiro" melhor em campo foi o GR do Tondela, mas Marega, ao marcar o golo que definiu o resultado, tem de ser considerado o jogador mais influente da partida e, portanto, é justo "delegar-lhe" a distinção. Até porque não se limitou ao golo, criando outras oportunidades para a equipa ampliar.

< 78' Aboubakar (6): Não foi noite de Aboubakar, mas todo o trabalho colectivo que se lhe exigia foi cumprido. Momento mais alto, a cabeçada ao poste.

> 78' Hernáni (6): Quis voltar a mostrar serviço a justificar a confiança em si depositada, mas foi preciso esperar quase até final para lhe ver um grande remate que só uma defesa ainda "maior" impediu que festejasse efusivamente (e nós com ele). O melhor que se pode dizer é que a equipa não piorou com a sua entrada, o que, num resultado de 1-0, não é despiciendo, de todo.

> 78' Sérgio Oliveira (5): Ora cá está ele de regresso, sem surpresa à porta de mais um clássico. Entrou para ganhar ritmo, pois claro, que quarta há trabalho a fazer. Não entrou mal... nem bem, encaixou-se num miolo em fase de muito combate e pouco discernimento e foi à luta, mesmo sabendo-se que não são essas as suas melhores "armas".

> 88' Soares (-): Nada a relevar.

Sérgio Conceição (6): Ui, ui, Sérgio... parabéns pela reconquista da liderança e blá blá blá, mas a verdade é que a coisa esteve por um fio. Mesmo que fosse um fio invisível, porque o perigo que o adversário criou nunca foi muito real, mas todos sabíamos que ele lá estava, a segurar a poderosa espada sobre as nossas cabeças. É evidente que a equipa atravessa dificuldades - olha, calha bem ser em fase de mercado aberto, não é, senhores da SAD? - e cabe-lhe a ele encontrar soluções. Se a primeira parte com o Estoril foi a pior da época, esta com o Tondela não lhe ficou muito à frente. O maior elogio que ainda assim se pode fazer é que, mesmo sem conseguir controlar o jogo, fomos criando muitas e boas ocasiões para marcar. Algumas, vá. E em "condições normais" teríamos marcado mais. Mas, caro Sérgio, já sabemos que este não é um campeonato normal...


Outros Intervenientes:


Sim senhor, caro Pepa, assim dá gosto ver uma equipa jogar. Não estou a ironizar, gostei de verdade da atitude e do jogo do Tondela, só lhe faltando conseguir criar oportunidades flagrantes de golo. Sim senhor. A grande dúvida é só uma: em que buraco se esconde este Tondela noutros jogos? Um bom amigo, self-made-expert da bola, "mensajou-me" durante o jogo a chamar a atenção para o central venezuelano Osório, e a partir daí reparei que de facto tem "pinta" de jogador, a defender e a sair com bola. No entanto, tanto ele como o possante Hélder Tavares ficaram ontem na penumbra, quando comparados com a radiante exibição de Cláudio Ramos (mais uma).

Oh ooohh, I'm an alien, I'm a legal alien in futebol... (Foto de Catarina Morais / Kapta +)

Escrever sobre Luís Godinho é um exercício penoso, porque é claramente alguém que está no sítio errado a fazer a coisa errada. O homem deve ser bom em muita coisa, mas árbitro de futebol não é, mesmo que lhe emprestem o equipamento completo. Muitas decisões técnicas mal avaliadas, critério disciplinar pouco claro e, mais do que tudo, ausência total de bom-senso, de que é exemplo maior a forma como apita para intervalo e interrompe um contra-ataque do Tondela. Repito, árbitro não é. 

O Porto foi claramente prejudicado nos lances capitais (discutem-se, "apenas", 3 penáltis) mas, não por milagre, o golo foi bem invalidado pelo VAR Artur Soares Dias que, por felicidade, tinha acabado de acordar nesse preciso instante. Antes, fartou-se de ressonar enquanto se babava, de tão confortável que estava na sua poltrona verde e vermelha da Cidade do Futebol. 

Aqui fica a minha visão sobre os três lances:

29' - Corona parece ser agarrado por Joãozinho, mas não consigo dizer com certeza que o foi de forma a fazê-lo cair, pelo que admito que o VAR também não tivesse a certeza;

53' - É evidente que Ricardo Costa desvia um remate com o braço que, não estando junto ao corpo, também não estava ostensivamente aberto. Foi um meio termo, cotovelo aberto e mão junto ao corpo, que o árbitro considerou normal. Por mim, se o critério fosse sempre esse, aceitava que não se marcasse; o problema é que não é.

60' - Aqui não tenho qualquer dúvida de que Osório joga intencionalmente a bola com a mão/braço, penálti claro que ficou por marcar. Se ao toupeira Godinho se admite a ínfima possibilidade de não ter visto, do soneca Soares Dias não se aceita nenhuma desculpa - na repetição, é clara a infracção.


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Segue-se a meia-final da Taça da Liga contra o Sporting & Labregos, Associados. Em teoria, temos a upper hand mental, após os resultados de ontem. No entanto (e até por isso), o adversário vai querer provar (a si próprio) que consegue dar a volta e superiorizar-se a nós. Teremos de encarar o jogo como se fosse a própria final, pela Taça da Liga e por tudo o que se lhe seguirá até final da temporada.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Mid-Season Review: Parte 3 - Produção Ofensiva e Pontos DPcA


Continuando para bingo a "avaliação intercalar" da equipa, abordemos agora a produção ofensiva - ou melhor, o resultado mais visível dessa produção: os golos e a melhor forma para os conseguir, as assistências.




O grande líder dos marcadores é o rei Aboubakar, somando 25 golos na primeira metade da temporada, 14 dos quais na Liga. Não satisfeito, ainda se assume como um dos terceiros melhores "assistentes", com 6 passes para golo. Grandes números, sem dúvida, mas que escondem uma realidade menos animadora: não fosse o homem tão perdulário e o seu pecúlio poderia (deveria) ser já bem mais robusto. 

Em segundo está Marega, um mousso que se tem provado bestial, sobretudo na Liga, onde soma 14 dos seus 15 golos. E sim, também contribuiu com 6 assistências, tal como Abou. Que grande e maravilhosa surpresa. Pena sofrer do mesmo mal do seu companheiro camaronês, mas enfim, considerando de onde partiu, está excelente. Sábios mesmo são os lagartos, que já há vários anos que nos andam a dizer para o meter...

Em terceiro, Brahimi, o Mago do Magreb. Deve ter sido o Arch-Mage Madjer a virar-lhe aquela cabecinha do avesso (a par do bom do nosso treinador, é claro), para que finalmente mostrasse a todos o que realmente vale e ainda pode vir a valer (em todos os sentidos). Oito golos, 9 assistências (2º melhor) e muitas, muitas dores de cabeça aos adversários. Este ano sim, tem sido bastas vezes o íman que atrai adversários e liberta espaço para os companheiros. Que continue em crescendo até final da época...

Nas assistências, o líder incontestado é Alex Telles. São 13 mas poderiam ser 20 ou mais, fossem os seus companheiros mais eficazes na hora de fuzilar. Em todo o caso, assume-se com um dos jogadores fundamentais desta equipa e - ó drama - sem um substituto de raiz (nem à altura, nem "abaixo" dele). Destaque também para Ricardo e Óliver (5 cada).

Considerando que Soares ainda não "começou" a marcar, creio que em termos de zona de finalização estamos bem servidos para atacar o resto da época, sendo mais importante reforçar as alas e sectores mais recuados. 


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Avancemos então para o epílogo de todos estes dados objectivos - minutos, jogos, golos, assistências - e revele-se o que sobra de todos esses esforços: as exibições individuais e, a elas associadas, as Pontuações Do Porto com Amor (DPcA) e as distinções de Melhor em Campo (MeC).

Estas pontuações foram atribuídas por mim, jogo a jogo, em todos os jogos oficias da época e em função do que consegui (ou não...) observar de cada desempenho. São evidentemente subjectivas, como é qualquer avaliação qualitativa, mas alicerçadas nesta bela tabela de pontuação.

Vamos a contas:


Brahimi! Brahimi! Brahimi!


Creio que não surpreende muita gente o facto de Yacine liderar esta tabela (195 pontos), mesmo não sendo o jogador mais utilizado. O mérito está em conseguir uma média praticamente de 7 (de 0 a 10) num somatório tão considerável de jogos. Participar em 2 ou 3 e ter essa média pode acontecer a qualquer, consegui-lo numa série de 28 jogos é que já é para os chosen few

Reparem que Aboubakar - o segundo mais pontuado com 183 pontos - apresenta uma média bem inferior, muito mais próxima dos 6,5. E mesmo Telles e Marega, que apresentam a segunda e terceira melhor média, estão já algo distantes (considerando que estamos a falar de médias e não de valores absolutos).

Sem surpresa, Brahimi é também o homem por mais vezes nomeado para MeC, somando já 6 distinções, boa parte delas obtidas neste último terço de "ano novo" com algumas exibições soberbas. Seguem-se Abou e Marega, também eles várias vezes os mais decisivos para resolver as partidas. 

Pela negativa, Corona, Felipe, André André e Soares, todos com médias abaixo de 6 (a primeira nota "positiva" da tabela). E se o mexicano ainda equilibra a coisa com outras métricas, Felipe e AA não têm desculpa alguma, exibiram-se realmente abaixo que lhes é exigido e só podem melhorar daqui para a frente. 

A questão de Soares tem mais a ver com a(s) longa(s) paragem(ns) por lesão, o que lhe limitou quer a capacidade (forma), quer o tempo de utilização (poucos minutos de cada vez), factores que condicionam decisivamente a média. 



Sobre a metade inferior da tabela de pontuação, não sobra muito para destacar. Nela constam os jogadores menos utilizados, o que logo à partida lhes condiciona a possibilidade de somarem grandes pontuações. Normalmente "saltam" do banco ou, como no caso de Reyes, tiveram pequenas séries de jogos. 

Ainda assim, vou destacar Sérgio Oliveira, o homem dos grande jogos de Conceição. Participou em apenas 6 jogos, mas simplesmente nos mais importantes - ou difíceis, se preferirem: Mónaco, Sporting, Leipzig, Besiktas, Benfica e, vá lá, Belenenses. E ainda assim consegue média positiva, um redondo 6. Não terá mais para dar à equipa além destes jogos, caro mister? 

Quero também abordar o caso de Otávio, pela esperança que mantenho nele. Tem sido fustigado por lesões (logo ele, que demora sempre a ganhar ritmo) e ainda não se mostrou realmente a Sérgio Conceição. Tenha mais o sorte com a parte física e conto que venha a ser uma das boas "surpresas" da segunda metade da temporada.

Quanto aos "meninos da B", creio que dificilmente terão oportunidades daqui para a frente, salvo alguma catástrofe, pelo deverão continuar a evoluir e a mostrar serviço na sua equipa-base. Sim, que gostava de ver Dalot no Dragão, mas creio que terei de esperar por 2018/19. Não tenho pressa e talvez seja melhor que ele também não tenha.


Para terminar a análise intercalar: Mid-Season Review: Parte 4 - Reforços



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Mid-Season Review: Parte 2 - Utilização


Feita a introdução a esta análise intermédia da época com os dados do colectivo, passemos aos desempenhos individuais de cada um dos jogadores que compõem o plantel de 2017/18.

Cada análise pressupõe dados quantitativos (jogos, minutos, golos, assistências, etc), dados qualitativos e, portanto, mais subjectivos (pontos DPcA, melhor em campo [MeC]) e métricas calculadas a partir desses dados (médias, minutos por golo, golos por minuto, etc.).

Comecemos então pelos dados objectivos e quantificáveis, reservando as pontuações para o grande final. Dentro deles, iniciamos com a utilização efectiva dos jogadores, socorrendo-nos dos quadros seguintes:




Neste primeiro quadro, estão isolados os onze jogadores mais utilizados, que acabam por corresponder ao onze titular mais vezes escalado - pode soar ao mesmo, mas não é; simplesmente coincidiram desta vez.

Considerando as expectativas do início da temporada, a maior surpresa acaba mesmo por ser José Sá. Teve uma oportunidade não muito bem explicada pelo treinador, começou mal, recompôs-se a ponto de ser por uma vez o MeC e manteve um registo aceitável durante algum tempo. Manteve-se até hoje como titular, empurrando Iker para as taças nacionais. Infelizmente, as exibições mais recentes do jovem português parecem sugerir que o lugar estaria mais "seguro" nas mãos do veterano espanhol. A ver o que se segue.

Sem surpresa é termos dois defesas no topo dos jogadores mais utilizados. Marcano e Alex Telles somam mais de 2400 minutos cada um, o que lhes dá quase 300 minutos de avanço sobre Danilo, que fecha este pódio do tempo de utilização e se confirma como a pedra angular da equipa. A meia-surpresa é o top 5 não incluir o outro central e o outro lateral. Ricardo quase que lá chegou, mas ainda assim dividiu por algumas vezes o lugar com Maxi. Felipe, o tresloucado, acabou vítima dessa sua impetuosidade que às vezes parece descontrolada e fruto de duas expulsões e opção técnica, viu vários jogos a partir do banco e da bancada.

Chegou tarde à festa, mas arrasou. É assim que podemos descrever Herrera, que começou a época (obviamente!) suplente mas aproveitou o sacrifício de Óliver aquando da recepção ao Besiktas para se impor. E bem, diga-se. Num sistema que quase sempre abdica de um terceiro médio de raiz, não surpreende não se encontrar mais nenhum neste onze "principal".

Na frente, só tem dado África (mãe África). Abou fez-me engolir um sapinho, pela empenho e relevo que demonstrou até agora. Está outro homem e outro jogador. Marega, o Lord de ocasião, surpreendeu suponho que até a ele próprio. Quem diria que seria capaz do que tem feito, no início da temporada? Ninguém, aposto eu. Já Brahimi tem vindo num maravilhoso crescendo, finalmente confirmando em campo o seu enorme potencial e ao serviço da equipa. 

Falta apenas referir Corona, o odd man out neste onze, a mais de 600 minutos de Marega, só para me referir ao último dos "quase sempre titulares desde o início". Teve alguns bons momentos, mas continua sem apresentar uma consistência exibicional que o elevem ao patamar que ele merece. A maior prova disso é que apesar de ter participado em 28 jogos, apenas completou um! Nos restantes 27, foi suplente utilizado ou substituído (normalmente, o primeiro a sair).

Pelo mesmo caminho seguiram Abou e Brahimi, que apenas completaram 11 e 10 partidas, respectivamente, dos 28 em que cada um deles participou. O que os distingui do mexicano é que, por regra, saíram já com a missão cumprida, para ter algum descanso e dar lugar a outros menos utilizados. Uma grande diferença, sublinhe-se. Curiosamente, este duo regista também a maior série de jogos consecutivos - 23 -  o que diz bem da sua importância para o desempenho colectivo.

Por fim, destacam-se Marcano, Telles e Ricardo no que toca a realizar jogos inteiros, com os primeiros a apenas não terminarem por uma vez e o português por duas.




O reverso da medalha da surpresa de é, naturalmente, Casillas. Perdeu a titularidade sem que nada o fizesse prever e aguarda "serenamente" pela próxima oportunidade. Chegará a tê-la?

Quem participou em mais jogos nesta "segunda metade" do plantel foi André André (19 participações), pelo que não se poderá queixar de falta de oportunidades, mesmo que muitas delas não tenham resultado em muitos minutos.

Por outra perspectiva, Soares foi quem apresentou a maior série deste grupo (a par com Iker), o que sugere que poderia estar no quadro mais acima, não fosse pelas lesões que sofreu.

Pela negativa, registe-se a fraca utilização de Layún, Otávio, Sérgio Oliveira e Hernâni, com especial enfâse nos dois primeiros, pelo estatuto que já haviam granjeado em épocas anteriores.

Maxi se percebe estar na fase final da carreira e, como tal, servir mais de backup do que de primeira opção. Reyes acabou por ter mais utilização do que se suporia, sendo dos que mais beneficiou da "estreiteza" do plantel, começando por substituir Danilo e posteriormente Felipe, já no seu posto natural.

Poderia também falar de Vaná, mas, francamente, para dizer o quê?


Continua em:  Mid-Season Review: Parte 3 - Produção Ofensiva e Pontos DPcA



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Mid-Season Review: Parte 1 - Desempenho Colectivo


Na sequência do que vem sendo hábito, segue-se uma breve análise do comportamento do Porto - agora de Sérgio Conceição - durante a primeira metade da temporada 2017/18.

Começaremos pelo colectivo, pelos resultados atingidos pela equipa nas diversas competições em que esteve (e ainda está!) envolvida. No post seguinte, serão revistos e comparados os comportamentos individuais sob diversas métricas e estatísticas, quantitativas mas também qualitativas. Por fim, olharemos com maior detalhe para o desempenho dos reforços, que neste peculiar ano são exclusivamente compostos por jogadores regressados de empréstimo (Vaná, a única aquisição, nunca foi utilizado).

Parte 1 - Desempenho Colectivo


Com a espada do fairplay financeiro (FFP) sobre a cabeça, foi a temporada de menor investimento em contratações de que tenho memória - e o pouco que se gastou, não trouxe, até ver, qualquer benefício à qualidade do plantel.

Coube ao novo treinador (o sexto em cinco épocas, descontando os interinos) focar-se "desesperadamente" no reaproveitamento dos jogadores já contratados e que andavam por esse mundo fora a jogar futebol às nossas custas. Para surpresa geral, fê-lo com grande mestria.

A surpresa não advém das dúvidas quanto às capacidades do treinador (que as tinha, conforme escrevi aquando da sua contratação), mas antes do facto de ser praticamente inédito o que sucedeu: fazer de um grupo de "retornados" uma equipa ganhadora e com espírito solidário. E essa foi a primeira grande conquista de Sérgio Conceição.

Sendo um treinador ainda rookie, Sérgio teve de "aprender fazendo", cometendo os inevitáveis erros que sempre acompanham esse tipo de processo. A aposta era de risco - uma vez mais - mas desta vez parece seguro dizer que foi acertada, aconteça o que acontecer até final da época. No entanto, só a conquista da Liga o confirmará em definitivo como treinador de topo.




LIGA NOS


Sérgio Conceição conseguiu que a equipa sobrevivesse às primeiras deslocações com vitórias preciosas, pela vantagem mínima, onde num passado recente o Porto não o tinha conseguido fazer. Juntando-lhes as vitórias caseiras folgadas (mesmo que nem sempre o resultado traduzisse as dificuldades sentidas), chegámos a Alvalade (J8) com sete vitórias e de lá saímos com a sensação que deveriam ter sido oito, tal a superioridade demonstrada em grande parte do jogo. 

Ainda assim, conquistámos um ponto no reduto de um rival na luta pelo título. Seguiram-se mais 3 vitórias na liga até ao período menos feliz na competição, empates consecutivos nas Aves e com Benfica. Depois disso, retomamos o caminho 100% vitorioso até à J17, a última da primeira volta.

Consequência natural, a liderança isolada do campeonato, embora muito mais curta do que deveria ser, fossem as arbitragens um pouquinho mais competentes.


TAÇA DE PORTUGAL


Após um primeira eliminatória tranquila, contra um adversário muitos patamares abaixo do nosso, seguiu-se o Portimonense no Dragão e quase acontecia o pior. A poucos minutos dos 90, perdíamos 1-2 e já se adivinhava a eliminação. Só que esta equipa mostrou que nunca se rende, conseguindo a reviravolta ainda dentro do tempo regulamentar. Jogo fundamental na afirmação da equipa e na crença em si própria. 

Já perto do final de 2017, recebemos e eliminámos com relativa facilidade o Vitória de Guimarães, ficando marcados encontros em Moreira de Cónegos e com o Sporting, em caso de apuramento (que já se consumou, como é sabido, mas dentro da segunda volta).


TAÇA DA LIGA


A taça de todos os horrores para os Portistas, começou exactamente dessa forma: mais uma pequena desilusão, após o empate caseiro sem golos frente ao Leixões (por estes dias, também conhecido por Benfica L). Lá ficámos a fazer contas à vida, uma vez mais. Só que...

Só que, desta vez, temos um treinador que diz o que faz e faz o que diz, pelo que fez alinhar frente ao Rio Ave grande parte dos habituais titulares, conseguindo assim uma essencial vitória para as nossas aspirações. No entanto, a tarefa só ficou concluída em Paços de Ferreira, no terceiro jogo, após mais uma vitória suadinha.

Já de seguida, enfrentaremos o Sporting na segunda meia-final da Final Four; com os olhos postos na vitória final, obviamente.


CHAMPIONS LEAGUE


O primeiro jogo (Besiktas no Dragão) foi outro momento marcante da temporada: o  pequeno banho de bola que os turcos nos deram impeliu Conceição a alterar a forma de jogar da equipa, especialmente em jogos contra equipas de valia semelhante à nossa. Serviu também para ostracizar Óliver e apostar tudo em Herrera ao lado de Danilo

No Mónaco, outro momento marcante, com a surpresa de Sérgio Oliveira no miolo, já fruto dos "ensinamentos" colhidos da primeira jornada. Num jogo onde tudo nos correu de feição, garantimos uma vitória folgada e importante para levantar o moral "europeu" das tropas.

No duplo confronto com Leipzig, contraste evidente entre os dois jogos. No primeiro, sobrevivemos a uma goleada com uma airosa derrota por 3-2; no segundo, fomos ao fundo do baú buscar uma cassete VHS das noites europeias das Antas e vencemos por um decisivo 3-1, porque nos deixou em vantagem no confronto directo com os alemães.


GLOBAL


Comparativo Primeiras Voltas (clicar para ampliar)


Uma rápida observação do quadro permite perceber com facilidade a supremacia dos resultados apresentados pela equipa em 2017/18, com destaque maior para o campeonato e Taça da Liga. Sendo o campeonato o mais importante, parece-me justo concluir que estamos na melhor posição dos últimos quatro anos para conseguir chegar ao final em primeiro. Quanto às taças, ganhar as nacionais e sonhar com a passagem aos quartos na Champions (para começar).


Continua em: Mid-Season Review: Parte 2 - Utilização



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Artigo 94º? Nahhh, isso é para meninos...


Estou absolutamente boquiaberto com o que acabei de ler. O meu Clube aceitou, sem sequer contestar, disputar os 45 minutos em falta no próximo dia 21 de Fevereiro

A ser verdade, em minha opinião é uma decisão lesa-Clube por parte da administração da SAD e que tem de ser detalhadamente explicada e justificada. E não me venham com a treta de que é nas AGs que se discute estas questões. Não, não é. É uma decisão pública com efeitos imediatos, que no mínimo é questionável e que exige esclarecimentos cabais da parte de quem a tomou.



Vamos a factos

1) Ontem fomos disputar um jogo do campeonato ao estádio do Estoril;
2) Ao intervalo perdíamos por 0-1, fruto dos piores 45 minutos da época;
3) A segunda parte não se pode disputar, por falta de condições de segurança;
4) As condições de segurança devem ser garantidas, em primeira e última instância, pelo organizador do jogo, o Estoril;
5) O artigo 94º do Regulamento de Competições da LPFP/FPF, titulado "Não realização de jogos por falta de condições do estádio, de segurança ou dos equipamentos" prevê inequivocamente a sanção de "derrota" para o "clube que o indica", neste caso, o Estoril;

Perante isto, por que raio é que o departamento jurídico do Porto não age em conformidade? 

Não vão à luta porquê? Porque estávamos a perder ao intervalo?

Estarão assim tão "vesgos" para se deixar levar na lenga-lenga do "nós somos diferentes", quando há um regulamento, aprovado por todos os clubes, que prevê a derrota para o clube visitado?

Ser diferente deles é cumprir e fazer cumprir os regulamentos!

O que acham que sucederia se o problema tivesse ocorrido no Dragão? Alguém duvida que perdíamos o jogo? Está tudo maluco ou quê?

Será assim tão evidente que este caso não se enquadra neste artigo? Ouçamos alguém insuspeito:




Quando até um assumido lampião vai a uma televisão com orientação reconhecidamente "lampiã" dizer isto (peça completa aqui, enquanto não for censurada), por que raio é que no meu Clube não se faz cumprir os regulamentos?

Não entendo.

A quem, por esta altura, já se aprontar para escrever, de peito feito, que "nós queremos é ganhar no campo", não percam tempo e reflictam sobre isto: os regulamentos existem para TODOS, devem ser aplicados a TODOS, resulte isso num prejuízo ou numa vantagem. 

Todos queremos ganhar no campo, mas exige-se, pela segurança de todos, que o "campo" reúna as indispensáveis condições de segurança.

Que raio de moral querem vocês ter para criticar os sem-vergonha por viciarem as competições e ganharem de forma ilícita, quando nós próprios não exigimos que se cumpram as leis do jogo?



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco