Do Porto com Amor

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Medo e Marcano


Cada um terá a sua forma de entender o jogo, nela se baseando para a definição ou a proposta de estratégias para chegar aos objectivos. A minha parece ser substancialmente diferente da de Sérgio Conceição. Numa eliminatória, quando se chega à segunda mão, após ter vencido em casa pela vantagem mínima e sem sofrer golos, a estratégia principal única só pode ser uma: marcar fora.




Mais do que procurar manter o nulo do marcador, do que não sofrer golos e conservar a magra vantagem, o que encaminha a eliminatória definitivamente a "nosso" favor é conseguir marcar um golo em solo "inimigo". Ora, daquilo a que eu assisti no estádio, não fiquei convencido que fosse essa a prioridade estabelecida pelo treinador. De todo.

É verdade que a minha posição de adepto é muito mais fácil e cómoda, porque me limito a observar e opinar, no entanto quem vive à custa das suas estratégias é o treinador, pelo que é a ele que se deve "pedir explicações". 

Creio que ontem tivemos mais medo de sofrer golos do que vontade de o marcar e, no final, fomos penalizados por um erro individual que é sempre passível de acontecer. Depois, já não houve pernas nem coragem para empatar antes do prolongamento. Seguiram-se 30 minutos a meio-gás, sem grande capacidade nem convicção para marcar o tal golo que seria "de ouro" para nós. Voltamos a cair nos penáltis, que desta vez até foram 80% bem marcados. Pouca sorte, dirão alguns; pouca audácia, digo eu.

Do outro lado, esteve uma equipa que quase espelhou na nossa em termos de atitude. Foram deixando o jogo correr sem forçar em demasia, porque sabiam (eles sim, sabiam!) que sofrendo um golo ficariam muito mais longe da final. Tiveram algumas oportunidades ao longo do jogo, escassas, mas nunca me apercebi que perdessem o controle emocional. A poucos minutos dos noventa foram bafejados pela sorte e a sua estratégia provou ser a mais correcta. Mas barely, diga-se.

O futebol admite sempre a possibilidade de um golo entrar a qualquer altura, sem aviso prévio (alô Capitán Herrera!), pelo que poderíamos ser levados a concluir que o golo que aconteceu na nossa baliza poderia, ao invés, ter acontecido na do Sporting. Sendo verossímil o "pressuposto", não é o que mais releva neste contexto: o que faria a diferença era haver, da nossa parte, uma obstinação, um desígnio fundamental para este jogo que fosse o de fazer golos. Ou golo que fosse, para início de conversa. Em minha opinião, não houve - pelo menos, não o principal.


Grande apoio, mas não chegou



Notas DPcA 



Dia de jogo: 19/04/2018, 20h30, Estádio de Alvalade XXI, Sporting CL - FC Porto (1-0; 5-4 g.p.)


Iker (6): Não teve especial trabalho, mas respondeu sempre bem quando a isso foi chamado, tirando os habituais e irritantes disparates com os pés. Não defendeu nenhum penálti (apesar de ter adivinhado o lado por uma vez), mas ninguém lhe poderia exigir tal coisa. #renovaCasillas

Maxi (6): Não quis saber das suas "eventuais" menores capacidades físicas e foi à luta em todas as oportunidades, acabando por ser mais feliz a construir, onde conseguiu mais espaço, do que a defender-se de Acunã, uns anos mais novo e uns metros mais rápido. Nunca seria por ele que acabaríamos eliminados...

Alex Telles (6): Passou muito mais tempo preocupado com Gélson & companhia do que em atacar, o que para ele é contranatura, algo que se reflecte na sua exibição, muito mais pálida do que o habitual.

Felipe (7): Muito bom jogo, sempre impecável nas marcações e antecipações e ainda bem a sair ou a endossar a bola.

Marcano (5): Estava a alinhar pelo mesmo diapasão do companheiro até que chegou o momento fatídico: falhou o "alívio", colocando a bola à disposição de Coates para fazer o golo da nossa derrota. Por ironia macabra do destino, foi também ele quem falhou o único penálti da noite.

Herrera (7): Bom jogo, muito combativo numa vasta área de acção de início, retraindo-se mais adiante por imposições tácticas (e físicas também, suponho), mas sem nunca deixar de lutar. Contra o seu normal, não me lembro de nenhum passe disparatado ou de alguma "travadinha", o que só pode ser bom.

< 84' Óliver (6): Voltou a ter uma oportunidade inteira para demonstrar que a sua parca utilização é pouco menos do que uma injustiça, mas na verdade não fez o suficiente para o justificar. Não tendo jogado mal, a verdade é que também não conseguiu ser melhor do que quem tem jogado no "seu" lugar, começando até com uma série de maus passes que me deixaram os cabelos em pé (os 7 que ainda tenho). Melhorou com o evoluir do jogo, não destoou propriamente, mas... soube a pouco. Ainda por cima, "obrigou" o treinador a queimar a última substituição dada a sua incapacidade para continuar. Malditas expectativas.

< 75' Otávio (7): Boa exibição do baixinho, juntando à sua habitual combatividade um acerto e objectividade que raramente demonstra. Do meio para a ala e vice-versa, foi varrendo e ajudando a varrer as iniciativas adversárias, recuperando muitas bolas e depois saindo com critério, pese a pouca profundidade da equipa. Possivelmente, o seu melhor jogo da temporada. De tal forma, que me custou vê-lo ser substituído. E à equipa também, diga-se.

Not this time, capitán...

Ricardo (7): Um dos melhores dos nossos, talvez até fosse o melhor em campo se a eliminatória nos tivesse sido favorável. Mais um jogo enorme, comprido de uma área à outra e cheio de qualidade. Acaba a época em grande forma e MERECE estar no mundial.

Brahimi (7): Sem ser um Brahimi especial, esteve bem melhor do que nas últimas partidas (e ainda melhor do que na última), porque foi capaz de perceber quando deveria insistir no lance individual ou servir os companheiros, garantindo com isso o "manter em sentido" de dois ou três adversários de cada vez, o que libertou espaço para os companheiros.

< 66' Soares (6): Exibição muito ao estilo da que fez na Luz, com dificuldade em segurar a bola e tocar depois, embora me parecesse ligeiramente melhor globalmente. Faltou, claro, o golo que dá o colorido a qualquer desenho de um avançado, mas nem oportunidades teve para isso. 

> 66' Aboubakar (4): Está num momento horrível de forma, tudo em que toca transforma em cocó, pelo que não entendo a insistência do treinador. Se quer e não consegue, teria de ser quem o dirige a optar por outra solução. Mete dó vê-lo em campo e ontem custou-nos caro jogar com "um a menos".

> 75' Sérgio Oliveira (5): A equipa perdeu com a troca, pareceu-me entrar um pouco amorfo e fora de ritmo, o que o levou a fazer mais faltas do que o recomendável (nem todas assinaladas). Não esteve propriamente mal, mas também não se destacou pela positiva.

> 84' Reyes (6): Entrada forçada, por via do "estouro" de Óliver, mas positiva, dentro do que se sabe que poderia dar à equipa. Precisou de uns minutos para encontrar o seu espaço (literalmente), mas a partir daí integrou-se bem e cumpriu a missão, tendo até chegado a introduzir a bola na baliza adversária, mas com o fora-de-jogo já assinalado.

Sérgio Conceição (4): Explicou após o jogo que as substituições se ficaram todas a dever a problemas físicos, tal como a não-titularidade de Marega (esta infiro eu das suas palavras), pelo que só tenho de acreditar na sua palavra e não o penalizar por ter tirado Soares e Otávio do jogo - o primeiro porque a alternativa era muito pior, o segundo porque estava a jogar bem. 

No entanto, do que não se "livra" é de uma primeira parte em que raríssimas vezes chegámos à baliza de Rui Patrício e de uma segunda no mesmo "tom", ainda que com melhor produção de jogo. Já expliquei acima que não entendo como não montou uma estratégia para marcar golos em Alvalade acima de qualquer outra coisa. E como no final deu-se mal e custou-nos a presença no Jamor, sai deste jogo como o principal responsável pela eliminação. Mais do que tudo, teve medo de perder. E perdeu.




Outros Intervenientes:



Este Sporting é uma equipa razoável que combina a experiência do treinador e alguns jogadores com a imensa qualidade de Gélson e Bruno Fernandes. Não jogaram muito, nem sequer mais do que nós, mas marcaram. Conseguiram derrotar-nos à quinta tentativa e voltaram a ser melhores nos penáltis. Foram mais felizes, pelo que só me resta dar-lhes os parabéns, ainda que muito a contragosto.


Em vez de perder tempo a repisar o quão fraquinho e pequenininho é o ser Jorge Sousa, o que só lhe permite fazer arbitragens assim, ultra-defensivas, cobardes, mesquinhas, vou insistir no carácter "profissional" de Hugo Macron, o vídeo-árbitro de serviço, que uma vez mais deve ter adorado ver-nos a provar do seu veneno, que incluiu a não marcação de um penálti evidente de Mathieu e a não-expulsão de Acuña, entre outras eventuais cegueiras selectivas deste montinho de esterco verde (como será que Maxi ficou no estado que se pode ver abaixo?). No conforto da sua cabine tecnológica, abrigado das reacções do estádio, o viscoso Hugo lá fez o seu trabalhinho e no final foi para casa todo contentinho. E assim há-de continuar, até ao dia em que alguém lhe fizer engolir a dentição toda de uma vez só.




Se já estava doente com a eliminação, mais fiquei e fico ao ser obrigado a ler as baboseiras do costume de entre as nossas fileiras, do tipo "o que importa são as quatro finais que temos para ganhar", "o campeonato é que interessa" ou o eterno "amo-te hoje mais do que ontem"... Não, porra! Ontem o que interessava era garantir a final, cambada, nada mais, NADA MAIS! A Taça é objectivo tal como o Campeonato, a Supertaça e a Taça da Liga: competições internas, TODAS para ganhar!

Se falhámos, há que ter coragem para "viver" esse falhanço, encará-lo de frente e evitar que se repita! Enfiar a cabeça na areia pode estar no ADN deles, os da segunda circular, mas não está no nosso. Man up!


Dito isto e assumida sem reservas a colossal azia pela eliminação (que perdurará ainda durante alguns dias e regressará em força no dia da final), AGORA digo que há que olhar em frente e deixar de ser "cagarolas" a enfrentar os quatro jogos que nos faltam. Têm de ser todos para ganhar, mas mesmo para ganhar, desde o primeiro ao último minuto, e um de cada vez. Não há margens, não há folgas, não há empates nenhuns para se poderem ceder. NADA, ZERO. Só há é que ganhar os quatro jogos, começando pelo Vitória de Setúbal.

Sem desculpas, sem receios, sem nada que não seja uma indomável e inquebrantável vontade ser campeão, embalada pelo grito audaz da nossa ardente voz.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 18 de abril de 2018

Onde Está a Bola? #65


Recuperada que está a liderança, é agora tempo de a conservar intacta. Para tal, teremos de começar por derrotar o Vitória de Setúbal na próxima segunda-feira, dia 23 de Abril. Porque o Onde Está a Bola? (OEaB?) não quer que falte apoio à equipa, vamos uma vez mais oferecer 2 bilhetes para o Dragão.

Quem se quiser habilitar a ganhar os bilhetes, só terá de acertar onde está escondida a bola verdadeira (ou se não está lá de todo).






Respostas possíveis #65 (Setúbal):


A - Bola Verde
B - Bola Laranja
C - Bola Azul
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação
         
1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória. 

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS). 

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo, acompanhadas da resposta à pergunta "Como foi a sua ida ao Estádio?" (duas frases bastam, desde que venham do fundo da Alma Portista...);

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis vai investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido. 

- Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes. 

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte. 

7 - A edição #64 deste passatempo termina às 23h00 de 21 de Abril e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o prémio até às 16h00 de 22 de Abril. 

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio). 

- A edição especial anual do passatempo tem um novo critério: o da melhor selfie. Todos os vencedores de edições anteriores ficarão automaticamente habilitados. Mas não só: todos os concorrentes de todas as edições podem participar, desde que também enviem as suas selfies no Dragão em dia de jogo (email para envio das fotos: lapisazulebranco@gmail.com )


NOTA IMPORTANTE: a edição especial anual será a #66, que corresponderá ao último jogo em casa do campeonato, contra o Feirense, onde todos esperamos festejar finalmente a conquista do tão merecido título. Isto significa que terão neste jogo contra o Setúbal a última oportunidade de tirar e enviar as vossas selfies... fico à espera delas!


E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio de Portistas!


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Antes de encerrar a bilheteira, há que dar conta do desfecho da edição anterior:


#64 - Boavista

 

Resposta certa: D - Bola Púrpura

 

Vencedor: Manuel Costa !



Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.



A seguir, os habilitados ao sorteio e respectivo vencedor.



Por fim, a composição das fotos enviadas pelo Manuel Costa e a sua singela mensagem após assistir a tão importante vitória no nosso Dragão:



"Mais um jogo, mais uma vitória, mais um ambiente caloroso no Dragão. 

Começamos bem o jogo, mas o Boavista vinha com vontade de conquistar pontos. 

Contra tudo e contra todos (literalmente) somamos mais 3 pontos

Só dependemos de nós, vamos Porto. "


É bem verdade, embora tenha deixado de o ser durante duas jornadas... agora, o destino está de novo nas nossas mãos!



Do Porto com Amor, 

Lápis Azul e Branco



segunda-feira, 16 de abril de 2018

Capitán Herrera: El Primer Vengador


É mesmo assim que se começa esta crónica, a glorificar o improvável herói que ontem criou uma quebra no contínuo tempo/espaço do filme imperialista dos sem-vergonha, adiando ou acabando em definitivo com a esperança do Portugalistão em celebrar o tão ambicionado quando viciado penta.




Héctor Miguel Herrera López, um coração enorme aninhado num corpo desajeitado que não tem especiais (nem ordinárias) capacidades para vingar como futebolista profissional - sim, meus caros, não mudei de opinião de um dia para o outro - mas que, contra todas as probabilidades, se mantém como titular no meu Porto com todos os treinadores que por ele têm passado, chegando até a capitão de equipa com Sérgio Conceição.

Foi Herrera, el Capitán, quem num momento de inspiração individual e já ao cair do pano, se encheu de fé e coragem e fuzilou o batoteiro Varela sem apelo nem agravo, para indescritível alegria da nossa nação e exemplar castigo para todos os que andam há quatro anos a festejar uma gigantesca farsa, mais ainda aos que albergam negligentemente essa culpa na consciência.

Ao contrário do que fui ouvindo e lendo, não penso que se tenha tratado de alguma espécie de justiça divina. Se houve alguma justiça a ser feita, foi a dos homens, daqueles que mais têm sentido na pele as trafulhices dessa corja de sem-vergonhas que tomou de assalto um dos grandes clubes do país.

O futebolista Herrera não é meu novo ídolo, nem sequer revi ainda um ponto que fosse sobre a minha opinião já muito fundamentada sobre si, mas se viermos finalmente a conquistar este campeonato como agora já exijo, entrará com todo o merecimento para a galeria dos imortais do Futebol Clube do Porto.




Para se chegar àquele momento mágico, houve que passar por 89 minutos muito intensos e emocionalmente exigentes, com diferentes momentos e muitas incidências a registar, mas todas dentro da normalidade de um Clássico. 

Creio com sinceridade que o Porto deveria ter feito mais para ganhar o jogo, considerando que estava e de lá sairia em segundo na classificação se não o tivesse vencido. 

A primeira parte foi muito mais do Benfica, já ponderados os diferentes momentos de dominância de cada uma das equipas. Mais concentrados, menos ansiosos e mais eficazes na construção - felizmente não na finalização. Também tivemos as nossas oportunidades, mas já muito "tarde" na metade.

O intervalo foi bom conselheiro (kudos a quem tiver feito por isso, imagino que com o treinador à cabeça) e a nossa reentrada forte e determinada foi decisiva para amedrontar os da casa, remetendo-os uma vez mais para os seus fantasmas e correspondente incapacidade de nos defrontar olhos-nos-olhos. 

Fiquei então com a clara sensação que, a partir daí, se trataria de uma corrida contra o relógio do árbitro na tentativa de conseguir fazer um golo que nos daria a quase-certa vitória. Claro que seria sempre possível sofrer um golo, em especial se o nulo se mantivesse e o desespero se apoderasse (como me parece que se apoderou) dos nossos jogadores, mas parecia-me mais provável que fossemos nós a marcar.

Tivemos duas ou três boas oportunidades, em especial a(s) de Marega, mas sempre sem a necessária e exigível eficácia. Com o nulo a manter-se, Sérgio Conceição arriscou tudo o que podia, fazendo entrar sucessivamente Óliver, Corona e Aboubakar. Em sentido inverso, o sonso-mor foi mexendo no sentido de não sofrer, apostando na manutenção da liderança que ele bem sabe lhe poderia bastar para o objectivo final.

Com o final do tempo regulamentar a aproximar-se, comecei a resignar-me que uma vez mais não iríamos ser capazes de domar o nosso destino, sem contudo deixar de espreitar para a eterna memória de Kelvin & companhia... Espreitava já o jogo de esguelha, com ângulo suficiente para apenas distinguir cores e movimentos, quando detectei uma aproximação relevante de azuis à área encarnada, numa espécie de último assalto e num impulso recuperei a visão total do televisor. O resto já é história - da boa.

Apesar da vitória, não vou deixar de registar mais uma lamentável transmissão da SVTV, tanto a nível "técnico" como "estratégico". E se quanto ao facto de nos fazerem perder quase metade do jogo em directo à custa de repetições inoportunas e demasiado longas se pode dizer que são apenas maus profissionais de realização, já em relação à constante sonegação de imagens e ângulos nos lances em desfavor da sua equipa e consequente deturpação da percepção pública do que de facto se passou dentro do campo, o que se TEM de dizer é que esta vigarice tem de acabar JÁ. Por princípio, a nenhum clube deveria ser permitido controlar a transmissão dos seus jogos. A este clube em concreto, ainda menos.






Notas DPcA 



Dia de jogo: 15/04/2018, 18h00, Estádio da Luz, SL Benfica - FC Porto (0-1)


Iker (8): Começa a ser normal assistir a grandes exibições do senhor Casillas neste palco, como se já não bastasse o temor natural que nos têm em termos ofensivos. Enquanto estivemos por baixo no jogo, foi Iker que nos manteve igualados e com as aspirações intactas. Herrera foi o mais decisivo pelo golo, mas Iker foi uma vez mais providencial. #renovaCasillas

Ricardo (7): Dois jogos num só. O primeiro, de fraca qualidade pela intranquilidade e desacerto, durou até cerca dos 40 minutos, quando o próprio teve uma iniciativa individual que quase dava golo. A partir daí, em especial durante todo o segundo tempo, foi um monstro e dominou por completo o seu corredor, dando inclusive para se aventurar pelo meio.

Alex Telles (6): Mesmo sem deslumbrar ou fazer as habituais assistências, fez uma segunda metade de bom nível que mais do que compensou o desacerto da primeira.

Felipe (7): Quase sempre bem nas marcações, conseguiu controlar os ímpetos e em nenhum lance se expôs para sequer ser advertido. Boa evolução, que espero não tenha volta atrás.

Marcano (7): Jogo com algumas falhas, mas felizmente sem consequências de maior. Quando mais foi preciso, voltou à sua normalidade e desfilou eficácia e sobriedade.

Melhor em Campo Herrera (5+5): Sim, sim, meninas e meninos, para mim foi o pior da equipa (ex-aequo) até ao sublime momento de glória, porque uma vez mais se fartou de desperdiçar posses de bola, para além do péssimo posicionamento em vários momentos da primeira metade. É certo que melhorou um pouco em sintonia com a equipa, mas não o suficiente para justificar uma nota positiva. Até que... "saiu" o Héctor Miguel e entrou o Capitán Herrera, o primeiro vingador e novo justiceiro super-herói do Portismo, que desenhou um momento de perfeição que perdurará para sempre na memória de quem teve a felicidade de o viver.




< 74' Sérgio Oliveira (6): Trabalhou muito e sentiu claras dificuldades para travar as saídas rápidas e em superioridade numérica dos adversários, pelo que não lhe sobrou grande tempo ou espaço para se destacar com bola a não ser pelos passes longos. Foi imprudente no lance em que agarrou Cervi, mesmo se Felipe foi quem fez a falta primeiro, porque deu margem de manobra para uma má interpretação do árbitro e consequente expulsão.

< 80' Otávio (5): A par de Ricardo, foi dos piores durante a primeira meia hora, com muitos passes perdidos e mau posicionamento defensivo. Melhorou a tempo de ajudar a equipa a crescer e conquistar o domínio da partida, até que depois saiu vergado ao cansaço e ao amarelo.

Brahimi (6): Sem ser um Brahimi especial, esteve bem melhor do que nas últimas partidas, porque foi capaz de perceber quando deveria insistir no lance individual ou servir os companheiros, garantindo com isso o "manter em sentido" de dois ou três adversários de cada vez, o que libertou espaço para os companheiros.

Marega (7): Regressou da lesão para a titularidade numa forma física invejável, só foi pena que o acerto na finalização ainda estivesse "em recuperação". Teve duas oportunidades soberanas, uma em cada parte, que nos poderiam ter dado vantagem mais cedo e provável acesso a uma vitória mais folgada e segura. Tirando isto, trouxe consigo o próprio modelo de jogo da equipa, que quase inacreditavelmente depende mais da sua presença do que a de qualquer outro jogador.

< 83' Soares (6): Esperava que fosse capaz de segurar mais a bola, dando tempo aos companheiros para subir e/ou ganhar fôlego. Ao invés, foi muito "anjinho" nos duelos, perdendo quase sempre o tempo de abordagem ou de domínio da bola. Quando conseguiu furar deu alguma profundidade, mas faltou-lhe estar mais perto da zona de tiro e com boas hipóteses de acertar no alvo, algo que só me lembro de ter feito uma vez para rematar ao lado. Sobrou o muito trabalho físico e de desgaste que desenvolveu.

> 74' Óliver (6): Não entrou como ele e todos desejaríamos, mas lá se encaixou no jogo e acabou por participar na ofensiva final, mesmo se de forma discreta.

> 80' Corona (6): O outro regressado de lesão denotou mais essa condição, mas participou no "contexto" que nos trouxe a felicidade. Desta vez, foi suficiente.

> 83' Aboubakar (6): Se mais não fez, esteve no lance em que a bola sobrou para Herrera nos fazer felizes. Para mim, chegou.

Sérgio Conceição (7): Uma primeira parte decepcionante para quem tinha de vencer, felizmente compensada com a segunda, onde justificamos a sorte que foi aquele momento H. No entanto, demos uma vez mais "uma parte de avanço", desperdiçando meio jogo. O que mais me agradou foi detectar que não hesitou em entrar em modo de desespero, mas de forma racional e acertada. Óliver tinha mesmo de ser, Corona foi ainda mais longe do que eu imaginava (Maxi para defesa e Ricardo a extremo) e Aboubakar a troca directa que se impunha. No final, festejou como todos nós e deve orgulhar-se de muito ter contribuído para isso. No entanto, atenção: os jogos mais difíceis são os que se seguem.





Outros Intervenientes:



Quanto à equipa da SAD Sem-Vergonha, Rafa foi quem mais se distinguiu, com nota positiva também para Grimaldo. Destaque ainda para o divino castigo final ao batoteiro Varela, espécie de parábola para o que foi efectivamente infligido ao clube que representa.


Em relação à arbitragem de Soares Dias & companhia, teve uma prestação defensiva, tipicamente portuguesa, apitando quase sempre as faltas no sentido em que geram menor polémica, como seja proteger quem defende. Disciplinarmente, perdoou demasiados cartões para ambos os lados (Herrera, Brahimi, Pizzi, Samaris, Samaris), mas nos lances mais polémicos e decisivos esteve bem.

- Lance entre Marega e Rúben Dias: o contacto de pernas pareceu-me normal, já o empurrão pelas costas deveria ter valido um livre muito perigoso, porque ainda fora da área. Em todo o caso, não foi flagrante ao ponto de exigir que tivesse sido marcado;

- Lance do possível segundo amarelo a Sérgio Oliveira: a falta foi cometida por Felipe e só depois houve o agarrão do Sérgio, pelo que em rigor a decisão foi correctíssima. No entanto, acho que o jogador se arriscou em demasia e o árbitro poderia ter interpretado de maneira diferente;

- Lance entre Ricardo e Zika: no momento, ainda hesitei entre a possibilidade de poder ou não ter sido marcado penálti, mas após algumas repetições fiquei totalmente convencido que nunca poderia ser marcado, porque nada de ilegal aconteceu no lance. Admitiria que o árbitro, num primeiro momento, pudesse ter a sensação de ser penálti, mas o vídeo-árbitro jamais poderia ter outra decisão.




Uma vez mais, quero aqui insistir na mesma tecla em que toquei na minha prestigiosa intervenção no A Culpa é do Cavani na antecâmara da partida, onde disse que mais do que o jogo da Luz, me preocupavam os que se seguiriam. Não estava nem a menosprezar o Clássico nem a exacerbar os demais: estava mesmo a dizer o que penso.

Os sem-vergonha não chegaram até aqui, a escassos quatro jogos de um inédito penta, para desistir agora. Da mesma forma que até aqui chegaram - a viciar e adulterar resultados - vão fazer tudo o que estiver ao seu alcance (e que ainda é muito, infelizmente) para que o Porto não vença os seus jogos.

A isto acresce ainda a dificuldade natural dos próprios jogos:

- Os jogos caseiros são contra V. Setúbal e Feirense, clubes com que registamos empates caseiros, desperdiçando pontos decisivos para os insucessos das épocas mais recentes;

- As saídas são ao Marítimo (provavelmente, o campo onde temos mais dificuldades) e Guimarães (sempre difícil, seja qual for a circunstância).

Estes quatro jogos serão todos, mas todos eles, muito difíceis se não os encararmos seriamente do primeiro ao último minuto. Claro que temos capacidade para os vencer, um por um, mas teremos de estar preparados para as minas e armadilhas que aí vêm.

Antes disso, há ainda uma segunda-mão da meia-final da Taça para disputar e vencer - no mínimo, fazer um resultado que assegure a presença no Jamor.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



segunda-feira, 9 de abril de 2018

Uns Fazem, Outros Compram Feito


Em véspera do jogo decisivo para as nossas aspirações, o Porto garantiu uma vitória de forma relativamente tranquila e incontestada, perante um Aves que, nem recebendo o habitual incentivo por antecipação, se conseguiu constituir como obstáculo sério para nos impedir de amealhar os três pontos.

Foto de Catarina Morais / Kapta +

O golo logo a abrir contribuiu em muito para o andamento da partida, mas apenas é só porque, desta vez, Alex Telles marcou o penálti (e nem sequer foi lá muito bem batido, mas enfim). Em acto quase contínuo, um mau alívio de um avense fez ricochete em Otávio e a bola acabou por entrar na baliza de Facchini pela segunda vez.

A vencer por 2-0 aos onze minutos, tudo ficava mais facilitado mas nem por isso resolvido. A equipa entendeu bem essa condição e durante o que remanescente da primeira metade tentou de todas as formas e feitios chegar ao terceiro, que esse sim já garantiria uma margem muito confortável. Por inépcia ou má fortuna, a bola acabou sempre por se recusar a entrar uma vez mais que fosse. Sem jogar muito mas a cumprir o essencial, a equipa foi de consciência tranquila para o descanso.

O regresso foi menos interessante porque mais atabalhoado e menos intenso. A conjugação de ambos com a determinação do adversário em agradecer o autocarro em segunda mão, levaram a que o jogo se dividisse em alguns momentos da segunda parte, com o Aves a ter algumas oportunidades para fazer estragos. Nós também as voltamos a ter, mas - yet again - voltámos a desperdiçar.

E assim o tempo foi correndo, com a estabilidade precária que o 2-0 permitia - mas que permitia, inclusive para lançar Hernáni em campo - desde que a diferença de dois golos se mantivesse. Sérgio Conceição deu ainda oportunidade a Óliver para desenferrujar e a Gonçalo para dar duas corridas. Sem nenhuma melhoria no nosso jogo - mas, relembro, antes deles já Hernáni havia entrado... 

A fechar, o Aves atirou ao poste de San Iker, o melhor que conseguiu em toda a partida. Se calhar, durante esta semana vai um autocarro recambiado para Lisboa por "problemas técnicos". Um jogo quase sem história e de que ninguém se lembrará daqui a muito pouco tempo. Faz parte da receita de qualquer campeonato, suponho.

Foto de Catarina Morais / Kapta +


Notas DPcA 


Dia de jogo: 08/04/2018, 18h00, Estádio do Dragão, FC Porto - CD Aves (2-0)


Iker (6): Jogo sem grande trabalho, apesar dos sustos sofridos. Continua a exibir aquela incompreensível falha de entregar mal a bola sem nenhuma necessidade de o fazer: será necessário sofrer um golo à custa disso para que se emende? Não entendo.

Melhor em Campo Ricardo (7): Nem se nota que regressou há pouco tempo de lesão, tal o ritmo endiabrado que imprime pelo seu flanco. Foi essa velocidade que lhe permitiu ganhar o penálti (inequívoco) e que lhe possibilitou um conjunto muito interessante de descidas pelo flanco, ora em apoio, ora em jogada individual e que arrastam a equipa consigo. Merecia realmente ter feito o seu golo naquela oportunidade já no segundo tempo. Quem tem um jogador destes à disposição e não o convoca para um Mundial, só pode estar condicionado. E está, como todos sabemos.

Alex Telles (7): Regressou a casa e retomou o filme no ponto onde o tinha interrompido: a dar e a fazer golos e, com isso, toda a diferença entre ganhar e não ganhar os jogos. É um jogador absolutamente fulcral nesta equipa, talvez mesmo ao nível da importância de Marega. Nenhum outro se consegue aproximar neste momento.

Marcano (6): Alguns momentos de desatenção ou excesso de aventureirismo na frente deixaram a equipa exposta a contra-ataques em inferioridade numérica, algo rectificado prontamente assim que alertado para o facto. Fora isso, a habitual discrição e eficácia.

Felipe (6): Geriu bem a necessidade de cortar os lances de perigo e o perigo dos cartões, pelo que a exibição só pode ser positiva.

Sérgio Oliveira (6): Cumpriu à tangente, porque a sua prestação foi decaindo de forma precipitada ao longo do jogo. Acredito que parte da culpa seja do companheiro do lado, mas, enfim, não tenho provas...

Foto de Catarina Morais / Kapta +

Herrera (5): Num raríssimo dia bom, é um jogador interessante. Num dia normal, é uma espécie de borbulha (volta e meia, faz comichão) e num dia mau é simplesmente inenarrável. Hoje foi um dia (quase) normal, deu coceira a meio-mundo com aqueles passes ridículos, absurdos e incompreensíveis num jogador profissional. O que vale é que é uma jóia dum moço.

< 78' Otávio (6): Entrou cheio de genica e foi recompensado com um golo à tabela. Teve acção importante a conduzir a bola, sobretudo em posse, mas a verdade é que não conseguiu manter a intensidade inicial e saiu com naturalidade.

Brahimi (5): Teve pelo menos dois lances que, com um pouco mais de "felicidade", lhe permitiriam dar um colorido totalmente diferente à sua exibição. Desperdiçou-os, tal como o par de passes que fez para "eventual" golo, pelo que o que sobra é um Yacine muito, muito desinspirado e desinspirador. E a falta que o Yacine "bom" nos faz neste momento...

< 62' Aboubakar (4): "Está um monte de cacos. Ponto." - Parte X. A isto, acresce uma atitude aquando da substituição que eu não aceito a nenhum jogador. Estava chateado com f, tivesse jogado um bocadinho que fosse. Se não conseguiu, tem de ser actor e aceitar "graciosamente" uma substituição mais do que merecida. 

< 88' Soares (6): Bem mais envolvido e consequente do que Abou na construção de jogo, mas não o suficiente para conseguir marcar, que é sempre o ponto de avaliação primordial de um avançado centro.

> 62' Hernáni (5): Não sei para que foi chamado, mas certamente que não correspondeu.

> 78' Óliver (5): Demasiada alternância entre coisas bem e mal feitas para justificar a "positiva". Em sua defesa, diga-se que o tempo foi realmente pouco.

> 88' Gonçalo (-): Entrou para desentorpecer e nada mais.

Sérgio Conceição (6): Conseguiu ficar com os três pontos, algo que não foi capaz de fazer em duas das anteriores três jornadas, pelo que foi positivo. O jogo da equipa não deslumbrou ninguém, mas teve momentos interessantes e até empolgantes durante a primeira metade. Não entendo a insistência em Hernáni numa fase tão crucial e final da temporada, mas o treinador lá terá os seus motivos. Dos reforços de inverno, só Gonçalo (que, na verdade, é apenas mais um regresso a casa) é que teve uns minutos. Cumpriu porque a equipa cumpriu e nem vale mais a pena perder tempo a detalhar este joguinho. O que importa e que o definirá como treinador são os jogos que se seguem.




Outros Intervenientes:



Certamente que me desculpam e até talvez agradeçam por não perder tempo a escrever sobre o Aves ou sobre a arbitragem. Tudo medíocre, de uma ponta à outra.

Registo sim, para a posteridade, mais um andamento da farsa colossal em que os sem-vergonha transformaram o futebol em Portugal e estes últimos cinco campeonatos em particular.

O jogo em Setúbal foi tão rico em vigarice, compadrio, falta de profissionalismo e indecência que o melhor é mesmo deixar imagens, a valer por milhares de palavras.







Resumindo, mais dois pontos roubados à descarada e dois titulares importantes poupados a cartões justíssimos que os impediriam de nos defrontar. É este o único combustível que alimenta a farsa destes sem-vergonha.


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Todos sabemos da importância de ganhar o próximo jogo.

Pelas nossas aspirações de ainda poder desafiar a farsa que há muito está montada e realmente contra tudo e todos ganhar este campeonato, mas também pela oportunidade única de mostrar a essa corja de sem-vergonha que são muitas vezes inferiores a nós e que sem as vigarices da arbitragem há muito que estavam fora da corrida pelo título - eles e todos os demais, para ser claro.

Espero e desejo ardentemente que ainda exista alguém vivo no meu Clube que saiba e possa explicar tudo isto àquele balneário liderado por Sérgio Conceição.

Pelo Clube e pela Cidade, mas essencialmente por um país mais decente onde todos se possam sentir minimamente confortáveis em viver. Eu, neste momento mais do que em qualquer outro, tenho vergonha de ser português - mesmo sabendo que estou, em tudo, nos antípodas daquela corja sem-vergonha, ao final do dia somos todos cá do Burgo e avaliados por igual.

Não, meus caros, não será apenas mais um jogo. Será tudo menos apenas um jogo. Entendam isso, por favor.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 3 de abril de 2018

Tolhidos dos Pés à Cabeça


Adorava ser o pessimista que muitos optimistas sem fundamento acham que sou. Era sinal que hoje não tínhamos perdido no Restelo e que continuávamos no primeiro lugar.

"Em teoria, o Porto tem o seu jogo mais complicado na deslocação ao Benfica R (de Restelo), pela normal dificuldade que sentimos nesse jogo e por tudo o que os da filial vão querer oferecer à casa-meretriz.", escrevi após a derrota em Paços.


Foto de Carlos Alberto Costa

Lamentavelmente, demonstrou-se que sou mais para o realista. Hoje mas não só, porque este foi apenas mais um andamento de uma série muito fraquinha de exibições, que só não deram mais nas vistas por força das sempre salvadoras vitórias que fomos conseguindo pelo caminho. 

Aliás, este é um dos dois pontos importantes que quero passar nesta crónica, que de análise ao jogo propriamente dito terá muito pouco: se houvesse equilíbrio nos erros de arbitragem nos jogos dos três candidatos nas jornadas já disputadas, a derrota desta noite representaria apenas um encurtar de distâncias dos perseguidores para o líder, pouco ou nada relevante na caminhada triunfante até aos Aliados.

Como todos sabemos - mesmo os que fazem de conta que não sabem - não foi assim. O Porto, enquanto esteve na mó de cima, jogou e fez o suficiente para ter pelo menos mais SETE pontos do que tem hoje e os sem-vergonha um a menos (empate nas Aves: +2 pontos; empate com sem-vergonha: +2 pontos para nós e -1 para eles; empate em Moreira: +2 pontos). Isto sem contabilizar eventuais benefícios indevidos dos outros nos seus restantes jogos.

Este sete pontos seriam mais do que suficientes para ganhar o campeonato ainda em Abril, até porque não é difícil antecipar os efeitos psicológicos antagónicos que provocariam no Porto e nos da Segunda Circular e consequentes repercussões nas respectivas exibições.

Aconteça o que acontecer, nunca deixarei isto cair no esquecimento, tal como não deixo os (pelo menos) cinco títulos viciados que os sem-vergonha festejaram desde 2005.


Sobre o jogo, quero começar por dizer que é absolutamente vergonhoso que um adepto faça centenas de quilómetros e que o seu bilhete não lhe permita ver o jogo com as mínimas condições exigíveis. Já nem falo em conforto ou segurança, falo mesmo de conseguir ver o jogo. Cheguei já com o jogo a decorrer ao sector das claques e tive de ver toda a primeira parte a espreitar por entre cabeças, tal o excesso de pessoas presentes para o número de lugares. É ridículo e inadmissível, mas como estes são os que vão sempre, façam o que lhes fizerem, continuarão a tratar assim os adeptos visitantes. Lastimável.

Sobre o que vi ou fui vendo dentro de campo, uma outra lástima. Uma equipa totalmente perra, presa de movimentos e de ideias, aparentemente receosa do que finalmente lhe acabou por acontecer. É difícil entender como é que as cabecinhas dos jogadores não foram trabalhadas para estarem preparadas para enfrentar este jogo tão importante. Não se viu um passe de ruptura, não se viu um remate de longe, não se viu ninguém a arriscar poder ser feliz: tudo e todos retraídos, toques curtos e lateralizados ou balões sem velocidade para a defensiva contrária anular com toda a facilidade. Uma verdadeira lástima.

É verdade que o Belenenses foi feliz pela elevada eficácia que conseguiu, mas os erros foram nossos. Do primeiro golo nem falo, mas o segundo é uma falha de marcação colectiva, inadmissível e só compreensível à luz desse desnorte a que me refiro. Tolhidos dos pés a cabeça, todos os nossos. Mais grave do que os golos sofridos foi o que não conseguimos fazer. Tivemos oportunidades, várias, mas todas desperdiçadas, ora por finalizações ridículas, ora por boas defesas do GR adversário.





Notas DPcA 



Dia de jogo: 02/04/2018, 20h00, Estádio do Restelo, CF Os Belenenses - FC Porto (2-0)


Nota (6): Iker, Maxi, Ricardo

Nota (5): Felipe, Telles, Herrera, Soares, Danilo

Nota (4): Osório, Sérgio Oliveira, Brahimi, Aboubakar, Paulinho, Gonçalo 

Sérgio Conceição (3): Outra derrota impensável e desta vez quase merecida, de tão mau que foi o nosso jogo. Pouco importa o que se diga agora sobre opções, o que é factual é o desperdício de três pontos e uma exibição assustadora. O principal responsável neste tipo de derrota só pode ser o treinador. A equipa tem de melhorar, mas Sérgio Conceição tem de melhorar antes dela para que isso seja possível. Tem sete dias para o conseguir. Acredito sinceramente que o vai fazer.


Outros Intervenientes:


Quanto à equipa da SAD que é a rameira preferida da meretriz Sem-Vergonha, nada a dizer que não seja felicitar pelo resultado, com destaque para o guarda-redes André Moreira como o corolário desta equipa bem montada por Silas.

Sobre a arbitragem e dadas as condições em que vi o jogo, nada a dizer por agora. Se algo surgir entretanto, cá voltarei.




De repente, o Porto da segunda metade da época passada parece ter regressado. Há que o repelir de imediato para os confins do esquecimento e voltar a agarrar as rédeas do nosso destino. Este é o segundo ponto importante que vos quero transmitir agora, em cima desta derrota calamitosa: quem continua a mandar no que nos vai acontecer somos nós. Seis vitórias nos seis jogos derradeiros significam que atingimos o objectivo, mesmo com tudo o que nos fizeram pelo caminho (e vão continuar a fazer até final e ainda com mais força, como é óbvio).

Já no próximo jogo, vamos ter o mesmo Aves da primeira volta, a querer lamber as botas enlameadas do dono, recorrendo a todos os expedientes para o conseguir. A apitar e na sala de vício, estarão uns quaisquer atentos a tudo o que possam fazer para ajudar ao desígnio nacional do Portugalistão. No seguinte, dez vezes pior. E se em nenhuma das duas tropeçarmos, assim continuará até final. JÁ SABEMOS QUE VAI SER ASSIM, NÃO HÁ QUE FINGIR!

A começar pelos jogadores. Não podem continuar a discutir com os árbitros ou a deixarem-se envolver em querelas com adversários fraudulentos: se querem ser campeões, têm mesmo de vencer os jogos apesar deles. Não há nem haverá volta a dar enquanto toda esta corja não for finalmente varrida e colocada atrás de grades.

Isso significa jogar muito mais do que têm feito, em especial nos jogos fora do Dragão. Há que recuperar a força colectiva que nos fez chegar até aqui (Marega incluído nesse pacote, conforme venho insistindo). Como sempre até agora, tem a palavra o mister Sérgio Conceição.

Agora sim, acabaram-se em definitivo as margens para errar. Se voltarmos a falhar, falharemos de vez. Agora sim, é preciso que o espírito das Antas se entranhe neste grupo de jogadores ainda sem títulos e os ajude a serem os homens que podem e têm de ser. Contra TUDO e TODOS os sem-vergonha, como sempre foi.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco