Do Porto com Amor: Três Pastéis e Polvo à Lampião

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Três Pastéis e Polvo à Lampião


Três pontos no saco, liderança provisória reconquistada. Era tudo o que importava, mas podemos falar do resto também.




O "resto" foi um jogo com uma primeira metade pobrezinha, aborrecida e a espaços desesperante, pela inércia e falta de soluções para chegar ao golo. 

O Belenenses não foi mais do que um saco de pancada, que se deixou estar quietinho a ver se não lhes batíamos muito. Não se pense que nos facilitaram a vida, afinal o seu amor é pluribus unum e nada mais. Montaram uma resistência férrea, defenderam com vigor e galhardia, simplesmente não tiveram a necessária ousadia para nos causar mossa em termos ofensivos.

Faltava saber se e quando seríamos nós capazes de lhes fazer mossa a eles. 

Fizemos, mas tardou. E, aquando da primeira das três batatas com que os presenteamos, fiquei até com aquela impressão de "olha, calhou bem...", porque não estávamos propriamente a asfixiar. Mas foi limpinho e serviu para o propósito único de vencer o jogo.

O regresso foi marcado pela apatia e logo o jogo de Setúbal tomou conta do meu pensamento. Queres ver que vamos ficar à espera de sofrer um golo e depois vamo-nos ver gregos para voltar a marcar? Felizmente o guião foi outro, trazido pela irreverência de um pequeno speedy Jesus, mais conhecido por Corona. Entrou e assistiu para o tranquilizador segundo golo que, não matando o jogo, o deixou muito bem encaminhado para os nossos intentos.

A equipa absorveu esse boost de confiança e soltou-se ainda mais, pelo que a chegada do terceiro golo foi apenas uma consequência natural e previsível. Foi de penálti, mas poderia ter sido de muitas outras formas e feitios. Contas encerradas, tudo certinho.

Missão cumprida, venha a próxima batalha.

Nota final para as bancadas do Dragão, mais uma vez magníficas no apoio ininterrupto à equipa, em especial na fase mais complicada. 





Notas DPcA 

Dia de jogo: 08/04/2017, 18h15, Estádio do Dragão, FC Porto - CF Os Belenenses (3-0). 


Casillas (6): Espectador atento...

Maxi (7): Ainda com o embalo do saboroso golo da semana passada, foi quem mais procurou sacudir a equipa da letargia em que se encontrava para que o golo finalmente acontecesse.

Alex Telles (6): Deve ficar espantado ao ver o que o velhinho Maxi vai fazendo no outro flanco, mesmo se as pernas já não respondem como as suas. Ajudou e cumpriu, sem se destacar.

Boly (6): Menos inspirado do que em anteriores oportunidades, em especial enquanto o nulo subsistiu, recompôs-se a partir daí e acabou a exibir a necessária segurança.

Felipe (7): Seguro e impositivo, voltou a pecar pela imprudência. Jogando neste clube, está-se a habilitar a ganhar um rótulo do qual nunca mais se livrará (enquanto cá jogar) e que lhe custará muitos dissabores. Há que trabalhar esse aspecto, com urgência p.f. E já agora, meu chapa, o objectivo do jogo é apenas o de meter a bola na baliza, não é preciso furar as redes...

Danilo (6): Está mesmo a atravessar uma fase menos boa, pouco esclarecido e sem grande sentido de posicionamento, mas marcou o golo mais importante e pode ser que isso o motive para o que sobra do campeonato. Vamos precisar dele ao seu melhor nível já na próxima semana.

< 77' Óliver (6): Muitas rotundas sem saída e passes sem ruptura, associadas à pior fase da equipa. Também melhorou com a inauguração do marcador, ainda que sem chegar a fazer sobressair a sua inegável qualidade.

André André (6): Depois de uma série de jogos de muito bom nível, entrou apático e pouco esclarecido como os demais companheiros. Cresceu com os golos, mas sem chegar a um nível exibicional superior.


< 81' Brahimi (8): É sempre para ele que todos olham quando as coisas se complicam. E ele raramente se esconde, aliás por vezes até se excede nas respostas que tenta dar, concentrando demasiado sobre as suas imensas qualidades técnicas. Neste jogo foi assim, sempre a procurar inventar qualquer coisa que pudesse desbloquear o jogo. Foi dos que mais ajudou a construir a vitória e foi premiado com a marcação do penálti que ele próprio sofreu.

Soares (7): Lutador, ainda que sem grande acerto. O regresso aos golos foi o melhor que lhe poderia acontecer. E a nós também. Para dar sequência, por favor.

< 69' André Silva (6): Continua bloqueado, não consegue libertar-se para jogar o seu futebol. Saiu tarde, face ao que produziu. Insisto, precisa de quem o ajude a trabalhar os macaquinhos no sótão. É um jovem craque numa fase má, nada mais. Deste jogo, fica a importante assistência para Danilo.

> 69' Melhor em Campo Corona (8): O agitador de que o jogo precisava. Um minuto depois de entrar já assistia Soares para o segundo. Daí em diante, sempre com os motores ligados, a "encher" a cabeça dos pastéis adversários. Para mim, foi decisivo para consolidar a vitória e o mais importante para o melhor período da equipa. Entra quase sempre bem a partir do banco.

> 77' Herrera (6): Entrou solto, "cabeça limpa", a procurar jogar simples e sem falhar passes que não se falham. Ai se fosse sempre assim. Sem ironia. 

> 81' Diogo Jota (6): Pouco mais de dez minutos em campo, para permitir a ovação (e algum descanso) a Brahimi, tocando em conjunto com uma banda que já pensava mais no duche do que noutra coisa. Nada a declarar, portanto.

NES (6): A "mínima nota positiva" justifica-se com facilidade. Em vez de evoluir, o futebol da equipa deu mostras de regredir. A primeira parte é francamente má, salva apenas pelo golo. Futebol desinspirado, encravado, lento, sem uma lógica perceptível para desmontar o esquema muito defensivo do adversário. O regresso do balneário "cheirou" a Setúbal, tal o encolhimento, a atitude passiva de quem aguarda para ver o que o adversário conseguia fazer. A diferença foi mesmo a entrada de Corona, mérito ao treinador por a ter promovido em tempo útil. Claro que a vitória é a única coisa que interessa daqui até final, mas a sensação que fica é a de que temos jogadores para fazer mais e melhor. E disso só pode ser responsabilizada uma pessoa. Em Braga, a resposta terá de ser outra e para melhor.





Outros Intervenientes:


Não tenho nenhum prazer em escrever sobre este Belenenses, tal a falta de pudor e promiscuidade com que se relaciona com o Benfica. Por isso, vou apenas congratulá-los por terem sido um adversário correcto, sem o anti-jogo de outros. Em campo, vi um Yebda a destacar-se da mediania e pouco mais.

Sobre a equipa de arbitragem liderada por Fábio Veríssimo, pareceu-me que quis que o jogo tivesse poucas interrupções e esteve até atento a "ameaças" de anti-jogo. 

Muitos dos meus consócios não lhe perdoam não ter marcado penálti no minuto 18, mas eu não penso assim. É evidente que a bola vai à mão/braço, mas não me parece que se justifique mais do que o canto assinalado, uma vez que o defesa estava tapado por André Silva. Poderão argumentar que "mas ao Benfica marcam estes penáltis", ao que eu respondo "então são esses que são mal assinalados". Bem sei que uniformidade de critérios é o que mais se precisa, mas a uniformizar que seja pelo bem.

No lance sobre Brahimi (minuto 62), não consegui ficar esclarecido pelas poucas repetições que vi. No penálti assinalado, decisão correcta, nada a dizer.

Falta referir que Felipe abusou da sua sorte, não pelo lance em si, mas porque facilmente poderia ter acertado no calcanhar do adversário e daí só poderia resultar expulsão. Felizmente foi apenas um toque na perna, pelo que o amarelo está correctíssimo.

Ouvi também falar sobre outros lances de que não me apercebi no estádio e sinceramente não tive paciência para ir procurar.



 
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Vi com muita atenção e alguma expectativa o jogo Moreirense - Benfica e devo dizer que fiquei surpreendido com a qualidade dos da casa, que claramente mereceram tudo menos perder. Não soubesse eu quem estava a jogar e apostaria a honestidade de Pedro Guerra em como se tratava de um jogo entre aflitos para não descer de divisão.

O Moreirense teve mais e melhores ocasiões de golo, a segunda parte foi praticamente toda "sua", faltou pontaria na hora decisiva.

Tiago Martins, o bom árbitro do encontro, optou por deixar jogar. E bater também. É verdade que prejudicou o Benfica num lance importante, já perto do final, ao não mostrar segundo amarelo a Dramé. Mas em todos os demais lances capitais, o Benfica foi literalmente ao colo do bom do Martins. 

A entrada do Luisão é para vermelho e mais do que um jogo de suspensão, mas o senhor Martins não "viu" assim. Mas viu o lance, porque marcou falta e advertiu o cabeçudo. Por mero acaso, foi aos trinta minutos de jogo, com o resultado em 0-0. Influência decisiva a favor dos mesmo de sempre.




O único golo do jogo nasce de um livre mal assinalado. Dramé entrou de carrinho e jogou a bola, tenha ou não tocado em Nélson Semedo após efectuar o corte. Entendo que o árbitro se possa enganar neste lance, apenas saliento o "azar" de o golo que decide o jogo e mantém os mesmos na liderança nasça de uma falta inexistente.

Cómico foi também o carinho de Samaris a Diego Ivo, mesmo a acabar o jogo. Também compreendo que o árbitro não tenha visto, pela confusão gerada, mas FICO À ESPERA DO SUMARÍSSIMO.

Estando em tamanha "forma", certamente que ainda o vamos apanhar a apitar-nos até final. Sai mais meia de polvo à lampião!


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Nota final: amigos Portistas, façam-me só um favor (e a vocês próprios): não caiam no erro de comparar lances do Benfica com a agressão do jogador do Canelas, nem sequer em jeito de graçola. O que se passou foi demasiado grave e mau para ser branqueado ou aligeirado. Aproveitando a deixa deles quando o Inácio assumiu que pirateava a BTV, não sejam Guerras.

Adenda: soube agora que o Canelas voltou a jogar porque houve um árbitro que furou o boicote dos seus colegas. Se algum dia esse mesmo árbitro for agredido, espero que aguente de pé sem zurrar. E que os colegas sejam, ainda assim, solidários com ele.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




4 comentários:

  1. Moreirense 0 Polvo 1

    Depois de assistir-mos a este jogo vergonhoso, como é possível a APAF vir pedir o respeito pelos árbitros ?????
    O respeito a quem o merece, e ontem esta equipa de arbitragem merece é o meu repúdio e profundo nojo.
    Já repararam que a única fase, pequena é verdade, em que a arbitragem foi realmente isenta, só aconteceu depois das pretensas ameaças à integridade física dos homens do apito???? E que esse pequeno período de tempo foi suficiente para o SLB perder a larga vantagem que dispunha na classificação????
    Os mesmos homens que jornada atrás jornada, prejudicaram o FCP e SCP e ajudaram o SLB, como por magia começaram a fazer arbitragens isentas e esses mesmos homens, agora que se aproxima o final do campeonato voltam à primeira fase....
    Será que só conseguem ser isentos sob a ameaça de levarem uma carga de porrada????
    Se assim é, então chegou a hora de fretaram uma camioneta com a equipa do Canelas, a fim de fazerem uma visita de estudo à sede da APAF, pois tal como "À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta" aos árbitros exigisse exactamente o mesmo.
    Valdemar Martins

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    1. O problema maior é o condicionamento intencional dos desempenhos dos árbitros, que sabem como são classificados e por quem são nomeados (ou não). Sabem que são lacaios do Benfica quem decide os seus destinos (ou melhor, foram até ao final da época passada) e mesmo que não seja de forma consciente, são coagidos a nunca os prejudicar, para não dizer beneficiar. Porque também há um grupo de árbitros que os favorece também por prazer e fervor lampiónico. É só isto que anda a fabricar um campeão da mentira há três épocas consecutivas e procura agora concluir a quarta.

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  2. Estamos no Mundo dos moluscos - obrigado pela ciência: apesar do ligeiro cheiro a choco frrrito, prevalece o polvo. Pqp!

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    1. Para ajudar à festa, durante muito tempo o Porto também se comportou como um, embora terrestre. No que toca a combater este estado de coisas, fomos durante demasiado tempo uma enormíssima lesma.

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