Do Porto com Amor: Julho 2015

quinta-feira, 30 de julho de 2015

No divã com o adepto portista - o guardião

- Boa tarde, faça o favor de entrar!

- Boa tarde doutor...

- Então, caro senhor, que cara é essa? Está com medo de mim? Entre!

- É que... antes de começar, precisava de saber uma coisa...

- Claro que sim, diga homem!

- Bom, é que... o doutor é do Porto?

- Do Porto? Não, não, sou de Vila Real.

- Não é isso... se é portista?

- Ah, do clube! Sou pois, embora não ligue muito a futebol. Mas porquê?

- Ainda bem! É que se não fosse, ia já embora. Não falo de assuntos do clube com lampiões e lagartos. Excepto com o padrinho do meu mais novo, mas esse é grande amigo e não tem mal.

- Lampiões e lagartos? Assuntos do clube? Bem... é melhor começar pelo princípo. Faça o favor de se deitar no divã.

- Obrigado doutor. Até que sabe bem... espero não adormecer, passei metade da noite a postar nos fóruns e blogues (nos bons, claro).

- Estou confiante que não. Mas então diga-me meu caro... (lê a ficha) António Silva. O que o traz por cá?

- Sabe doutor, ando doente com isto tudo.

- Problemas em casa?

- Em casa? Não, não, a mulher é uma santa e os miúdos são portistas. Tudo na paz do Senhor, graças a Deus.

- Então, quando diz "isto tudo" refere-se ao país? Ao mundo em geral?

- Bem, essa ladroagem do governo não me dá saúde nenhuma e a oposição ainda menos, só querem é voltar para o poleiro... mas não, já me habituei ao que a casa gasta. Vai-se vivendo.

- Então, deixe-me adivinhar, está a falar do FCPorto...

- Pois claro, por que outro motivo haveria eu de procurar um doutor como o senhor? Eu não tenho macaquinhos no sótão! Sou maluco pelo Porto, mas isso é do mais saudável que há, carago! É ou não é?

- Imagino que sim... mas então conte-me, o que o preocupa no seu clube? Está há uns tempos sem ganhar se não me engano, será isso?

- Isso comparado com a seca que os mouros tiveram, não é nada! Foi só uma pausa de 2 aninhos para dar uma abébia aos outros! Este ano vamos voltar ao normal...

- Essa confiança parece-me positiva, mas continuo sem perceber o que o apoquenta.

- Então, o problema não é o Porto, são os portistas! Ou melhor, os que se dizem portistas, porque na verdade não são! Podem ser anti-lampiões e isso tudo, mas portistas não são!

- Como assim?

- Essa gente que anda para aí a dizer mal de tudo, a torto e a direito, na internet. Não há notícia em que não venha logo algum comentário a dizer que o treinador é uma merd.. desculpe doutor, é mauzinho, ou que o Casillas vem para cá reformar-se, ou que se gasta demasiado, ou que o presidente está acabado... não há pachorra!!

- Estou a ver.

- E depois, tenho que ser eu, e mais alguns como eu, os verdadeiros portistas, a andar a limpar essa porcaria toda. Não fosse pelo nosso trabalho, o clube ia de mal a pior...

-  Vamos por partes. Então o senhor Silva sente uma grande responsabilidade em defender o seu clube dos outros adeptos... também do seu clube?

- Eu sei lá se são do Porto! Muitas vezes não parecem... é certo que se dão ao trabalho de andar a ler e comentar nos mesmos sítios do que eu, todo o santo dia ou de vez em quando, é conforme, pelo que lampiões não devem ser... mas portistas também não! Com a porcaria que dizem, devem ser é malucos!

- ...

- Desculpe doutor, não era aos seus malucos que me referia...

- Aos meus malucos?

- Sim, aos que são mesmo, mesmo chonés, percebe? Estes malucos de que eu falo são outra coisa...

- Certo... mas o que o leva a pensar que esses outros portistas são "malucos"? Por terem ideias diferentes das suas?

- Ideias, esses gajos... desculpe... esses tipos não tem ideias, têm diarreias que despejam online! Se não fossemos nós... eles só dizem mal, eles só criticam, nunca estão contentes...

- Desculpe interromper, mas quem são "eles" ao certo? Conhece-os? Sabem quem são, o que fazem? Já os viu ou esteve com algum deles alguma vez?

- Então doutor, são eles... todos. Claro que sei, são sempre os mesmos. É verdade que muitos são anónimos, mas escrevem todos da mesma maneira. Mas muitos deixam lá o nome e até voltam várias vezes.

- E conhecidos, algum?

- Sim, sim, pelo menos um - o meu primo Zé Carlos - conheço muito bem. Sempre que estou com ele só me apetece partir-lhe o foc... a cara. Era o tal que se fartava de insultar o Paulo Fonseca, que era isto e aquilo... e eu sempre a dar-lhe nas orelhas, a dizer-lhe que tinha que apoiar o treinador. É verdade que o homem foi um desastre, mas se calhar foi por causa do meu primo e outros como ele... E depois veio este señor Lopetegui (e não Lotopegui como o outro parolo diz) e lá começou ele a dizer que não presta, que nem um título conseguiu ganhar com um plantel de sonho... é verdade que não ganhámos nada, mas se calhar se ele tivesse apoiado o ano todo, tínhamos ganho na Luz. E claro, este ano vai ser diferente e ele vai engolir tudo. Enfim, uma besta o meu primo.

- Estou a perceber. Mas por que motivo o preocupa tanto aquilo que as outras pessoas - sobretudo tendo em conta que são perfeitos desconhecidos (não sabe se são miúdos ou graúdos, se vêem muitos ou poucos jogos, se tiveram educação adequada para se conseguir exprimir correctamente, se são normais ou dos "meus" malucos...) - dizem ou escrevem sobre o seu Porto?

- Porque estão a ir contra o clube! Estão a dar armas aos inimigos para nos abaterem!

- Armas? Como assim?

- Então, carago doutor! Eles andam a falar mal em público, onde toda a gente (mesmo os bermelhos) pode ler.

- E então?...

- E então? E ENTÃO? Desculpe... Já viu o que é eles (os bermelhos) irem dizer que "ah os do Porto até falam mal deles próprios, que fará nós! É certo que assim não ganham nada"

- Se o fizerem, esses tais "bermelhos" - que imagino sejam iguais aos seus "azuis", mas simplesmente de outro clube - que mal poderá isso causar ao Porto? Acha que vão jogar pior?

- Eu sei lá! Eles também lêem, sabia? Também passam horas nos fóruns e blogues e podem ficar tristes, desiludidos, sei lá...

- Mas já encontrou algum jogador ou dirigente online, nesses sítios?

- Não, quer dizer... assim chapado não... não sei... mas podem ser parte dos anónimos, percebe? (pisca o olho)

- Pouco provável, não lhe parece senhor Silva? Mas ainda que alguns possam ler alguma coisa, não acha que têm preparação suficiente para saber conviver com as críticas, com os media e até - desculpe o estrangeirismo - os social media de que fala?

- Ó doutor, por amor à santa! Não me diga que não aprendeu isso nos seus estudos! É óbvio que tudo que nós dizemos tem impacto no que eles sentem e, por conseguinte, no que jogam! É óbvio...

- Confesso que isso não aprendi, mas se o diz... Ainda assim, saberão por certo distinguir o que são comentários válidos e construtivos de simples insultos, ou como disse, "diarreias mentais"?

- Pois, talvez, não sei. Prefiro não arriscar.

- Mas qual seria então a solução?

- Era fácil, acabava-se com isto. Ninguém dizia mais nada, a não ser que fosse uma coisa para ajudar, para apoiar e incentivar "os meninos". Como eu e mais alguns, os verdadeiros portistas, fazemos todos os dias de todos os anos. Sempre lá, sempre a dizer sim, sempre a apoiar.

- Mesmo que fosse possível (e não creio que o seja), isso seria restringir a liberdade das pessoas, não acha? Uma espécie de censura em que só teriam voz os que falassem num determinado sentido.

- Pois... era bonito, não era?

- Não me parece. O melhor será mesmo exercer o seu direito à opinião e deixar que os outros façam o mesmo. Se não gostar do que eles dizem ou se simplesmente não disserem nada "de jeito", o meu conselho é que também simplesmente os ignore. Apoie o seu, o nosso Porto à sua maneira e quem sabe se outros não o seguirão?

- Ok doutor... e comprimidos, nada?

- Nada. Apenas sugiro que dê mais atenção a outras coisas da vida e relaxe em relação ao clube. Afinal de contas, o presidente é o mesmo há muitos anos, não é? E é o mais ganhador do mundo, ouvi dizer? Se ele conseguiu sobreviver aos "maus" adeptos esse tempo todo, porque não haveria de conseguir o senhor Silva?

- Está bem abelha, bou indo. E se calhar digo ao meu primo Zé Carlos para cá vir.

- Faça isso.



(inspirado no estilo do outro Silva - o da tasca, o que tem graça, o original)



terça-feira, 28 de julho de 2015

Ainda outra entrevista


Depois das entrevistas para espanhol e francês ver, eis que chega a habitual entrevista de verão do presidente Pinto da Costa.

Com um ar descontraído, abraçado pelos calores dos Algarves, mas sem nunca perder o Norte às mensagens que pretende passar e aos recados que faz questão de enviar.

O timing é tudo menos inocente, uma vez que a entrevista se centra nas eleições de hoje para a presidência da Liga. O sentido de voto já era conhecido, mas fica agora irrevogavelmente marcada a posição do presidente, como que a mostrar o caminho a outros presidentes menos convictos do sentido a dar ao seu. O habitual, de um homem que soube quase sempre marcar os ritmos com as suas posições.

Quanto aos candidatos, já se sabe como funciona: agora apoia A porque não quer que ganhe B, mas amanhã, se A ganhar e vier a decidir contra o que considera os interesses do Porto, é bem capaz de lançar C ou até resgatar B. Sendo que A, B e C mais não serão, na sua visão, do que peões para jogar o eterno xadrez pela hegemonia. É a política do futebol nacional no seu esplendor. Por mim, desde que no final ganhe o Porto (o campeonato), está ok. Não espero ver vingar outro tipo de valores nesta dança.

Quanto a jogadores, começo já por Quaresma, que o presidente afirma não ter sido mandado embora. Semântica à parte, é óbvio que foi. Pode sentir-se resguardado pela crença que o jogador nunca o irá contradizer (acredito que não), até pelos elogios que mais uma vez lhe dirige, mas não pode esperar que eu acredite nisso.


Quanto aos reforços efectivos, nada de realmente novo. Mantém a "bajulação" a Casillas, como se ainda não tivesse absorvido a proeza que foi contratá-lo, aproveitando a boleia para finalmente se referir a Mourinho, ainda que sem a agressividade que o caracteriza noutros casos. Depois, continuou francamente mal, ao colocar Fabiano e Andrés Fernandez no outro prato da balança, para justificar o salário de Iker. Com ou sem intenção, menorizou os dois jogadores (por quem eu não tenho nenhum entusiasmo, saiba-se) e não lhe fica nada bem, excepto se ambos se tiverem comportado mal (e se assim foi, deveria ser público).

Depois, realça a inépcia do Benfica em relação a Maxi, tendo-se limitado a "aproveitar" a ocasião e já lhe vai construindo o bom carácter, pela manutenção da sua palavra e pela já perfeita integração no grupo. E depois Imbula, que já podia ter sido vendido por mais do que custou sem sequer "calçar" e que até o Fenerbahçe o queria, o que também não é novo no seu argumentário. E Danilo, a quem antevê um grande futuro (tal como eu, já agora) e que o Sporting nunca verdadeiramente teve hipóteses de contratar. Pelo caminho, as pazes com o presidente do Marítimo...

Referindo-se depois aos reforços potenciais, a parte que mais expectativa gerou em mim, ficamos a saber que Lucas Lima ainda é desejado e que tudo o que a TVI deita cá para fora é "lixo", quiçá porque alicerçado em empresários se querem aproveitar da fama do clube de ser exímio "descobridor" de talentos.

Melhor ainda, percebe-se que a não-venda de Alex Sandro ao Atlético mais não foi do que retaliação por este não permitir o regresso de Óliver. O que eu aplaudo de pé.

Depois uma bicada em Jorge Mendes, em relação a Rafa, um jogador que aprecia mas que apenas "burrice" permitiria comprar por €20M.

E mais uma vez revelou a sua inaptidão para compreender o marketing enquanto pilar fundamental para o desenvolvimento sustentado do clube. Uma resposta ziguezagueante no que concerne ao impacto de Casillas na projecção do clube, por um lado exaltando o fenómeno, por outro aceitando a incapacidade para fornecer o mercado com as encomendas feitas das camisolas de Iker; por um lado, reconhecendo os benefícios para o nosso reconhecimento internacional, por outro desvalorizando porque "não somos vendedores de camisolas". Pois se não somos, devíamos ser! Ninguém pensa em transformar o FCPorto em empresa têxtil, pelo que a alusão é despropositada e apenas reconhece a impreparação para o que o mercado, por uma vez, pediu ao clube. Poderia ter dito que o negócio Iker foi demasiado rápido para que houvesse tempo de ajustar a produção àquilo que se previa, mas como não é a sua área, nem se aventurou. Pinto da Costa respira futebol como ninguém, o que felizmente coincide com a faceta mais importante desta actividade, mas deveria ter com ele quem também percebesse muito de outras áreas. Uma falha que já vem de muito longe.

Interessante foi também registar a disputa de António Salvador com LFV, como se o presidente do Braga fosse mais um troféu que ambos desejam ostentar nas suas fileiras. E novo elogio a Jorge Jesus, que cada vez mais me convenço, é o seu maior desejo para ser o último treinador que contrata. Apesar de nem pensar na recandidatura, numa eleição que já está a menos de um ano de distância...


Quem desejar conhecer na íntegra, pode fazê-lo aqui (graças ao FCP PARA SEMPRE).


Mas eu, foi assim que o li,

Do Porto com Amor



segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dia de jogo: Schalke 04 - FCPorto (0-0)




E assim cumprimos mais um jogo de preparação - o quarto "oficial", desta vez contra os nossos amigos alemães que habitam na Arena AufSchalke de Gelsenkirchen, onde já fomos tão, mas tão felizes (neste século e a cores).

Lamentavelmente, o jogo de hoje foi mais uma pálida (ou melhor, cinzenta) demonstração do potencial dos nossos rapazes. Muito em linha com o jogo anterior, neste beneficiamos de não ter começado com uma táctica complicada e sobretudo um onze incompatível com essa táctica. Hoje foi sempre a abrir em 4-3-3. Ou nem tanto, terá sido mais como quando um conjunto interminável de simpáticas velhinhas atravessa a passadeira quando estamos cheios de pressa. Só apetece buzinar e gesticular a um dedo só, mas como se trata de afáveis senhoras cujo tempo lhes levou a urgência, limitamo-nos a sorrir que nem uma gema de ovo.

Estive a tentar encontrar destaques individuais (pela positiva, obviamente), mas não foi tarefa fácil.

É certo que Casillas foi importante em 2 ou 3 lances, adiando um golo que parecia inevitável. Tal como Helton, aliás, numa situação muito difícil. Mas só isso não me pareceu suficiente. À semelhança de algumas exibições "apenas" regulares como as de Marcano, Maicon (glup...), Evandro, Sérgio Oliveira ou Brahimi e mais tarde André André e Danilo. Nesta altura, ser "apenas regular" pode até não ser mau para os objectivos individuais de afirmação (ou sobrevivência) no plantel, mas é apenas isso.

Assim sendo, do meu ponto de vista sobraram apenas duas exibições merecedoras de destaque:

 - Alex Sandro: o mais recente capitão do FCPorto destacou-se pela disponibilidade para fazer todo o flanco a atacar e a defender, chegando a salvar um golo quase certo já na pequena área e a rematar forte ao poste de Fahrmann. Possivelmente motivado pelo mais recente caso de "renova-e-foge", parece disposto a sair em grande, tal como Danilo.

 - Rúben Neves: uma das melhores coisas que sairam da responsabilidade de Lopetegui na época passada, o nosso menino começou a pré-época discreto, demasiado para o seu próprio bem. Com a grande concorrência que agora existe no meio-campo, temia-se que desaparecesse sem deixar rasto. Felizmente o treinador deu-lhe esta oportunidade, que ele agarrou muitíssimo bem. Seja bem regressado!

Foi um jogo em que quase não chegamos à baliza adversária, sobretudo com real perigo de fazer golo. Aliás, para ser honesto, só não perdemos graças à ineficácia dos homens do Schalke combinada com as defesas in-extremis dos nossos GR e alguns cortes providenciais. Não há ainda conclusões para tirar, porque estamos a meio do processo, mas é perfeitamente normal que muitos portistas comecem já a (des)esperar por melhores exibições, o que é amplificado pelo que se viu na última época. Não desespereis, que ainda é (muito) cedo e eles ainda vão crescer! A escolha está feita e só nos resta apoiar. E para terminar, o azul e branco que bem que lhes fica, eles vão... peço desculpa, entusiasmei-me.


Nota importante: a propósito da minha questão "Onde pára a PJ?", finalmente um estimado leitor ajudou-me a descobrir a resposta: há pelo menos 3 anos que está aqui! Isto, de facto, pode ajudar a compreender certos fenómenos...



Do Porto com Amor



domingo, 26 de julho de 2015

Sorteio, o não-assunto


Confirmou-se o cenário mais do que previsível, o sorteio dos árbitros "pedido" pela maioria dos clubes profissionais foi negado pela AG da FPF. Nada menos surpreendente, aliás julgo que até para os próprios clubes que lideraram o processo: tirando talvez Bruno de Carvalho, já não há anjinhos entre as fileiras dos clubes, pelo que este resultado teria sido antecipado desde o início da demanda.

Então porque se deram ao trabalho de o fazer?
É simples. Mesmo sem conseguir o sorteio (desconfio que verdadeiramente nem o queriam), certificaram-se de que todos os olhos mediáticos ficam definitivamente postos em Vitor "imodium" Pereira. Por outras palavras, vai ser muito mais difícil repetir as gracinhas da época anterior e das anteriores a essa. É a chamada marcação cerrada.

Se será suficiente para que os bons árbitros tenham a "liberdade" necessária para fazerem o seu melhor, para que os "aficionados" se coíbam de inclinar os campos e para que melhores sejam nomeados para os jogos mais importantes, não sei. Mas que haverá menos graus de liberdade para "improvisar, não tenho dúvida.

No entanto, isto nada garante. Sem um acompanhamento rigoroso, jornada a jornada, a denunciar o que for denunciável, o andor continuará o seu caminho, ainda que mais lentamente. Até porque LFV já foi muito claro quanto à sua visão de médio prazo. É fundamental que o Porto fale sempre e nos momentos certos, porque passado o timming já pouco importará. E há silêncios que ensurdecem. E consolidam o sistema.

Em paralelo, assistimos ao anúncio de que (finalmente!) todos os jogos das ligas profissionais passarão a ser gravados, ficando assim disponíveis para complementarem a avaliação dos desempenhos dos árbitros. Pelo que se pode ler, será um membro do CAR (Comissão de Análise e Recurso) a visionar cada jogo, "auxiliando" o observador que, aparentemente, também passará a recorrer ao vídeo antes de "finalizar" a nota.

Num mundo de gente séria e competente, esta seria uma boa medida que apenas pecaria por tardia (como aliás prontamente denunciou Marco Ferreira, mas já lá iremos). Sendo com os mesmos artistas, a dúvida instala-se.

Em primeiro lugar, porque não é ainda claro como é que efectivamente será o real processo de avaliação: é o observador que decide, o membro do CAR tem poder para alterar ou é um trabalho de equipa (e neste caso, quem tem voto de qualidade em caso de discórdia)?

Depois, porque voltamos ao velho problema de Juvenal, "Quis custodiet ipsos custodes?" - quem guarda os guardiões? Não havendo total transparência e full disclosure das notas e respectivas justificações, ficará sempre a incómoda sensação de nebulosidade.

Ora, quem mais uma vez não perdeu tempo para mais uma vez atacar VP foi o bom do Marco. Referindo-se a este anúncio de gravação de todos os jogos, o madeirense fez mais umas interessantes revelações sobre o modus operandi deste CA. Se já antes havia dado conta da luta de galos entre VP (o nomeador) e um tal de Ferreira Nunes (o classificador), agora foi um pouco mais longe e trouxe à colação a memória de que já há 3 anos havia sido financiada e testada esta agora novel medida, questionando se haveria sido "exigida" pelo segundo, uma vez que "tinha conhecimento que houve árbitros esta época que pediam aos clubes da II Liga para não disponibilizarem a gravação ao observador no final do jogo" e ainda assim, optou por validar as respectivas classificações.

Além de mais uma acusação gravíssima para juntar à sua coleção pessoal, Marco Ferreira volta a trazer à tona o lodo pantanoso em que a arbitragem se movimenta. E mais uma vez eu pergunto: vai ficar tudo na mesma, ninguém vai fazer nada?




sábado, 25 de julho de 2015

Dia de jogo: BorussiaMG - FCPorto (2-1)


Ao terceiro jogo, a primeira derrota. Com um possível adversário na Champions, terceiro classificado da última bundesliga, mas ainda assim inferior ao Porto em circunstâncias normais.

Já expliquei aqui a minha forma de abordar os jogos de preparação, pelo que não esperem encontrar sangue salpicado pelo texto. Aliás, estive até tentado a abster-me de comentar a primeira parte do jogo, tal foi a aberração a que se assistiu.

O onze que começou ontem o jogo simplesmente não tem condições para funcionar. Não pelo desenho táctico, que apesar de não ser do meu agrado, pode obviamente funcionar, mas pelos jogadores escolhidos para formar o meio-campo (admitindo ser formado por 4 jogadores).

Se Danilo esteve numa posição que poderá ser a sua (ainda que menos esclarecido do que no jogo anterior, talvez pela ausência de Imbula), juntar Evandro e Sérgio Oliveira simplesmente não tem como funcionar, dada a redundância que um representa para o outro. Ainda para mais com a (boa) presença de André André.

Como consequência, as poucas e infrutíferas tentativas de construir lances ofensivos resultaram ora da movimentação de Tello, ora de descidas dos laterais que uma e outra vez Sérgio Oliveira descobriu. Uma das alas quase sempre "coxa" e Aboubakar a quilómetros de distância dos companheiros.

Não estando por dentro do plano de preparação de Lopetegui, não posso avaliar as suas intenções com este teste, apenas posso constatar que nunca irá funcionar (desta forma, com estes jogadores). Mas o certo é que na segunda parte já nem lembrança, porque logo no recomeço se regressou ao habitual 4-3-3 e a equipa respondeu de imediato, fazendo um golo e outras boas combinações, para depois se deixar enviar de novo num ritmo baixo e com poucas ideias.

Nunca é bom perder, mas fico contente ao perceber que, segundo o treinador, valeu a pena por aquilo que a equipa evoluiu e pelas ilações que se puderam tirar. Antes agora que depois.

Destaques:

 - Marcano: continua a tremer em demasia com a bola nos pés e sob pressão, mas felizmente tem sido mais fogo de vista do que outra coisa, porque raramente faz asneira. Em tudo o resto, esteve particularmente bem, seguro qb e com alguns sprints e desarmes de classe a evitar males maiores. Que assim continue e a "dúvida" será apenas quem escolher para seu parceiro;

 - Varela: uma boa oportunidade para me retratar - pensei que não tinha condições de nenhuma ordem para voltar e que a renovação serviria apenas para que não acabasse na segunda circular - porque o jogador está a demonstrar que mantém as suas qualidades e que está de novo com vontade de ajudar e ser feliz neste clube. Entrou na segunda parte a revolucionar o jogo é a assistir para o golo de Abou.

- André André: nao terá sido por acaso que foi dos que mais tempo se manteve em campo. Mais um punhado de boas indicações quase que a garantirem não só a sua permanência no plantel, mas também a luta por uma utilização regular.

- Brahimi: outra entrada de Dragão, está de volta a alegria e a disponibilidade mental para ser uma das estrelas da companhia. Tal como os demais, precisa ainda de apurar a forma e o discernimento, mas a atitude está lá.


Ficou um pouco mais clara a necessidade de ter suplentes de nível idêntico para Alex e Maxi, parece evidente que com as soluções actuais não vamos lá. Depois, o tal central e o tal PL (o primeiro porque é imperioso se queremos um onze de champions e o segundo porque só Abou não vai chegar para a época toda). E claro, o (rápido) regresso de Óliver. Sem dramas, aguardemos pelo próximo (já na segunda às 17h).



quarta-feira, 22 de julho de 2015

Onde está a bola? #1


Onde está bola? - passatempo nº1


É com muito prazer que anuncio que o Do Porto com Amor vai oferecer 2 bilhetes para a apresentação do F.C.Porto no dia 8 de Agosto ao leitor mais perspicaz e afortunado.

Para se habilitar a ganhar, basta acertar em qual das 4 bolas (Azul Porto, Preta, Laranja ou Azul claro) está a verdadeira bola de jogo e responder na caixa de comentários.

As regras são muito simples:

1 - Descobrir na imagem acima onde está escondida a bola de jogo verdadeira e escrever na caixa de comentários deste post qual a cor da bola que a está a tapar, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória (pode comentar como "anónimo" desde que no comentário inclua estes dados).

2 - Entre os que acertarem, será sorteado o vencedor (através de uma app geradora de sorteios).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, o concorrente terá de fazer o obséquio de seguir o FB e o Twitter do DPCA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir").

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, será anunciado o vencedor, que receberá instruções no seu email sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Este passatempo termina às 00h00 de dia 1 de Agosto e o vencedor será anunciado até ao final de dia 3 de Agosto.

7 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data do anúncio, será feito novo sorteio entre todos os que tiverem acertado na resposta (e assim sucessivamente até se encontrar um vencedor que reclame o prémio).


 E é só! Mais simples não podia ser. Concorre e divulga!

Do Porto com Amor (e bilhetes)




terça-feira, 21 de julho de 2015

A entrevista e os bobos da corte


A Entrevista: do El País a Pinto da Costa

Embalado pela contratação de Iker, o presidente Pinto da Costa decidiu capitalizar a sua fama e aproveitar o raro interesse de um jornal espanhol em entrevistar um dirigente português (mesmo tratando-se de PdC), aproveitando para enviar uma série de recados, como é seu hábito.

Tendo a entrevista sido já escalpelizada aqui e aqui, vou apenas centrar-me em alguns pontos que me parecem relevantes e possivelmente diferentemente analisados por mim:

1 - É importante valorizar devidamente a importância desta e doutras entrevistas, reportagens e todo o tipo de trabalhos jornalísticos e não só, que vão projectar o clube e a cidade em patamares que até à chegada de Casillas seriam difíceis de conseguir. Daí também o destaque que deu a Iker e ao processo de contratação. É que conforme se pode ler noutra peça do mesmo jornal: "Iker Casillas coloca también al Oporto en la pantalla del fútbol mundial. Sus actuaciones se van a seguir en todo el mundo y con ello al Oporto. Casillas llega para ser la voz de Lopetegui dentro del campo y la imagen del club, y de la ciudad, en todo el mundo. Oporto, el vino, el Duero y el portero, Casillas". Passe o exagero, é um bocado isto.


2 - Mal, muito mal nisto aqui: "Hay veces que no necesito un entrenador como Lopetegui. Cuando tengo en el equipo a Hulk, Falcao y James, me es indiferente el entrenador. Con ellos es difícil no ganar. Pero entramos en un periodo en que no teníamos esos jugadores ni la capacidad económica para sustituirlos, y el trabajo es diferente.".

Primeiro, esteve mal porque foi incorreto e injusto para com AVB, VP e até JF. Com todo o mérito que lhe é devido, Pinto da Costa não ganha nem nunca ganhou sozinho. Em particular nestes anos, saiu-lhe bem melhor do que a encomenda. É feio e desnecessário.

Segundo, porque entra em contradição. Justifica a aposta num treinador com um perfil como o de Lopetegui com a falta de capacidade económica para substituir os craques mas a realidade que o clube ostenta, tanto na época passada como sobretudo nesta, é diametralmente oposta: investir, investir, investir.

Terceiro, porque em relação a Mourinho, mais adiante na entrevista, assume uma postura diferente. Não acredito que seja sentido, mas simplesmente too big a fish to mess with. E Mourinho merecia muito mais provar os maus fígados de PdC do que os visados.

3 - A normal e esperada defesa do trabalho de (e da sua aposta em) Lopetegui. Não antecipava outra coisa, pelo que nada a relevar uma vez que tudo é dito com esse objectivo. Se fosse paranóico, era capaz de detectar uma pequena "saída de emergência" caso tudo corra mal: foi o treinador (e apenas ele) quem escolheu os jogadores. Mas como não sou, ficamos por aqui.


4 - A chapada em CR7. Desta gostei, confesso. Além de desalinhar no patrioticamente correcto (mesmo afirmando o contrário), o que me agrada só por si, não deixou de, por um lado, falar verdade, e por outro, espetar o alfinete em alguém que nunca nos (clube) tratou bem. Não se depreenda daqui que não sou fã do futebol do CR7, porque obviamente sou e muito, bem como da sua história de vida. Mas enquanto portista, além daquele que foi um dos melhores golos da carreira no Dragão, sempre foi demasiado hostil para o seu próprio bem.


5 - Tenho pena que não tenha aproveitado a visibilidade para lançar a ideia do campeonato ibérico ou algo semelhante (uma competição entre as melhores equipas da península, sem abdicar de imediato das competições nacionais). Desconfio que sei porque não o deseja e quase todos serão "bons" motivos: a incerteza quanto ao impacto que uma competição destas poderia ter não só no Porto mas também em Sporting e sobretudo Benfica; o risco de perder estatuto e poder, numa competição com players maiores; e a sua própria idade, que já não o incentivará a desenvolver projectos a um prazo mais longínquo. Mas para nós enquanto clube, seria talvez a única forma de darmos o salto em termos orçamentais e aí sim, lutar mais vezes pela Champions (ainda que menos vezes por essa nova competição).


 

Bobos 1 & 2: Gaspar Ramos e José Augusto

E lá começam eles a sofrer por antecipação. Já paira no ar (deles) a sensação de que o pior está a chegar, "Winter is Coming".
Tal como "milhões" de benfiquistas, assistem em pânico ao reforçar dos planteis dos outros dois candidatos ao título, ainda por cima parcialmente à custa de "activos" do Benfica.

Todos sabemos que Gaspar Ramos foi um dos dirigentes rivais mais mal tratados por Pinto da Costa, tal a surra desportiva que levou enquanto se aguentou na luta. Já a velha "glória" vem a terreiro apenas para se manter vivo na lembrança do presidente.

Mas no fundo, no fundo, o que eles queriam mesmo dizer mas não têm coragem é "Porra, presidente, então e nós vamos ficar para trás? Se eles podem, por que não podemos nós?". Mas como essa coragem lhes custaria o acesso ao círculo presidencial e a outras benesses mais, com bilhete só de ida para o gulag do benfiquismo, fazem-no desta maneira. Está bem, nós percebemos.


Bobo 3: Mourinho

Numa curta entrevista ao The Guardian, o treinador que não festejou a conquista da Champions pelo Porto foi apenas igual a si próprio.

Como é sabido, Mourinho alimenta-se do e vive para o conflito, é a única forma que conhece de estar (pelo menos) no futebol. Independentemente do seu imenso mérito, muitas vezes não passa de um cretino.

Desta vez, estava a atirar pedras aos telhados dos rivais ingleses que o preocupam, pelos seus gastos "astronómicos" (como se o seu plantel não fosse o corolário de milhões e milhões de euros, tendo uma boa parte deles acabado no caixote do lixo), quando teve a infeliz lembrança de referir o Porto e o Sporting como exemplos desta loucura que assola o futebol, sobretudo num país pobrezinho como o dele. Como se ele próprio não tivesse sido um dos grandes obreiros dessa loucura desde que aterrou pela primeira vez no Chelsea do cândido e exemplar cidadão do mundo Abramovich, que ainda hoje é notícia por estar disposto a oferecer €49M por um central. Actualização: a comprovar o que digo, chega agora esta análise da Marca, mesmo na mouche.

Já li algures que os objectivos destas declarações eram Casillas e JJ, sendo os clubes danos colaterais. Até poderia ser, mas Mourinho é daqueles que prefere lançar uma granada a utilizar uma M24 (sniper rifle) mesmo quando tem um alvo específico. E como muitas vezes tem feito desde que daqui forçou a saída, apeteceu-lhe mais uma vez "meter-se" com o Porto. Eu até me atreveria a dar-lhe o conselho de se abster de falar sobre o Porto, mas conhecendo a profunda patologia psicológica que o consome, seria desperdiçar letras.

No entanto, meus bobos, mais uma vez fica o aviso: "The North Remembers".


Onde Pára a Polícia 444 1/4


Conforme prometido, caro Marco Ferreira, cá estou eu mais uma vez a dar eco às suas declarações.

Aproximando-se já esta estória a uma tragicomédia (trágica para ele, comédia para quem sonha com um futebol profissional e sério), aproveito para a transformar na sequela da descomplicada trilogia do tenente Frank Drebin em "The Naked Gun" (em portugais, "Onde pára a Polícia", disse Lauro Dérmio), apresentando "Onde pára a Polícia 444 1/4: o desaparecimento da PJ".


Numa extensa mensagem no seu FB, o ex-árbitro volta a dar sinais de que não está disposto a deixar cair no esquecimento todo o processo de que, segundo o próprio, foi alvo.

Mantendo o ataque cerrado e centrado em Vitor Pereira, desta vez critica a forma como a profissionalização da arbitragem está a ser conduzida, começando nos critérios de seleção (que segundo ele se baseiam apenas na idade, ignorando a qualidade), passando pela discricionariedade e subsequente atropelo dos regulamentos e terminando com a indicação dos árbitros para serem internacionais, que segundo Marco Ferreira, são já produto dessa academia recém-criada e como tal, estavam "destinados" a serem internacionais e por lá ficarem "enquanto estas pessoas continuarem", independentemente dos seus desempenhos dentro de campo.

Obviamente que todas estas acusações são mais uma vez gravíssimas e apenas se compreenderia que não tivessem consequências (pelo menos e no limite para Marco Ferreira por difamação) se fossem investigadas por Frank Drebin, essa maravilhosa personagem da referida trilogia magistralmente interpretada por Leslie Nielsen (paz à sua alma).


Brincadeiras à parte, seria de esperar que mesmo que a PJ estivesse de facto a investigar, nada se soubesse sobre isso até que houvesse frutos desse trabalho para apresentar. Mas por outro lado, seria expectável que, nesse caso, Marco Ferreira fosse dos primeiros a ser ouvidos e como tal, deixasse de fazer comentários públicos sobre o assunto. O que não acontece, pelo que a conclusão, ainda que simplista, não é difícil de tirar.

Reitero os meus votos para que Marco Ferreira continue a sua cruzada até que alguém seja obrigado a fazer alguma coisa. Ainda que os gigantes acabem por não ser mais do que moinhos de vento, o importante é lutar por aquilo em que se acredita.


domingo, 19 de julho de 2015

Dia de jogo: MSV Duisburg - FCP (0-2)



Tenho a teoria que nos jogos de pré-época apenas se pode dar valor (a ainda assim, relativo) ao que se vê de positivo e relevar tudo o que de menos bom acontece (a não ser que um jogador dê uma cabeçada num árbitro, por exemplo). Isto porque estes jogos servem para o treinador perceber quem tem e em que estado. No fundo, para perceber qual a receita de jogo que melhor se adequará tendo em consideração os ingredientes disponíveis (side effects do Master Chef Australia). O que realmente interessa é que aquando do primeiro jogo oficial, tenhamos um magnífico repasto à nossa espera.

Feita a introdução, breve notas sobre o jogo de ontem:

 - Estreias de Iker e Maxi com a nossa pele e primeira transmissão televisiva de Imbula, Danilo, André André e Bueno de dragão ao peito;

 - Homem do Jogo: Brahimi. Parecia o craque que chegou à sensivelmente um ano atrás. Solto, disponível, solícito e a alternar bem entre a jogada individual e o passe para um companheiro. Espero que seja para manter durante toda a época e que sobre ele não se abata a mesma maldição de 14/15;

 - Menção honrosa: André André e Sérgio Oliveira. Parecem querer dizer ao treinador que vai ter mesmo que contar com eles. Dois jovens portugueses que estão claramente a fazer pela vida, demonstrando qualidade para serem opções importantes ao longo da temporada;

 - Boas sensações  ao ver Imbula e Danilo juntos, parece ser a chave para uma base sólida do futuro meio-campo. E aquela arrancada de Imbula levanta um bocado da ponta do véu de ouro e cravejado de diamantes de €20M; (adenda: desculpa Imbicto, só depois vi o teu post)

 - Hernáni, mais uma vez a dizer "presente". Gostava muito que ficasse e tivesse oportunidades;

 - Abou, bons pormenores a receber a bola na frente e ganhar posição sobre os defesas. É certo que se trata do Duisburg, mas mais uma vez fico convencido que a qualidade está lá;

 - O "duplo pivot defensivo" (quase vomitava agora e não era por causa dos equipamentos): deu a sensação de estarmos em 4-2-3-1 enquanto Danilo e Imbula jogaram juntos. Não sei se intencionalmente ou apenas normal reflexo de defesa devido à falta de entrosamento da equipa;Depois de Paulo Fonseca seria de temer, mas, lá está, a questão não é o sistema, mas sim quem os interpreta;

 - Como cereja no topo deste bolo de cacau, ter ganho e não ter sofrido;


E é muito isto. E aquilo também. Próxima sexta há mais, já contra um adversário de primeira divisão alemã.


sexta-feira, 17 de julho de 2015

A segunda vida de Lopetegui


Sobre a primeira época do treinador basco Julen Lopetegui aos comandos deste nosso Amor já falei aqui.

Se ainda não teve oportunidade de ler, sugiro que o faça agora antes de avançar no texto. Vá lá que eu espero.

Já está? Pronto, antes assim.
Nada se alterou de significativo em relação à minha opinião sobre Lopetegui. Os erros cometidos já não têm remédio. O campeonato perdido já não tem volta. A humilhação de Munique ficará para sempre. E não, nada mais. Porque se tivesse sido despedido como merecia, seria lembrado no futuro (não muito distante) apenas pelo seu rotundo falhanço.

Antes de avançar, vou carregar um bocado mais na ferida, porque ainda me dói particularmente. Para nós portistas, a época anterior ficará para sempre como a do #colinho, mas apenas porque Lopetegui não foi capaz de ter a competência para o evitar. Porque na realidade, apesar de todas as ajudas, o SLB só ganhou o campeonato porque nós falhamos nos momentos decisivos: Madeira, Luz e ainda Belém. Se tivéssemos feito o que nos competia, não só seriamos campeões como a época seria lembrada como "nem com o #colinho lá chegaram". E sim, para mim o maior responsável foi sem dúvida nenhuma o treinador, conforme detalhei no texto para onde o remeti no início.

No entanto, Lopetegui continua.
E como tal, será outra vez o meu treinador, ou melhor, o treinador do meu clube.
Portanto, achei ser este o momento certo para dizer de minha justiça, antes que as coisas comecem a doer.

Na abordagem inicial, parecia-me que, ao contrário do que seria expectável, o Porto iria partir em vantagem, dadas as loucuras de verão da segunda circular. Ambos mudaram de treinador e nós não. À partida seria suficiente para garantir um lugar na pole.

Hoje já não tenho essa convicção. Parece-me que temos demasiadas mudanças no plantel e sobretudo no onze para que se possa atribuir qualquer vantagem. Ainda por cima quando o treinador dá sinais de querer (pelo menos) testar modelos de jogo alternativos (ainda que eu continue sem perceber bem qual era o do ano passado...).

Isto para dizer que Lopetegui começa outra vez (quase) do zero. Se Quaresma foi sua (péssima) opção, Danilo, Casemiro, Óliver e Jackson não foram seguramente. E depois a armada espanhola de segunda categoria, que agora recebe guia de marcha e me vem dar razão quando dizia que nada vinham acrescentar a não ser quantidade, daquela que dá um jeito tremendo porque se coloca sempre ao lado do treinador dentro do balneário.

Se as saídas foram de peso (com o risco de ainda se agravar), as entradas não o são menos. Nesta altura, em que muita coisa ainda pode mudar, garantidamente não temos um plantel inferior. Garantidamente. Mas mantém no entanto algumas das insuficiências: falta (pelo menos) um central de qualidade para jogar ao lado de Indi e um bom suplente para rivalizar com Maxi (a que se soma agora também a necessidade de um médio criativo e um ponta de lança, a não ser que se façam adaptações).

Teremos que aguardar pelo fecho do(s) mercado(s) para tirar conclusões, mas os sinais são de uma aposta única, arriscada (e provavelmente irrepetível) para recuperar o título e gritar bem alto que não haverá nem fim de ciclo, nem novo ciclo, mas que apenas se tratou de um (grande) acidente de percurso.

Ficou para mim claro que a aposta em Lopetegui vai muito para além das suas qualidades e curriculum como treinador. Lopetegui é hoje um polo de atração de jogadores espanhóis e da liga espanhola, uma espécie de gaja boa que seduz nuestros hermanos com um belo par de contratos e um rijo traseiro cheio de euros (a chegada de Casillas é o expoente máximo dos seus dotes de sedução). É verdade que destes seus atributos nunca outros treinadores tinham beneficiado, mas é igualmente justo reconhecer que o facto de ser espanhol, ter uma reputação razoável e conhecer o meio futebolístico também tem muito peso nesta atração fatal.


Concluindo, estou esperançado que o treinador tenha aprendido com os seus erros. Mal dele se não o tiver feito. Se dependesse de mim, não teria segunda vida aqui. Mas como não depende, estou com ele (de novo) até final da temporada. E como gostava de ter vontade de lhe dar um abraço nessa altura. 



quarta-feira, 15 de julho de 2015

Última hora: Emirates patrocina os 3 grandes!


Imagem original "roubada" ao Dragão até à Morte


Agora percebe-se melhor porque LFV é o novo Rei Midas


Dicionário Lampiónico - Dragonês


Chegou hoje ao F.C.Porto Victorio Maximiliano "Maxi" Pereira Páez, internacional uruguaio de 31 anos, para assinar um contrato válido por 3 temporadas que lhe renderão cerca de €4M por época (segundo consta, sem confirmação oficial).

O que penso sobre esta besta resume-se em poucas palavras.

Nas últimas 8 temporadas, foi o caceteiro-mor do Benfica. Um jogador desprezível, com mau-carácter e violento.
Como se não bastasse, ostenta na face aquela inacreditável verruga.

E agora, ainda antes de pegarem nas tochas e forquilhas, uns excertos do Grande Dicionário Lampiónico - Dragonês:

besta: jogador intratável, com um pulmão infinito

caceteiro-mor: o jogador mais raçudo, que deixa sempre a pele em campo

desprezível: implacável, lutador nato

mau-carácter: que não tem contemplações perante o adversário 

violento: combativo, que nunca dá um lance por perdido

verruga: sinal distintivo que simboliza o seu carácter único e a sua humildade


Se fizerem o favor de substituir na descrição as palavras lampiónicas pela respectiva tradução em dragonês, ficarão a saber o que penso dele a partir de hoje.

Isto para que não me acusem de incoerência, claro está. É tudo uma questão de linguística. Found in Translation.


Feita a introdução, o que realmente me parece esta contratação?

Potencialmente, uma extraordinária aquisição em termos desportivos. Um jogador experiente mas ainda com muito para dar, habituado a jogar não só competições europeias como também a nossa liga. Prontíssimo para entrar directo no onze e nunca mais de lá sair. Excepto quando estiver suspenso por excesso de "vontade". Ou seja, no limite jogará metade dos jogos, se a benevolência para com ele acabar. Ainda assim, boa contratação.

O que me levanta algumas dúvidas é o contrato que lhe foi oferecido.

Se fossem os 4 que se dizia, seria claramente excessivo, três anos parece-me no limite do razoável. Porque estamos a falar de 4 quilos por época, uma batelada de massa que terá sempre de ser paga, jogue ele os 3 anos ou não.

E o valor do contrato. Em absoluto, porque tenho dificuldade em perceber onde iremos buscar recursos para cobrir uma massa salarial tão elevada (não é só Maxi e Casillas, são mais os jogadores a receberem valores difíceis de entender no nosso contexto). Todos queremos muito recuperar o título, mas não à custa de títulos futuros. É uma jogada de claro risco, espero que assumido. E em termos relativos, porque no balneário não faltam jogadores que se julgarão igualmente merecedores de um contrato semelhante, até pelas "marcas do Maxi" que deverão ostentar nas suas canelas. Preocupa-me que a desejada coesão do grupo comece logo a ser abalada por aqui. Mas se calhar sou eu que sou medroso.

Em todo o caso, o que está feito já não pode ser desfeito. Maxi "El Mono" Pereira é dragão e a única coisa que desejo é que continue igual a ele próprio e ponha todo o seu talento e ganas ao serviço do clube. O resto virá com naturalidade.

Para terminar, o vídeo da chegada ao estágio no FB da Tertúlia Azul e Branca. Os sorrisos de cumplicidade são impagáveis e imagino que muito dolorosos noutras bandas.

#bamospuertocarajo


Actualização: entrevista exclusiva do Pobo do Norte com a mãe de Maxi 




segunda-feira, 13 de julho de 2015

A morte do árbitro Marco


"Termina hoje a minha carreira de Árbitro, agradeço a todos as sentidas mensagens que recebi, foram muitos os amigos que quiseram deixar uma palavra de amizade, gente do futebol, da sociedade em geral desde a política até aos desconhecidos, a todos o meu muito obrigado... Dediquei 20 anos a esta nobre causa, sendo 9 deles no futebol profissional, abdiquei da minha profissão de 12 anos na Banca, dos meus amigos e até da minha família quando o dever chamava por mim, todas as minhas ausências eram compreendidas por quem gosta realmente de mim. Não me arrependo de nada, de nenhuma palavra que disse contra o "SISTEMA" enraízado. Saio neste momento não por deixar de gostar de arbitragem, muito pelo contrário, saio para poder ganhar a minha liberdade de expressão e acabar com as pessoas que destruiram e continuam a destruir anos e anos de conquistas que a arbitragem portuguesa alcançou. Tantas injustiças ao longo destes anos e não entendo como continuam a prestar vassalagem a incompetentes, todos se queixam mas infelizmente só o fazem no silêncio. O 25 Abril deu-nos liberdade, está na altura de perderem o medo, de levantar a cabeça e enfrentar as pessoas de frente, unidos venceremos e podem ter uma certeza, estarei na linha da frente como sempre estive nos momentos e nos sitios certos e se optarem uma vez mais em serem submissos façam-no de forma a que todos os dias consigam se olhar ao espelho e questionem, tenho orgulho em mim? Sou um bom exemplo para os meus filhos? Se a resposta for "sim" continuem que um dia os vossos filhos vão demonstar que estavam errados... Não saio por querer, levei um "cartão vermelho" por ter carácter, por ser sério e por não pactuar com injustiças, talvez estas infrações estejam este ano nas alterações às leis de jogo. Estudem bem para não seguirem o meu exemplo... bem hajam..."

É esta a declaração de despedida do agora ex-árbitro Marco Ferreira, que como sabemos desiste da arbitragem após ter sido despromovido como resultado de ser o último da classificação em 2014/15, algo inacreditável se recordarmos todos os artistas do apito que fizeram o bicampeão.

Já escrevi sobre a contundente e gravíssima acusação que fez após ter sido divulgada a classificação, bem como sobre a clarificadora entrevista que deu à RTP mais recentemente.

Tendo passado praticamente um mês desde as primeiras declarações, continua tudo na mesma.

Vitor Pereira ainda não se demitiu.

O sorteio ainda não foi aprovado e provavelmente nunca o será.

E, tanto quanto se sabe, nenhuma investigação judicial teve ainda início para apurar da veracidade das graves acusações do cidadão Marco Ferreira.

Ele promete nesta despedida acabar com as pessoas que "destruíram" as "conquistas da arbitragem". Logo veremos se terá mesmo coragem para o fazer ou não passará de uma ameaça vã de um árbitro no seu último suspiro.


Se hoje morreu o árbitro Marco Ferreira, que das suas cinzas renasça um homem de convicções inabaláveis, disposto a ir até ao fim para limpar o seu nome.

Em todo o caso, vou estar atento aos sinais. E se puder ajudar de alguma maneira, estou à disposição caro Marco.


Do Porto com Amor



Relógio quebrado

Imagem "Super Porto"

Escreve hoje o assessor jurídico do Benfica (o tal que saiu à pressa da reunião de clubes onde se decidiu optar pelo sorteio dos árbitros, para se juntar a uma outra em Coimbra sobre o mesmo tema):

"Admiro o Casillas pela sua carreira. Mas a mãe encheu-me as medidas pela sua lucidez..."

É daquelas graçolas de ocasião em que o asinino se julga criativo e se delicia ao receber milhares de tweets e likes e beijinhos na nuca.

Se tivesse pensado uns breves segundos sobre o assunto, talvez tivesse tido a lucidez de estar quieto e calado.

Ao fazer "piada" sobre as senis declarações de uma idosa que, segundo a própria, há mais de dois anos não fala com o filho, o bom do Paulo não teve a noção de estar a fazer uma ainda maior sobre quem lhe paga o milionário salário.

Ora vejamos:

 - Se "o Porto é uma equipa de Segunda B" e o Iker merece "uma equipa com mais categoria"

 - E o Porto tem o maior palmarés internacional de Portugal

 - E desde que a ditadura acabou, Porto, Benfica e Sporting ganharam conforme o que se vê na imagem acima

 - Como deveremos então apelidar o Benfica? Equipa de terceira? Do CNS? E quanto à categoria, será a isto que se refere?

 - E o Sporting? (fico a aguardar por graçolas daqueles lados)


É como te disse, ò Relógio sem cuco: ficavas pela palha, que eu levava-te o copo de água.



domingo, 12 de julho de 2015

Iker Casillas


Hesitei em dizer já alguma coisa sobre o novo guardião do templo portista.

O plano era escrever sobre todos os novos reforços quando o mercado fechasse e após observa-los em alguns particulares.

No entanto, acabei por concluir que Iker Casillas justifica um post apenas dedicado a si, agora que está a chegar ao F.C. Porto.

Por ele e pelo que esta contratação pode significar, no imediato e no futuro próximo.

O incrível palmarés de Iker quase fala por si. 25 anos no Real Madrid, 16 desses na equipa principal do colosso madrileno e quase sempre titular indiscutível e depois capitão, até ter a infelicidade de se cruzar com Mourinho. E digo infelicidade porque todos conhecemos o modus operandi de Mourinho, na sua interminável cruzada psicológica pela conquista dos balneários, sacrificando tudo e todos os que entenda que lhe possam estorvar o processo. Não interessa agora aprofundar mais este tema, tendo como certeza que o próprio Iker se pôs a jeito ao não se submeter ao todo-poderoso e, já agora, com uma série de exibições longe de perfeitas. No entanto, neste fantástico percurso que tem sido a sua carreira, este foi apenas um pequeno episódio (e nem sequer o primeiro, diga-se em abono de Mourinho).

O que é (quase) certo, é que foi essa batalha perdida com Mourinho que o trouxe até nós. E isso é que verdadeiramente me interessa, o que vai ser Casillas daqui em diante. Por muito carregado que aqui chegue de louros e conquistas, para os portistas serão realmente relevantes aqueles que conseguir acrescentar ao seu palmarés enquanto vestir de dragão ao peito.

Sou um fã moderado de Helton (um dos tais que me fez mudar positivamente de opinião ao longo do seu percurso), mas Iker está num patamar superior. Diria mesmo sem pestanejar que desde Baía não houve mais nenhum deste nível.

Também devo dizer que nunca fui um enorme fã de Casillas, dentro do contexto dos monstros sagrados das balizas. Por outras palavras, nunca foi dos meus preferidos entre os que se encontram nesse exclusivo patamar superior que é o Olimpo dos guardiões. Nunca foi brilhante em termos técnicos, com as normais dificuldades nas bolas aéreas a que só escapam com regularidade os excepcionalmente dotados. O que mais gosto nele é a sua atitude, a sua crença, a emotividade que acrescenta ao jogo. As ganas portanto. Que em campo muitas vezes se traduziram naquelas defesas impossíveis, no "defende, levanta e volta a defender", no grito de revolta que desperta os companheiros que já se davam por vencidos.

Dentro de campo, é isto que espero dele. Tudo isto, o bom e o menos bom, e que somados dêem um saldo largamente positivo.

Imagem Bruno Sousa

Mas a vinda de Casillas acrescenta mais do que um experiente guarda-redes de classe mundial.

Logo à partida, um orgulho ligeiramente provinciano (de que partilho) de conseguir trazê-lo para o Porto. Não estamos a falar de um GR proscrito que andou exilado pelo Canadá até cá chegar (mas que ainda assim foi uma belíssima contratação). Estamos a falar do capitão do Real Madrid que se transfere para o Porto. Ponto. Carago. Ponto de exclamação.

Com a sua vinda, chegam também milhares de novos adeptos. De Casillas, evidentemente. Mas que enquanto jogar no Dragão, serão por extensão adeptos do Porto. E ainda mais, muitos mais adeptos de todas as partes do mundo, que apenas por se interessarem por futebol e pelas suas estrelas mais cintilantes, terão incontrolável curiosidade em conhecer ainda melhor o F.C.Porto. Quem sabe se entretanto não desenvolvem um ligeiro afecto pelo clube, que os leve a segui-lo com maior proximidade.

Isto pode parecer pouco em termos reais, mas na verdade eu acredito que pode ser monetizado pelo clube. Desde logo pela venda de camisolas, calções, t-shirts, cachecóis e qualquer outro artigo de merchandising. Nem que seja apenas pela curiosidade. E logo de seguida, mais visitas ao museu, sobretudo de espanhóis (mas não só).

Menos directo mas talvez mais importante, este acréscimo de "novos cristãos" um pouco por todo o lado pode ajudar a conseguir melhores contratos de patrocínio, desde o naming do estádio às camisolas. E até ajudar ajudando a própria liga portuguesa a vender os seus conteúdos em novos mercados (se tiverem a competência para desenvolver um produto apetecível, claro está).

E por último, mas também muito relevante, conseguir atrair outros grandes jogadores para o Porto. Não haja dúvida de que a vinda de Iker será como um gigantesco íman de bons jogadores, que de outro maneira desdenhariam aceitar jogar num liga com tão pouca projeção. Isto não é novo, tem acontecido noutras ligas de segunda, com a turca em destaque. Obviamente que na Turquia há muito mais dinheiro, mas por outro lado, em Portugal há mais ocidentalidade, se é que me faço entender.

Portanto, a vinda de Iker Casillas é muito mais do que a vinda de um jogador. É a vinda de uma lenda viva do futebol mundial e com ela novas oportunidades, sejam de negócio, sejam de recrutamento de matéria-prima.

Por tudo isto e pela Sara, que seas muy bienvenido Iker!




sexta-feira, 10 de julho de 2015

Q U A R E S M A



Escrevo quando ainda não é conhecido o desfecho final do "caso Quaresma", mas dada a sua previsibilidade, assumo o risco de o fazer enquanto o juri ainda está a decidir.

Aliás, nem sequer é risco nenhum, porque o eu tenho a dizer já nem sequer depende do desfecho. Nem uma miraculosa reintegração daqui a 1 semana, 1 mês ou meio ano faria diferença.




Primeiro, sobre Quaresma.

É um ilusionista. Faz o público e sobretudo os adversários pensarem que vai para ali e a bola para acolá e depois é tudo ao contrário.
É um desafiador das leis da física. Atreve-se a fazer viajar a bola "boldly as no man has ever" had. Houve o bend it like Beckham e há o Trivela it like Quaresma. Mágico. Fabuloso. Um jogador autêntico, puro, imprevisível, indomável, G E N I A L.

E além disto é raçudo, não vira a cara à luta e não leva "desaforo" para casa. E não gosta dos lampiões. É dos nossos, carago. Se ainda há mística, ele é dos poucos que a carrega. À sua maneira.


Mas também consegue ser um sacana de um gajo. Mal comportado, às vezes mal educado, egoísta e insolente.

Nunca privei com ele em grupo (nem a dois), pelo que não posso avaliar com precisão suiça o impacto que ele terá no espírito de grupo quando se comporta mal. Mas pela amostra dos Quaresmas desta vida que eu conheço, diria que nesses momentos deve dar cabo da paciência aos mais "certinhos", chegando a fazê-los sentirem-se injustiçados pela diferença de tratamento, mas igualmente fazer desesperar até os que mais gostam dele (sim, porque certamente há vários companheiros que gostam verdadeiramente dele). E então a dirigentes, staff e especialmente treinador, deve dar uma daquelas enxaquecas de caixão à cova.

Mas Quaresma não é sempre assim. Nem sequer muitas vezes assim. São episódios, incidentes que acontecem de longe a longe (com menor intervalo se a tendência for contraria-lo apenas porque sim, evidentemente). E não é novidade nenhuma, ele sempre foi assim.

Saber geri-lo, como aos restantes jogadores, é missão de quem o contrata e sobretudo de quem o treina.

No caso vertente, Lopetegui não gosta de Quaresma. Ponto.

Os porquês não são difíceis de descortinar, tem obviamente a ver com o seu temperamento e mais concretamente, com a sua imprevisibilidade comportamental.

Lopetegui, dizem, é um disciplinador (para mim é simplesmente um homem pouco carismático que se protege e esconde atrás do autoritarismo, mas isso fica para um post posterior). E portanto não concebe ter nas suas fileiras alguém que o desafie, porque não sabe como lidar com estas situações. Mesmo que isso implique sacrificar um dos maiores talentos da equipa, mesmo que isso signifique abdicar do jogador que num determinado momento lhe oferece maiores condições de desbloquear um jogo apenas e só com o seu talento, como tantas vezes sucedeu na época passada.

Lopetegui foi injusto com Quaresma, tratou-o mal. Sabendo-se do que Quaresma é feito, alguém poderia esperar que ele ficasse feliz e fizesse de conta que nada se passou?

O que fez Antero e seus pares quando isto aconteceu? Explicaram ao treinador a delicadeza da situação? Ou simplesmente desistiram dele (Quaresma), deixando-o arder em lume brando? Não estou com isto a dizer que deveria ser tratado como uma criança birrenta, mas caramba, não há gente no clube com suficiente inteligência emocional para o ajudar a equilibrar-se e o direccionar no caminho certo? Não são os grupos um conjunto trabalhado de egos e personalidades, alinhados em prol de um superior objectivo comum?

Querem jogadores à Porto ou preferem jogadores que passam pelo Porto?

O que fez Quaresma de tão grave para ser proscrito desta maneira? O abraço a Jesus? A entrevista no Expresso? Impossível ser apenas isto. Terá certamente feito muito pior e a obrigação da "estrutura" é explicar aos sócios e adeptos o que aconteceu para se permitirem deitar ao lixo um dos símbolos do clube sem mais nem menos.

Por que será que durante toda a época passada Quaresma foi sempre o jogador mais aplaudido e acarinhado pelos portistas?

Independentemente de todo o sucesso desportivo que certamente teremos nesta próxima época, este é para mim outro lamentável episódio que nos empurra para mais longe da nossa essência. E um erro grosseiro.

Mística? Procurem em Istambul ou Moscovo, parece que vai a caminho...


Ontem nos Clérigos


Legenda: a única coisa boa do evento de ontem

Não sei como foi ao vivo, mas para quem como eu assistiu pelo Porto Canal, o evento de ontem foi uma tremenda seca, chegando até a roçar o ridículo.

Um desfile pré-apresentação totalmente desenquadrado (eu sei que é de um patrocinador, mas não, nem assim).

Uma coreografia absurda (só compreensível se o novo sponsor for uma empresa de logística).

Os equipamentos (ok, era disto que se tratava).

Nada de novo. Nada de interessante.

Se ontem conseguiram juntar tanta gente foi pela expectativa de novidades. Não as tendo havido, não sobrou nada de jeito.

Um evento mais simples e até de menor duração, mas com mais sumo, mais proximidade com os adeptos era o que se exigia. Ter o treinador e alguns jogadores a dirigir algumas palavras aos adeptos, a comunicar Portismo com quem lá esteve. No mínimo.

Ou se faz bem, ou mais vale não fazer. Não se admirem se no próximo ano aparecer menos gente.

#hajapacienciacaralho


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Ser Portista ou ser adepto do Porto


Na sequência do "desafio" lançado pelo Imbicto neste seu post, decidi aceitar o repto e reflectir sobre o que significa hoje ser Portista, como chegamos até aqui e se será a mesma coisa que ser adepto do Porto.

Antes de escrever, tive que juntar as várias peças para me certificar que não ia deixar esquecido nada que fosse essencial.

Começando pelo princípio, há muitas formas de ser Portista.

Desde logo, em função da origem geográfica.

Ser Portista e portuense é seguramente diferente de ser Portista de um outro sítio qualquer. Não é melhor, nem pior, apenas diferente. Ser da cidade e do clube, ainda por cima quando se trata da cidade do Porto, é um confluir de sentimentos, é hiperbolizar o amor por duas entidades distintas numa só, é...

é condensar o mundo num só grito,

E é ama-los, assim, perdidamente...
É
serem alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente! 


Mesmo sem experiência na primeira pessoa no assunto, atrevo-me a dizer que ser Portista de Lisboa, de Coimbra, de Aveiro, de Faro, de Guimarães, de Ponta Delgada ou de outra qualquer origem nacional, sem nunca ter vivido tempo suficiente no Porto, é algo diferente.

Repito: não é mais, não é menos, apenas diferente. Porque todo o amor se concentra unicamente no clube, não há forma de entender a ligação umbilical à cidade e à região (sim, acredito que não será fundamental ser literalmente portuense para caber na categoria acima; ser de Gaia, Maia, Ermesinde, Trofa, Santo Tirso ou de outras tantas dentro do campo gravitacional da Invicta será quase, se não a mesma coisa).

Depois há ainda os muitos milhares de Portistas que vivem espalhados pelo mundo, uns tendo partido da Lusitânia à procura de um futuro, outros já segundas ou terceira gerações nascidas nos destinos, que ainda assim herdaram o amor pelo Porto. Ambos terão necessariamente um sentir Porto diferente de quem nunca saiu de Portugal: pela distância, pela saudade, pela relativização do tempo... os primeiros ainda e sempre umbilicalmente ligados às origens, os segundos à descoberta delas montados no Dragão.


Semânticas à parte, ser adepto do Porto será uma coisa diferente. Ser adepto é o nível seguinte (ainda que a palavra adepto ande nos últimos tempos conotada com ligeireza e desprendimento, de tanto e tão mal usada pelos media; actualmente a melhor palavra para esta definição é ser doente pelo Porto).

É mais do que amar o clube, é verdadeiramente sentir-se mal, ter dificuldade em dormir, em trabalhar, em conviver quando o Porto não está bem. Nesses momentos, só apetece estar com os nossos: os outros doentes. Falar ou não dizer nada, conforme os casos, mas estar. Partilhar a dor e sentir empatia e compreensão. Band of Brothers.

É fazer tudo para ir aos jogos, seja a todos ou apenas a um: o que importa é sentir que se faz todo o esforço para lá ir. E chegar e sorrir. Encher os pulmões com aquela atmosfera e renovar a energia em todos os chacras. É levantar-se como uma mola e estender o cachecol aos primeiros acordes do hino. Depois apoiar, ruidosamente ou em silêncio, aplaudir ou sentenciar. Ir embora, triste ou alegre, com a promessa de voltar. Com a maior brevidade possível.

Nota: poderia perfeitamente trocar as definições que não faria diferença; a única diferença que releva é o facto de serem diferentes.


Por último há os simpatizantes (bem mais do que muitos de nós imaginarão). São o nível mínimo de ser do Porto. É mais um gosto, uma preferência, uma opção (que os Portistas nunca tiveram). Poucas, raras ou nenhuma vez assistem aos jogos, possivelmente nem gostam de futebol. Simplesmente sentem-se melhor se as notícias são boas. Quando alguém pergunta pelo clube, são do Porto. Quando veem um familiar ou amigo sorridente no final de um dia de jogo, ficam igualmente felizes (pelo ente amado e pelo clube, por esta ordem). Ao saberem da vitória, ficam descansados. É uma parte da sua essência que se preenche e pouco mais. Quando as coisas não correm bem, sofrem no momento, sobretudo pelos seus. E contam para a estatística.


Historicamente, terá sido sempre assim?

Seguramente que não.

Desde logo, porque o fenómeno global do futebol se tem transformado ao longo do tempo, enquadrado nas sociedades em que se insere.

Se nos primórdios da fundação do clube (e do desporto em si) se trataria simplesmente de explorar novas fronteiras e practicar sport, com o passar do tempo, com o crescimento da visibilidade e impacto social, o clube começou gradualmente a representar um grupo cada vez maior de pessoas, de afectos, de hábitos, da cultura; primeiro de um bairro, depois de uma cidade e a seguir de uma região.

Tendo em conta que a tendência macrocéfala da capital é secular, não será difícil entender que progressivamente os clubes desportivos em geral  e o F.C.Porto em particular se tenham tornado na resistência, no escape, na baioneta que liderava a espingarda do descontentamento e do inconformismo.  Não surpreende pois que desde cedo se tenha definido o desporto como "The Moral Equivalent of War". Cada vitória nossa traduzia-se numa batalha ganha. A nossa história no século XX sempre foi esta até ao fim da ditadura e à chegada de Pinto da Costa.

Foi este homem "e as suas circunstâncias" que nos fizeram percorrer o inimaginável e esplendoroso percurso que nos trouxe até aqui, onde estamos hoje. Sendo sobejamente conhecido de todos, não vou repeti-lo. Apenas concluir que passamos de uma ténue e cómoda oposição para a força dominante e a referência para todos os demais.

Passamos de amantes do sport a apoiantes vibrantes mas contidos e domesticados nos tempos da ditadura. Com PdC, passamos a adeptos confiantes e orgulhosos, a doentes, a ultras e ao que mais lhe quiserem chamar. Hoje o núcleo duro do portismo vive-o mais ou menos intensamente, conforme a categoria em que se insere. Mas todos apenas admitem ganhar. Sempre. Jogar sempre para ganhar. E ganhar. Sempre.

Isto foi o resultado da vida e obra de Pinto da Costa, a quem todos os Portistas e doentes pelo Porto deverão estar eternamente gratos.

Significa isto concordar sem analisar, fazer sem reflectir, obedecer sem questionar? De maneira alguma.

Significa isto que esse monstruoso passado ao serviço do Porto o legitima como indiscutível líder até ao final da sua existência? De maneira alguma.


Mas pode (não deve, apenas pode) significar dar carta branca a quem mais se confia e abster-se de opinar sobre a sua gestão. Claro que pode. Quem o fizer deve (aqui sim) é ter consciência dos riscos que está a assumir: perder legitimidade para criticar e ser cúmplice de tudo o que de mal possa suceder. Sei que isto é muito controverso, mas eu penso assim.

Se formos justos, a imensa maioria dos portistas, teremos de reconhecer que em algum momento já adoptamos esta postura. Pontual, intervalada ou continuamente, isso dependerá de cada um. E que para muitos a única coisa que ainda hoje interessa é continuar a ganhar (não importa como nem com que consequências futuras).

Seria normal em qualquer local do mundo onde alguém tivesse tanto sucesso como líder durante tanto tempo. Ainda mais em Portugal, onde o comodismo, a alienação da vida cívica e associativa e a preferência pelo Estado-providência são intrínsecas ao nosso ADN cultural (estou a falar de gente séria, o que obviamente exclui o associativismo partidário sanguessugo-carreirista).

No momento actual, em que atravessamos um dos piores períodos da era PdC, muitos dos acima resolvem como que acordar e reclamar de uma vez só por todos os anos em que estiveram em coma associativo. Pois é. Enquanto tudo estava "bem" (ganhavamos), fechava-se os olhos a tudo, agora quer-se ver mais do que a vista alcança. Não me parece correcto, pela questão da legitimidade. Mas é legítimo, pela questão da democracia.


Onde quero eu chegar com esta longa prosa?

Que está na hora de cada um assumir a sua responsabilidade de Portista. 

Que está na hora de deixar de fechar os olhos e abanar fanaticamente com a cabeça. 

Que cada um tem a obrigação de dar o seu contributo ao clube, se realmente o ama e o vive a cada golfada de ar que inspira. 

Inteirar-se sobre o que se passa na gestão, marcar presença nas AGs, ouvir, pensar e contribuir.

Discutir informada e abertamente nos locais próprios, sem receio de ostracização. E não ostracizar quem discorda.

E depois apoiar incondicionalmente, se nisso acreditar. 

Dizer que não, se for não. Dizer que sim, se for sim.

E se houver quem se atreva a sufocar o grito audaz da nossa ardente voz, quem deseje substituir a democracia que os estatutos, a história e a alma consagram, denunciá-lo alto e em bom som. 

Porque o Porto é dos Portistas, doentes ou não. De todos os Portistas.
 

Só assim estaremos a demonstrar o nosso Amor pelo F.C.Porto. Tudo o resto é desistir do clube.

Ou então fazer o downgrade para simpatizante, que é mais fácil, mais barato e não dá consumições.


Do Porto com Amor