Do Porto com Amor

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Circus Maximus


Está feito, missão cumprida! Estamos de volta ao nosso habitat natural. Pela 21ª vez


Assim se constrói um grupo


Hoje seria muito mais interessante para mim falar apenas do enorme feito conseguido na città eterna e da extrema importância que assume para o nosso futuro próximo. Já o tinha dito, com todas as letras: este era o jogo mais importante da temporada. Além do que faria transportar para o jogo do próximo domingo (como metáfora de todas as competições internas), era o equilíbrio financeiro que estava em causa - ou, para ser mais preciso, a sobrevivência financeira num ambiente de elevada alavancagem como é a nossa.

Conseguimos eliminar o pior (leia-se "melhor, mais forte") adversário de entre os possíveis. Calhou-nos a AS Roma no azareio, o que desde logo nos transformou nos cães de baixo (sim, é piada, intencional, obrigado e voltem sempre). Após uma primeira mão, que terminou com um resultado complicado (ver deliciosa imagem abaixo), ainda mais distante ficou o hino da Champions.

Felizmente, hoje (ontem) voltámos a ter a estrelinha dos champions. Por completo, diga-se. Aliás, não me lembro de termos tido tanta felicidade junta numa eliminatória europeia. Felizmente não a desperdiçamos (apesar das tentativas...).


Olha o melão fresquiiiiiiinho!


E agora o jogo.

Primeira parte aceitável, apesar do desnorte que se seguiu à primeira expulsão. Começamos a pressionar bem à frente, o que durante 20 minutos confundiu e atrapalhou o adversário. Depois, já em vantagem no marcador, aceitámos a superioridade do adversário e procurámos surpreendê-los em contras rápidos e nas bolas paradas. Correu bem, marcámos cedo e ficámos "como queríamos" no jogo. Bem estudada a lição para o onze contra onze.

Não contavam era ter que jogar contra nove. Evidentemente que é um grande bónus, mas quanta gente não se perde após ganhar o Euromilhões por não saber lidar com tanta sorte junta? Nós não "nos perdemos", mas quase sofríamos a humilhação de ver a bola no fundo da nossa baliza quando o adversário só contava com nove jogadores. Cheguei a ter vontade de desligar a televisão, tamanha que foi a irritação que me provocaram naquela fase. Foi preciso Layún fazer o segundo para todos acalmarem e assumirem de vez que estava tudo (apenas) nas nossas mãos. Os de Roma já tinham cortado as suas.

A partir daí, geriu-se bem o que faltava do jogo, com um grande golo pelo meio e mais umas quantas oportunidades. Chegou, mais do que chegou, ainda que fruto de erros alheios. Mas saber aproveitá-los é uma grande virtude.


A eliminatória virada ao contrário



Notas DPcA: 

Dia de jogo: 23/Ago/2016, 19h45, Estádio Olímpico de Roma. AS Roma - FC Porto (0-3).


Casillas (6): Três ou quatro defesas de champions, dignas de um jogador com o seu currículo, em profundo contraste com os infantis disparates que foram algumas reposições de bola e passes à queima para companheiros. Não o admito de um jogador tão experiente e reforço o meu voto para que José Sá seja levado a sério como candidato à titularidade.

< 47' Maxi (6): Esteve bem (concentrado e empenhado) até ser ceifado por De Rossi. Ressentiu-se logo a seguir e saiu de maca. Recupera depressa Maximiliano.

Telles (7): Exibição muito consistente durante toda a partida, sempre mais focado em fechar o flanco mas sem com isso deixar de fazer investidas na frente de ataque. Tem sido sempre a melhorar e ainda bem.

Marcano (7): Tal como Felipe, sentiu naturais dificuldades frente à categoria dos avançados romanos, mas não se atemorizou e principalmente não meteu água. Bom jogo...

Felipe (8): Ainda outra exibição com oscilações, mas desta vez com os pontos positivos a superarem largamente os negativos. Pelo golo fundamental, pois claro, mas também pelo acerto defensivo que revelou mais adiante (depois das tais oscilações). Está a melhorar, aos poucos, e vai dar bom central. Podem confiar.

Danilo (7): Voltou o meu Godzuki, impositivo e dominador do seu espaço. Também enfrentou dificuldades várias, a principal das quais um jovem belga com um talento excepcional. Mas, conseguiu sair ileso e isso só tem que ser valorizado (em milhões de euros).

Herrera (7): Avanço já para a boa assistência para o golo que matou a eliminatória (o segundo), momento mais alto da sua exibição. Antes e depois, lutou muito, acertou menos, mas globalmente bem.

André André (7): Outra boa exibição, como já não fazia (durante tantos minutos) há muitos meses. É bom tê-lo de volta a este patamar, para que possa retomar onde parou e continuar a crescer como jogador.

Melhor em Campo Corona (8): Continua em grande o Tecatito e de novo provou que foi um erro ter prescindido dele no onze inicial na primeira mão. Exibição muito completa, que ganhou fulgor quando aumentou o espaço nas costas da defesa da Roma e que teve como corolário um belíssimo golo. Continua rapaz, já em Alvalade de preferência.

< 57' Otávio (7): Voltou à faixa esquerda e com isso voltou a desequilibrar. Foi dele o passe para o golo de Felipe, mas fez muito mais, em especial na primeira parte, em quem manteve a defesa romana sempre em sentido. Saiu cedo mas percebe-se porquê. Contribui bem para o desfecho final.

< 66' André Silva (7): Não marcou mas fez um bom jogo, desgastando ao máximo a defesa contrária e procurando dar tempo e espaço para os companheiros se adiantarem no terreno. No lado menos positivo, registo o ter voltado a agarrar-se em demasia à bola em vários momentos. É de ser tenro, certamente. 

> 47' Layún (8): Entrou mais cedo do que estaria à espera, mas em boa hora o fez. Encaixou-se bem e apesar de a sua entrada quase ter coincidido com o pior momento da equipa, foi ele a pôr-lhe um ponto final com um belo golo de difícil execução. Hoje não assistiu (shame on you)... marcou!

> 57' Sérgio Oliveira (5): Os primeiros momentos em jogo marcaram tudo o resto. Más opções, cartão amarelo e um suspiro. Aos poucos foi melhorando, preferindo a discrição ao "exibicionismo" como forma de se resguardar. Tem que entrar mais concentrado, para não perder o comboio...

> 66' Adrian (5): Trocou com AS e assumiu a frente de ataque sozinho, ainda que sempre secundado por Corona e pelos médios que se adiantavam à vez. Não fez nada de especialmente relevante no jogo, mas contribui com a sua quota-parte.





Nuno Espírito Santo (8): Garantiu a passagem à fase de grupos, é isto que realmente conta e que marcará a sua carreira no clube. Mas como a análise se restringe apenas aos 90 minutos de Roma, há que acrescentar algo mais. Fez alinhar de início o que para mim era o melhor onze possível e (coincidência ou não) a resposta inicial foi boa. Tivemos a sorte e o engenho de marcar cedo (e primeiro), o que nos deixou a respirar muito melhor. Depois veio a primeira expulsão e um desnorte difícil de entender até ao intervalo. Mas pior, muito pior, foi a autêntica desgraça de exibição a que se assistiu entre a segunda expulsão romana e o nosso segundo golo. Quase 25 minutos de puro horror, tal a impotência da equipa para controlar um adversário tão inferiorizado e para matar o jogo de vez. Total incapacidade para tirar partido da dupla superioridade numérica e risco eminente de sofrer golo em vários lances. Muito difícil de compreender, mesmo descontando a normal ansiedade que o jogo transportava para os jogadores. As mudanças não convenceram, mas acabaram por dar os frutos desejados. Portanto, esqueçamos esse período horribilis do jogo e foquemo-nos no essencial: parabéns Nuno pelo apuramento. 



Outros intervenientes:


Não há equipa ou treinador que resista a erros individuais desta magnitude. Depois de Vermaelen do Dragão, agora foram De Rossi e Emerson a enterrar os romanos para as profundezas da Liga Europa. Continuo a não ter dúvidas de que têm melhor plantel e uma equipa muito mais trabalhada. E um grande, grande craque: Nainggolan. Que enorme jogador, merecia mesmo jogar de azul e branco...

"O azul, que bem que te fica(va)"


Hoje abro uma justíssima excepção e incluo o árbitro na análise qualitativa junto com os jogadores. Este senhor Szymon Marciniak merece ser destacado como co-Melhor em Campo, tal a qualidade extrema da sua exibição arbitral. No meu conceito do que deve ser o futebol, esteve simplesmente perfeito. Corajoso, imparcial e a não marcar as faltinhas que tanto prejudicam o futebol (com o português à cabeça). Muitíssimo boa prestação, merece ser seguido com atenção e ter mais oportunidades ao mais alto nível.


Muito bom estarmos de novo na Champions. Amanhã reabrir-se-ão por certo as (até agora) perras torneiras que matam a sede aos ávidos vendedores e empresários (e...) de craques. Espero que com melhor critério do que nos últimos anos. Apenas bons jogadores e que nos façam falta. Óliver, central, avançado. Tudo o mais, antes de isto assegurado, será sempre supérfluo.


Nota final para o símio Rui Gomes da Silva: agradecido pela motivação extra, estou certo que foi importante para o resultado final.



Do Porto com Amore



domingo, 21 de agosto de 2016

Sentido Único


Foi complicada a estreia do Porto em casa neste campeonato 2016/17. Não pela qualidade do adversário, mas pelo seu desinteresse em jogar. E por insuficiências próprias, naturalmente.


O Duo Dinâmico

Desde o início que o Estoril mostrou ao que vinha. Sem avançado, limitou-se a jogar acantonado na sua metade e pôs a placa "arrenda-se" na outra. Acabou por chegar Iker uma ou outra vez, mas nem isso o absolve. O futebol não precisa e não quer este tipo de mentalidade.

Mas o Porto tem que saber lidar com esta situação, até porque certamente se repetirá a cada passo no Dragão. Nesta altura, tem dificuldade em fazê-lo.

pouca intensidade e reduzida velocidade de processos. Tudo feito a passo, previsível. Por regra, quem recebe a bola já está parado, não beneficiando do movimento para ganhar vantagem sobre adversários. E em minha opinião o maior problema é mesmo esse: "jogadores-estátuas" ou de matrecos.

Sem bola, também falta trabalho. A pressão é quase sempre individual, basta ao adversário escapar ao homem que o pressiona que se acaba esse momento de sufoco. E outro jogador terá de começar outra vez, do zero, noutra zona do terreno. Ainda não se pressiona como um bloco único, como uma equipa.

Ainda assim, logo ao minuto 3 poderíamos ter inaugurado o marcador (tivesse o árbitro considerado penálti o ligeiro empurrão nas costas de Varela) e com toda a certeza o jogo seria outro. Ou então ao minuto 7, com duas oportunidades de fazer balançar as redes (remate à trave e Marcano de cabeça). Como nós não conseguíamos, houve um voluntário estorilista a tentar ajudar, mas também dessa vez foi a trave que levou a melhor. O jogo avançou, assim, sem grande sobressalto, para o intervalo.

Com a entrada de Adrian no recomeço, houve nítida mudança de sistema. O espanhol procurou juntar-se a AS na frente, com Corona na direita, Herrera no meio e Otávio na esquerda e Rúben mais recuado, à frente da defesa.

No entanto, pouco mudou na dinâmica de jogo. Jogadores muito posicionais, entregues às marcações, não criam desequilíbrio na defesa adversária... Chegou-se a ver, ainda antes dos 60 minutos, uma linha de 5/6 jogadores na entrada da área canarinha, à espera de uma bola longa vinda da defesa...

A última meia hora passou-se quase toda nesta zona do campo. A dupla entrada de André André e Sérgio Oliveira (saíram Herrera e Otávio) resultou, porque refrescou o "esforço de guerra" e acrescentou também um pouco mais de mobilidade. No entanto, o mau posicionamento continuou evidente. Demasiadas vezes dois ou mais jogadores  "atrapalharam-se" por pisaram os mesmos terrenos em simultâneo. O tempo passava e o coração sobrepunha-se gradualmente à cabeça.

Finalmente, aos 85' encontrámos o X que marcava o tesouro. Layún (ei-lo de volta e decisivo) puxa para o pé direito e cruza para uma grande tolada do menino André. Grande golo e um alívio do tamanho do estádio. Pouco mais se passou até final, embora pudéssemos ter marcado outra vez.

As estatísticas não deixam margem para dúvidas sobre o sentido único do jogo. Mas atacar muito não significa atacar bem e muito menos ganhar o jogo. Ontem felizmente marcámos e ganhámos, mas temos que fazer melhor para evitar ficar demasiado expostos aos caprichos da bola, dos postes e traves e do alinhamento có(s)mico. E para esse objectivo, contribuiria muito o mínimo de eficácia nos cabeceamentos ofensivos: foram tantos e tão ineficazes... 


Sorriso em dia de folga


Notas DPcA: 

Dia de jogo: 20/Ago/2016, 20h30, Estádio do Dragão. FC Porto - Estoril (1-0).


Casillas (6): Noite tranquila, apenas com uma defesa digna do nome.

Maxi (6): Muito activo mas sem grande acerto ou consequência. Cumpriu com a sua quota parte.

Layún (7): Regressou devido ao castigo de Telles e em boa hora o fez. Jogo semelhante ao de Maxi, excepto... pelo passe que decidiu o jogo. É um puzzle difícil este Miguel... onde encaixá-lo? Como nos poderemos dar ao luxo de não ter em campo o homem que mais passes para golo faz?

Marcano (6): Jogo defensivamente tranquilo, que lhe permitiu maior aventura na frente. Ameaçou um par de vezes mas não chegou a acertar na baliza. Pode ser já em Roma, por exemplo.

Felipe (6): Sem a pressão de jogos anteriores, revelou maior tranquilidade e quase marcava por mais do que uma vez. Pode ser já em Roma, por exemplo.

Rúben (6): Começou com algum desacerto com a bola no pé mas foi melhorando e estabilizou. Melhor na segunda parte. Foi um bom jogo para secar as lágrimas e dar descanso a Danilo.

< 70' Herrera (5): Enquanto esteve em campo, tentou como sempre, atrapalhou como quase sempre. Ou então sou eu que embirro com ele. Em boa hora deu o lugar a outro.

< 70' Otávio (6): Ontem esteve menos participativo e sobretudo menos influente, facto a que não será alheia a mudança de posição e de tarefas. NES deve pensar que é só trocar os jogadores de sítio que automaticamente se adaptam às funções como se o tivessem feito a vida toda...

< 46' Varela (5): A surpresa no onze. Esteve em campo apenas na primeira parte e entende-se o motivo, nada acrescentou ao jogo. 

Corona (6): Outro que esteve menos exuberante a atacar e menos acertado a defender. Trabalhou, mas não se destacou. Foi (apenas) mais um soldado no campo de batalha.

Melhor em Campo André Silva (7): Teria sido um jogo pouco conseguido, várias vezes com os olhos no chão e a perder a bola, em vez de dar no companheiro em melhor posição; tal como na recepção da bola em zona de finalização, muito desastrada. No entanto, fez o golo (grande golo) da vitória, além de todo o suor que deixou no relvado. Chega para ser o melhor... 

> 46' Adrian (6): Entrou logo no recomeço e integrou-se no ataque à baliza, mas sem trabalho merecedor de destaque face aos demais. Ajudou.

> 70' André André (6): Entrou nos últimos 20 minutos para devolver frescura e pulmão ao ataque cerrado a baliza estorilista. Conseguiu acrescentar valor ao colectivo, mesmo se individualmente também não se tenha destacado.

> 70' Sérgio Oliveira (6): Um regresso que muito me agrada (mesmo sem certeza que seja para ficar), a contribuir para a melhoria do processo ofensivo com um pouco mais de clarividência no passe e muita garra. Bom para a (re)estreia.


Nuno Espírito Santo (6): Quando um adversário vem determinado a não jogar, o risco para o treinador sobe exponencialmente. Se a isso juntar as suas próprias "experiências", o caldo pode mesmo entornar-se. Conseguiu o mais importante, mas levou para casa um aviso sério. Desta vez o golo apareceu, mas chegou a pairar o fantasma de empates passados. Não sou capaz de acusar os jogadores de já estarem pela cabeça em Roma, porque os vi dar tudo. Já sobre o treinador não tenho a mesma convicção. Parece-me que arriscou não vencer ao pensar cedo demais no jogo seguinte - começando logo pelo onze inicial, com demasiadas mexidas para uma equipa que aí da se está a construir. Ganhemos, siga para bingo.

No intervalo, tudo correu sobre rodas
  

Outros intervenientes:


Uma pequena decepção este Estoril. Sem um pingo de ambição, mereciam ter saído vergados a pesada derrota. Quase que o crime compensava. No meio da muralha amarela, destacou-se não um pinheiro mas uma sequóia, Anderson Esiti de seu nome. Muito interessante, não apenas a destruir mas a tentar sair com a bola. Já tinha reparado nele na época passada, mas ontem superou o que já tinha visto. Um possível substituo para Danilo?

Quanto a Luís Ferreira, esteve globalmente bem. Faltou um cartão amarelo a Mattheus (boa exibição também) por agarrão a Maxi. No lance do penálti sobre Varela, aceito que tenha interpretado como insuficiente para causar a queda, mas na televisão vê-se que há de facto intenção consumada de impedir o avançado de jogar a bola. E, como sempre, o importante é que o critério seja uniforme. Neste e noutros jogos, com este e com outros árbitros. E bem sabemos que nunca é. Felizmente ganhámos...


Segue-se o jogo do ano para nós. Que ninguém duvide disso. Que estejamos à altura da grandeza dos nossos pergaminhos e da carência dos nossos cofres. Vamos carago!


Do Porto com Amor



sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Rafeirices


Esperei sentado, resistindo estoicamente à tentação, pelo momento da confirmação oficial. No entanto, ela tarda em chegar (e eu tenho mais que fazer). Vou por isso fazer de conta que Rafa já é jogador do Benfica. Em boa verdade, nem se trata de uma contratação entre dois clubes, mas antes uma transferência interna do clube satélite para a casa meretriz. Sobe do Benfica C ao A.


Encaremos o assunto como adultos, ok??

Enquanto esperava, sentado, fui lendo o que entretanto se escreveu pela bluegosfera afora. Por regra, continuam os meus companheiros escribas a enterrar a cabeça na areia, ou a assobiar para o lado e a fazer de conta que nada de relevante se passou. E escrevo isto sem qualquer má intenção e nem sequer como crítica. Tenho a certeza de que o fazem com a melhor das suas intenções portistas, ou sobretudo, dos seus corações portistas. Mas para mim não dá.

Antes de saber o que descreverei mais abaixo sobre o processo da não-vinda para de Rafa para o Porto, pensei em titular este texto de "Erro Histórico". E porquê?

Porque acreditava que deixar ir Rafa para o Benfica acabaria por se revelar uma das decisões desportivas mais erradas desta direção, ao nível do falhanço colossal que foi permitir o mesmo percurso a João Vieira Pinto (que, por fatalidade, faz hoje 42 anos). Muitos não demorarão a questionar o que ganhou ele (JVP) e o Benfica, quando comparado com o que ganhámos nós. É factual, mas não é disso que se trata. Trata-se sim de não conseguir agarrar um grande jogador (JVP, de novo) que permitiria às nossas equipas da época serem ainda melhores e sonhar ainda mais alto. Aliás, com JVP o erro foi duplo, pois quando saiu do Benfica voltámos a não o conseguir trazer para cá. Resultado? Sporting campeão.

Rafa não é JVP. Está ainda longe. Mas, em minha opinião, tem potencial para se aproximar e seria um reforço importante no Dragão.

(Ante)Ver esse potencial a concretizar-se no Benfica e amplificado artificialmente pelos lacaios de sempre, quando poderia e deveria já cá estar há seis meses, é uma visão nada bonita. Um déjà vu grotesco, para ser sincero.

Se, como tantas vezes se disse, desde Janeiro (pelo menos) que o Porto tinha o firme propósito de contratar Rafa, como se explica que ele tenha acabado no lado mais feio e sujo da segunda circular? Através de um conjunto de factores:

1) Esta direção do Porto está cansada, gasta, ultrapassada e é incapaz de rivalizar com o actual élan encarnado (pouco importa aqui que tenha surgido à custa de batota, criminalidade e outras coisas muito dignificantes que eles não se cansam de festejar). São abundantes as provas, esta é a mais recente e uma das mais incriminatórias. O desequilíbrio do plantel que disputa o playoff da Champions é outra.

2) Fruto do ponto anterior, temos relações cordiais e até especiais com criaturas que nada de positivo trazem ao clube. A começar por Jorge Mendes, que começa a ficar bem claro que mais não fez do que nos impingir Nuno e dar à sola de volta para os seus negócios de 15. E a acabar nesse cretino ignorante de nome Salvador. Um burgesso engravatado, um pequeno vigarista e oportunista, que está no futebol como deduzo está no resto da vida, a "cheirar" quem lhe pode dar mais e a aproveitar-se disso. Tendo como evidente o domínio actual do futebol português do seu comparsa Vieira, é a ele a quem se submete. E a nós, vai-nos metendo o dedo, sempre que pode. 

3) Rafa. A ser verdade o que me foi transmitido (e não tenho motivos para duvidar), passa de imediato a rafeiro, sem retorno possível. E o que se terá então passado? Rafa terá estado na (ou com a) SAD portista ontem de manhã, ficando marcada para a tarde a assinatura de contrato. Só que o rafeiro não apareceu, quebrou o compromisso sem dar explicações e apanhou o avião para Lisboa. Note-se de que isto é o oposto do que foi noticiado pelo JN, segundo o qual foi o Porto que desistiu devido às exigências financeiras do Braga. Cada um que acredite no que lhe for mais agradável. Ou plausível.


Mais valia termos feito isto no Seixal. Ó Mister, eu sou dos vermelhos, certo?



E assim sendo, sou obrigado a dar a mão à palmatória e a reconhecer que o posso ter avaliado mal. À luz destes factos - a serem verdadeiros, repito - não me surpreende que a desinspiração do rafeiro na Supertaça não tenha origem divina. Aliás, não me custa nada agora imaginar que na véspera do jogo tenha recebido um SMS do género:

"Rafinha, segue proposta salarial para as prócimas sinco temporadas. Escolhes a que gostares mais.
a) Fases um bom jogo amanhã e o Braga ganha -> 500 mil/ano
b) Jogas mal (tipo, falhas golo escandalozo) mas o Braga ganha -> 1 milhão/ano
c) Jogas mêmo mal (falhas golos e não deixas os companheiros marcar) e o Glorioso ganha -> 2,5 milhões/ano
Pença bem, rapaz, hum, hum?"

No fundo, com maior ou menor caricatura, é assim que eles tantas vezes o fazem. Porquê mudar, se resulta e ninguém os pune?




Suposições à parte, se Rafa é um homem sem palavra, foi mesmo para o sítio certo. Pelo menos, é bom que não tenha vindo para o Porto. Não desportivamente (já descrevi acima o que lhe adivinho), mas pelos valores que defendo e gosto de ver no meu clube. (Sim, eu quero o meu clube a viver outra vez segundo um código restrito de valores partilhados por todos os Portistas. Nem que para isso seja necessário recomeçar do zero). 

Mas também se desmente uma ideia que tem sido ventilada, de que o Porto não teria actualmente recursos para contratar este jogador. Tinha pois, simplesmente foi apanhado na curva, a dormir. Ou se preferirem, confiou na boa fé de quem não a tinha. Outra questão é saber o que se iria hipotecar para ter agora Rafa. Aí talvez o Tribunal do Dragão tenha alguma razão, mas não terá sido por falta de "ar" que o jogador não veio. 

Não havendo rafeiro, onde estão as alternativas?

E mais razão terá certamente ao questionar um problema ainda maior. Ter desperdiçado tanto tempo e energia nesta operação sem ter acauteladas outras alternativas, bem como não ter definido prazos para concluir os negócios que se enquadrassem nas nossas necessidades. O tal amadorismo que por estes dias mais não faz do que se exibir sem pudor. É com o suposto interesse no empréstimo de Jota que vamos colmatar esta não-contratação? Continuamos a trabalhar para os outros colherem os frutos? Ou vamos apresentar o Ricardo Carvalho e esperar que ele resolva todas as carências do plantel com um passe de mágica?


Continuamos, meus caros portistas, a caminhar alegremente para o abismo. Ou já dentro dele, a usar óculos pintados com o azul de outrora. Quem cantarola comigo? "Ai estes são os filhos do Dragão...". Estava a brincar, detesto essa música. Quase tanto como essa treta do "Somos Porto". Isso não é nada. Não vale nada. Eu sou é do Porto, mas parece haver quem se tenha esquecido do que isso significa.


Quem pouco ou nada tem a ver com isto é a nossa equipa. Amanhã não vou ao Dragão (por uma das melhores razões possíveis), mas vou tentar seguir o jogo pela TV (ou revê-lo depois na íntegra). É provável que a análise ao jogo saia mais tarde do que é habitual.



Do Porto com Amor



quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Outclassed


O FC Porto com superioridade numérica em campo, empatado em casa, na primeira mão do confronto mais decisivo desta ainda jovem época (e quem sabe se das próximas também). Decorridos 20 minutos da segunda parte, o jogo não ata nem desata, o nosso também jovem treinador olha para o banco e quem lá tem?


Tanto Porto resumido numa só imagem


 - Corona (que devia estar em campo desde o minuto zero, mas já lá vou)
 - Varela
 - Rúben Neves
 - Evandro
 - JC Teixeira
 - Layún
 - José Sá

Nem um avançado. Nem Aboubakar, nem Gonçalo e muito menos o "pinheiro belga" que veio à pressa para jogar... o playoff.

Foi contra este impensável amadorismo que me insurgi há uns posts atrás, quando foi tornada pública a impossibilidade de Depoitre participar, a que se soma esta incompreensível gestão de activos que empurra Aboubakar para a equipa B e nem sequer dá uma hipótese ao igualmente jovem Gonçalo, sem ter alternativas válidas para a equipa principal.


O jogo desta noite até nos correu de feição. Muito mesmo. Duvido que tal se possa repetir na segunda mão se não formos nós a fazer muito mais por isso.

Aos 20 minutos de jogos poderíamos facilmente estar a perder por 2 ou 3. Entrada absolutamente frouxa, temerosa e desconfiada do Porto, contrastando com uma afirmação de carácter e de estatuto da AS Roma. Entre a ameaça madrugadora e o remate colocado (porque sem oposição) de Salah, a recarga salva por Telles depois da paragem cerebral de Casillas, qualquer uma poderia ter acabado nas nossas redes. Felizmente não foi assim, foi preciso Felipe mostrar aos romanos como se faz, perante o olhar atento da múmia espanhola.

Pouco mudou depois do golo (de nossa parte), quem reduziu o passo foi o adversário. O que lhe acabou por estragar um jogo até então perfeitamente controlado, perdendo Vermaelen com segundo amarelo, por falta clara sobre AS na entrada da área. A forma como esse livre foi marcado é mais um momento caricato, digno de malta que se encontra uma vez por mês para dar uns toques. Insuportável.

A segunda parte foi bem melhor, como seria expectável pela superioridade numérica. A Roma teve como lance mais perigoso o último lance do jogo, um livre também perigoso proporcionado pela generosa falta de classe de Marcano. Até aí, foram praticamente 45 minutos de sentido único, ainda que nem sempre com a intensidade necessária. Muitos cantos desaproveitados e uma grande oportunidade de AS, para lá do golo bem invalidado a Adrián e do penálti que nos deu o empate. Deveríamos ter conseguido a reviravolta, mas não conseguimos. E agora teremos que marcar em Roma e não perder.


Mininos e mininas, os...



Notas DPcA: 

Dia de jogo: 17/Ago/2016, 19h45, Estádio do Dragão. FC Porto - AS Roma (1-1).


Casillas (4): Num jogo decisivo, voltou a comprometer. Desta vez não resultou em golo, mas por pouco - largou uma bola "impossível" de bandeja para Dzeko. E depois, pormenores como a colocação imediata da bola em jogo quando estávamos a ser pressionados, não dando tempo nem calma aos companheiros, antes obrigando-os a correr de nova atrás da bola. É para isto que serve aquela experiência toda? José Sá deve ser considerado seriamente como candidato à baliza, a bem de todos (incluindo do próprio Iker).

Maxi (7): O bom velho Pereira regressou hoje. E reparem que disse o "bom velho", não o "bom novo". Porque Maxi hoje é "todo" raça e querer. A disponibilidade física e a velocidade de ponta moram no passado. Mas com esta entrega total, quase nem se nota. Fosse sempre assim.

Telles (7): Recuperou bem da expulsão e apresentou-se de cabeça limpa. Fraquejou menos do que a média no início e esteve acima dela quando passámos a comandar o jogo. Razoável a defender e bem a atacar. Está no bom caminho.

Marcano (6): O lance mesmo à beirinha do final define-o, mais do que a sua exibição certinha até então. Sem pressão, faz um alívio estapafúrdio que devolve a bola ao adversário numa zona perigosa e que obriga um companheiro a cometer uma falta ainda mais perigosa. Já o escrevi muitas vezes e faço-o uma vez mais: não tem qualidade para jogar no Porto. Quem o mantiver que assuma a responsabilidade.

Felipe (5): Nova exibição de extremos, sendo dos piores na fase má da equipa e melhorando muito no momento em que precisávamos de matar "na fonte" as tentativas de contra-ataque romanas perante um Porto balanceado para o ataque. O autogolo só se explica por falta de confiança ou por medo de errar. Tem qualidade mas também tem defeitos assinaláveis, falta saber que uns se vão acabar por impor a que outros. 

Danilo (6): Entrada muito desastrada na partida, não só por "estar perdido" (pouca culpa própria) mas porque com bola custou-lhe acertar um passe. Tal como Felipe, foi importante mais adiante quando se impunha arrancar pela raiz qualquer assomo do adversário. Globalmente abaixo do que se exigia.

Herrera (5): Foi hoje, cansei-me. A indecisão acumulada ao longo de meses deu finalmente lugar a uma opinião clara e definitiva: este senhor atrapalha sempre mais do que ajuda. Não importa quantas coisas boas faça, porque acaba sempre por superá-las com coisas más, irritantes, displicentes e negligentes. Nunca porei em causa a sua boa postura, mas chega. Nápoles, Pachuca ou Casa Pia, o importante é que vá, sem olhar para trás. Para que possa dizer enquanto lhe aceno ao vê-lo desaparecer no horizonte "sem ressentimentos, Héctor!".

< 66' André André (6): Como a maioria dos companheiros, esteve francamente mal na primeira parte. Também ele perdido do jogo e das marcações aos adversários, sem convicção nas bolas disputadas e sem saber o que fazer com ela no pé. Subiu muito no regresso do balneário, fazendo uso das suas melhores qualidades: raça, pulmão e crença. Saiu no pico da sua exibição, só Nuno saberá porquê...


Ui, também "usas disso" coño? É bom saber!


< 76' Adrián (6): Foi a surpresa dispensável de NES para um jogo decisivo e correspondeu bem. Também melhorou com o passar do tempo, sendo dos primeiros a tocar a rebate no assalto da segunda parte. Chegou a marcar e eu a festejar, mas não foi validado afinal (nem nisso tem sorte). Mas custou-me vê-lo ser substituído, o que só pode ser positivo.

< 85' Otávio (8): Muito bem, dos poucos que se manteve à tona durante toda a partida. Na maioria do tempo foi o único com capacidade para levantar a cabeça e descobrir companheiros em zonas mais privilegiadas para galgar terreno rumo à baliza adversária, mesmo que a espaços se tenha notado a falta de experiência (e de andamento) a este nível máximo de exigência - nada que não se resolva, naturalmente. Não sei porque saiu, mas NES saberá.

Melhor em Campo André Silva (8): Mais uma grande partida, num jogo muito difícil para qualquer avançado. Foi duplamente decisivo ao forçar Vermaelen a cometer a falta que lhe valeu o segundo amarelo e ao marcar de forma irrepreensível o penálti. E deu muito, muito trabalho a toda a defesa romana, contribuindo decisivamente para os assustar e os remeter "lá para atrás". Só faltou ter feito aquele golo... 

> 66' Layún (5): Não tem culpa de ser "fruto" de uma substituição sem nexo, mas de certa forma pagou por isso ao não ter condições para ser o que a equipa precisava naquele momento. Entrou com vontade de ajudar, mas não era o homem certo no momento certo. Passou pelo jogo sem deixar grande marca.

> 76' Corona (5): Pondo-me no lugar dele (e no meu), não entendo como não foi titular. Um dos melhores em Vila do Conde (e na pré-época) e zás, banco com ele no jogo mais importante. Rica gestão psicológica. Entrou tarde e certamente pressionado, não conseguindo trazer aquele fôlego adicional de que a equipa tanto precisava para o último quarto de hora.

> 85' Evandro (5): Uma substituição oca, vazia de conteúdo e significado. O máximo que produziu foi as lágrimas de Rúben, mas disso o brasileiro não tem nenhuma culpa. Tentou aumentar a pressão mas sem surtir efeito.


Nuno Espírito Santo (3): Há uma zona cinzenta sobre a qual um adepto normal como eu não pode opinar por simples falta de conhecimento dos factos. Não sei sobre que ombros assentam as responsabilidades de exilar Aboubakar e Brahimi, de não querer Gonçalo e de ressuscitar Adrián a três dias do final do estágio. São todas decisões difíceis de compreender, na sua origem ou no seu desfecho. E portanto vou optar por isentar delas o treinador, tal como da argolada Depoitre.

Mas não o posso absolver da decisão de mudar a forma de jogar de uma equipa que ainda se está a tentar construir. Mesmo quando as equipas já estão consolidadas, nos processos e nos intervenientes, custa-me vê-las mudar drasticamente em função dos adversários - mas pronto, admito-o. Numa fase ainda tão embrionária, em que os jogadores só sabem fazer em conjunto meia dúzia de coisas bem feitas, que lógica tem subverter tudo só porque o adversário joga de uma determinada forma? Vamos para o jogo para o jogar ou para impedir que os outros joguem? Mais um Lorpa? Por favor não!

E depois, não soube tirar partido do que o jogo lhe foi dando de mão beijada. As substituições foram francamente más, mesmo considerando o reduzido leque de opções ("mete o pinheiro, carago!"). Herrera ficar em campo até final deve ser por decreto (só pode). Layún, para quê e porque não logo Corona (só entrar a 14 minutos do fim deve ter sido distracção)? Infelizmente, Nuno confirmou hoje um dos motivos porque nem constava na minha shortlist: falta de currículo relevante (e correspondente experiência). Afinal foi Spalletti quem acrescentou à sua equipa. E o Jardim.


Uma nota final para as lágrimas de Rúben Neves: obrigado menino portista! Azul e Branco é o coração. A biltragem bem pode voltar para as suas tocas putrefactas, que daqui não levam nada.


Um vislumbre de Champions - que não seja o último desta temporada...



Outros intervenientes:


A AS Roma confirmou em campo, enquanto 11 para 11, o porquê do seu ligeiro favoritismo na eliminatória. Um plantel globalmente superior e um onze melhor trabalhado, com bons executantes espalhados por todo o campo. Gostei de ver Salah, Nainggolan, Florenzi e sobretudo o senhor De Rossi. Só faltou o maestro, mas não houve espaço para recital. Mas mostrou também porque é apenas uma boa equipa e não uma das maiores da Europa. Tem lacunas visíveis, pontos fracos exploráveis. Por bons adversários, obviamente. Que hoje não soubemos ser, nem mesmo com mais um homem.

Falar do árbitro holandês Bjorn Kuipers enquanto responsável pelo nosso insucesso é ridículo. É verdade que não viu um penálti mesmo a acabar a primeira parte e que deveria ter expulsado Vermaelen com vermelho directo, para lá de um estilo muito, muito irritante. Mas, analisando pelo outro lado, expulsou Vermaelen aos 41', "dando-nos" 49' de superioridade numérica. E marcou um penálti a nosso favor, como era sua obrigação. O golo foi bem invalidado, ainda que por um dos auxiliares - e é para isso que lá estão.



Estou naturalmente apreensivo quanto ao desfecho do playoff, mas é obviamente possível e nem sequer requer um pequeno milagre. Se tivermos outra atitude desde o início (e até ao fim), alicerçada numa melhor estratégia, é perfeitamente possível. E se por acaso cairmos, que seja de pé. Outro Dortmund é que não! Tem a palavra Nuno Espírito Santo.



Do Porto com Amor




segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Deixem Jogar o Gonçalo


Enquanto o contador de suspiros não chega a zero e o playoff com a AS Roma não começa, olhemos para o plantel actual do Porto, incluindo dispensados/áveis e alguns do eternos candidatos a reforços.



Começando por quem (já) cá está.

A baliza será porventura o único "sector" já devidamente arrumado. Iker e José Sá serão as duas principais alternativas para a posição, com o espanhol a garantir a titularidade (pelo menos até que se espalhe ao comprido uma, duas e mais vezes - e não conto que isso aconteça).


Na defesa, mantêm-se todos os problemas, agravado pela não-imediata-afirmação de Felipe, a única esperança de termos pelo menos um bom central. Acho que vai lá chegar, mas precisa de tempo... e de ajuda. E quem seria melhor do que Ricardo Carvalho para o "ensinar"? Por regra sou contra a contratação de velhas carcaças, mas esta é  premium e além de tudo o que poderia dar fora dos jogos, poderia perfeitamente ser o terceiro central e entrar sempre que necessário.

Ficaria então a faltar... o primeiro central. O melhor deles todos, o "patrão". Poderia Mangala ser esse jogador? Tecnicamente sem dúvida, mas em termos psicológicos e sobretudo financeiros, é questionável. E Boly? Surpreendeu-me me vários jogos do Braga na temporada passada, ao ponto de o referenciar como potencial reforço. No entanto, este ano não gostei do que vi. Se já tivessemos dois grandes centrais, poderia ser interessante se fosse barato e viesse para aprender. Como nenhuma das suas se verifica, acho muito bem que Nuno tenha torcido o nariz. Hoje um passarinho (que não voa) falou-me da possibilidade Hector Moreno (PSV). Gosto, embora não veja como o poderíamos ir buscar. A não ser (disse outro passarinho que também não voa), que fosse uma troca com Indi. Aí sim, era golpe duplo.

Nas laterais, temos que nos conformar. Vão ser três jogadores (mais Varela...) para duas posições, sendo que Layún terá que se conformar a ser o suplente por agora. Veremos se saberá lidar com a situação sem criar problemas e sem esmorecer.


Avançando para o meio, continua um buraco em aberto e algumas pontas soltas por amarrar.



Hoje volta a ser noticiada a eminente transferência do pequeno grande Óliver de Madrid para o Dragão. Seria o regresso de um bem-amado e eu feliz com isso. Pode bem ser a peça em falta para completar o puzzle do nosso jogo ofensivo. Acresce o olímpico Sérgio Oliveira, que deve estar a aterrar em Pedras Rubras, e cujo destino só pode ser a integração no plantel. Só pode, digo eu - nem me atrevo a tecer considerações sobre qualquer outro cenário. Em aberto também continua a saída de Herrera. Já lhe tracei há muito o meu veredicto: tem qualidades inegáveis mas, tudo somado, preferia uma boa venda e hasta siempre. Se ficar, pois ficará - fazer o quê? É bom rapaz e não merece ser mal tratado por ninguém.


Na frente é onde se acumulam as decisões mais difíceis de entender.

Se as vendas de Brahimi e Aboubakar me parecem decisões acertadas, já a forma como se está a tentar "valorizar" estes dois activos é no mínimo estranha. Tirar os jogadores de circulação e fechá-los no armário de Luís Castro dificilmente ajudará a convencer quem quer que seja a pagar aquilo que se pretende por eles. Até a sua não-utilização no playoff é um contra-senso - como bem sabemos, poderiam ser utilizados na fase de grupos sem restrições pelos seus potenciais novos clubes.

O argumento da "má moeda" e de NES não querer no grupo aqueles com quem não conta também não chega. É possível entender o desejo do treinador, mas o interesse superior do clube (boa gestão de activos) não deveria ser posto em causa. Enfim, não é fácil mas parece-me que o bom-senso não prevaleceu.  

E é aqui que entra Gonçalo Paciência.

Se apenas temos André Silva e agora Depoitre como opções válidas para o centro do ataque, o que poderia justificar a não-inclusão imediata do jovem avançado? 

Não será pela falta de talento, obviamente. Tem e muito, em parte ainda por lapidar. Se é uma questão de ter uma "atitude pouco profissional", conforme se diz por aí, que melhor oportunidade para o redimir do que abrir-lhe a porta do sonho? 

Por último, se o argumento é o de estarmos a tentar contratar um outro avançado, então porque não mantê-lo pelo menos até que se concretize essa contratação? E depois, já com algum tempo sob o olhar de NES, decidir. 

Não entendo a falta de oportunidades a Gonçalo Paciência. Seria terrível vê-lo partir em definitivo por meia-dúzia de tostões sem primeiro tentar fazer dele um grande jogador.




Para fechar, Rafa Silva.

Também hoje se escreve que o super-agente de aço saltou fora do barco, deixando a decisão nas mãos do Salvador da brita. Presumo que para não melindrar nenhum dos parsidentes rivais. Sim, porque não acredito que tenha abdicado da sua quota-parte, presente e futura. Um abandono oportunista e circunstancial.

Primeiro, o jogador. Desde que chegou a Braga que lhe encontro grande talento, suficiente para se afirmar um dia entre a elite do futebol mundial. Aí nada mudou, apesar da oscilação de rendimento de uma época para a outra. É uma questão de trabalho, a todos os níveis.

Segundo, o homem. Atrevi-me a questionar o seu desempenho na Supertaça, mas não terei sido totalmente claro. Nem por um segundo acredito que Rafa tenha falhado de propósito ou sequer jogado menos do que podia. O que me fez alergia foram as movimentações encarnadas à volta dele na antecâmara do jogo. Ninguém é impermeável a uma possível grande melhoria na sua vida e Rafa certamente não conseguiu alhear-se disso. Era a isso que me referia, apenas e só.

Terceiro, a contratação. Em termos relativos (e absolutos, já agora), 20 milhões são aparentemente muito dinheiro pelo seu passe. Não é descabido pensar numa transferência futura pelo dobro, mas essa é uma possibilidade com muitas variáveis pelo meio. Portanto, seria sempre de risco em termos de investimento económico e financeiro (já para não falar dos custos do financiamento associado à operação). No entanto, entre o que se pede e o que se aceita receber costuma haver diferença substancial. Eu acho que deveríamos contratar Rafa. Já. Sem hesitar. Por tudo e por mais alguma coisa, se é que me faço entender.

Integrar Sérgio e Gonçalo, vender Abou e Brahimi e trazer Ricardo Carvalho, Hector Moreno (ou Mangala), Óliver e Rafa até 31 de Agosto seria uma vitória extraordinária de Pinto da Costa e seus pares, garantindo a Nuno um plantel de grande qualidade e a todos nós o direito irrevogável de voltar a sonhar alto. A questão é que, num cenário sem Champions, tudo isto será difícil de comportar. O que - mais uma vez - nos remete para a minha primeira questão da pré-época: o playoff deveria ter sido o nosso 31 de Agosto.



Do Porto com Amor