Do Porto com Amor

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

De Volta à Lu(t)a


O primeiro sinal de perigo surgiu cedo e na baliza errada. Perante uma equipa ainda ausente ou simplesmente atarantada, o Moreirense FC desenvolveu uma boa combinação colectiva que culminou num remate de Francisco Geraldes à entrada da área para uma boa defesa de Casillas.




Por volta dos 15 minutos, dei por mim a pensar que Inácio demorou apenas algumas semanas para fazer deste Moreirense uma equipa melhor do que esta de NES... É evidente que não está em causa a gritante diferença de valores entre ambos os plantéis - que aliás acabou por fazer (toda) a diferença - mas sim o jogo colectivo de uma e de outra equipa. Consegui ver mais e melhor organização nesse quarto de hora inicial no nosso adversário do que em nós. Nada de surpreendente, mas ainda assim revelador do trabalho que (não) tem sido feito.

O jogo seguiu em ritmo moderado, salpicado com as habituais acelerações dos nossos laterais e extremo(s?) como a melhor tentativa para desposicionar a defesa contrária. Como também tem sido habitual, o golo tardava já em chegar. Foi portanto enhorabuena que Óliver soube aproveitar um passe para o "desconhecido" de Marcano, ocasionalmente na linha de fundo, para inaugurar o marcador e aliviar a ansiedade que já se acumulava.

Já perto do intervalo, dois momentos sucessivos praticamente decidiram o jogo. Primeiro, foi AS a fazer o segundo, aproveitando - também ele - num salto de peixe e de cabeça, um desvio do redes a um remate de Corona. Um par de minutos volvidos, Geraldes comete uma infantilidade e recebe uma justa segunda advertência e correspondente expulsão. Com dois de avanço no marcador e um jogador a mais, poucos seriam os que ao intervalo ainda temiam um golpe de teatro.

A segunda parte foi (ainda) menos intensa, apesar de (em teoria) haver mais espaço para jogar. O Moreirense passou a jogar em 4-4-1, procurando sair em velocidade quando possível, sem deixar grandes buracos atrás. Nós fomos jogando, criando boas oportunidades para marcar (AS outra vez em destaque pela negativa), mas só à hora de jogo Marcano fez de cabeça o terceiro, após canto de Herrera(!). 

As três substituições nada trouxeram de relevante ao jogo, ficando apenas registado o re-regresso de Kelvin, o melhor amigo de Roderick. O jogo seguiu, tranquilo, com mais uma e outra oportunidade para ampliar, mas já não houve alterações no marcador. Missão cumprida, nada mais do que isso - mas chegou.





Notas DPcA 

Dia de jogo: 15/01/2017, 18h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Moreirense FC (13-0).

Nota (7): Marcano, Óliver, Jota, AS
Nota (6): Iker, Maxi, Telles, Felipe, Danilo, Herrera, Corona
Nota (5): AA, Rui Pedro, Kelvin


Nuno Espírito Santo (6): Não há muito a dizer sobre este jogo no que toca ao treinador, a não ser que cumpriu a sua obrigação. Já nas conferências de imprensa, continuam as más exibições - mas ganhando, a malta releva. 

Parece ser este o fado que Nuno e os astros nos reservam, o do sobe e desce. Quando as coisas parecem rumar em definitivo para o abismo, eis que algo acontece e, de repente, temos a sensação de estar de novo na luta. Quando parece que vamos arrancar em definitivo para uma boa época, algo de sentido oposto volta a acontecer e tudo se desmorona. Por ora, estamos (outra vez) no primeiro momento, esperemos que desta vez para dar lugar a um terceiro: arrancar e não parar mais até que o título seja nosso. Eu estou sentado, pelo sim, pelo não.




Outros Intervenientes:


No Moreirense, foi Geraldes que se voltou a destacar, pelos melhores e piores motivos. Também me chamaram a atenção os laterais Rebocho e Sagna. E a equipa como um todo, até o primeiro se fazer expulsar.


Sobre a arbitragem de Fábio Veríssimo, nada de muito relevante a destacar, excepto a excessiva permissividade perante entradas demasiado duras (de ambas as partes). Deu-se muito destaque ao lance em que Felipe supostamente travou em falta um avançado que se isolava, mas não me pareceu falta - se o árbitro visse de forma diferente, até poderia ser vermelho directo. Mas importa dizer que o resultado estava já em 2-0 e ficariam a jogar dez contra dez. Se foi erro, não me parece capital para o desfecho final.




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Aproveito a falta de mais assunto sobre o relvado do Dragão para deixar duas notas relativas aos jogos dos rivais da segunda circular.

Surpreendente foi o empate cedido na Luz pelos da casa, perante um ainda mais surpreendente Boavista, a lançar nova linha de salvação a NES. Registo com agrado o fenómeno raríssimo de o Benfica ter sido prejudicado em lances capitais - no segundo golo do Boavista, há falta do marcador. Aceita-se, evidentemente, que o árbitro não tenha assinalado, mas houve falta; no terceiro, creio que o homem do calcanhar invalida o lance por offside, mas de novo não era um lance fácil de decidir. Já no primeiro, há de facto uma falta a preceder a jogada do golo, mas sobre o golo nada a dizer que não seja "golaço". Possivelmente, três más decisões da arbitragem, mas todas dentro da margem de erro aceitável, pela natureza dos lances.

Já a seu favor teve o assinalar daquele penalti absolutamente falso e que os recolocou na luta pelo resultado. Este sim, um lance ridículo, onde não dou o benefício da dúvida a um árbitro bem posicionado - e não sei se estava ou não. Em resumo (e apenas baseado no resumo do jogo), em minha opinião, quatro erros graves - três deles aceitáveis, um inadmissível - com prejuízo maior dos lisboetas. Parece que valeu a pena fazer barulho, pelo que o melhor é continuar no mesmo registo, "a ganhar ou a perder".

[Actualização: tive a oportunidade de ver outra repetição, de outro ângulo, do lance do penalti que favoreceu o Benfica e devo reconhecer que há de facto contacto entre Cervi e o defesa. Em minha opinião, a responsabilidade desse contacto pode ser atribuída a qualquer um dos jogadores, mas mantenho a ideia essencial de que o avançado "se atirou para o chão" por sua iniciativa. No entanto, não ficaria de consciência tranquila se não concluísse que errei ao não dar o benefício da dúvida ao árbitro - é mais do que justificável fazê-lo. E já agora, confirmando a minha tese de serem decisões aceitáveis, as que supostamente prejudicaram o Benfica, aqui deixo a opinião de alguém totalmente insuspeito: Duarte Gomes]

Sabedor desse resultado, o Sporting foi a Chaves defrontar a competente equipa local. Um jogo sempre difícil à partida, agravado pelo facto de serem os flavienses a marcar primeiro. No entanto, o Sporting conseguiu o mais difícil: deu a volta ao marcador já com apenas dez em campo. E depois deixou-se empatar. Não podiam ter falhado naquele momento. Bye bye em definitivo ao título? Cabe-nos a nós por ponto final nesta frase, quando os recebermos daqui a umas semanas.



O caminho a seguir só pode ser um. Ganhar todos os jogos ou, no mínimo, fazer melhor do que o Benfica a cada jornada, e esperar que isso seja suficiente para que a ida à Luz seja feita com não-mais do que três pontos de atraso. E sair de lá na frente. Durante esta semana vou olhar para a primeira volta do campeonato, porque, na verdade e apesar de tanto pessimismo (onde me vou incluindo, a espaços), a procissão ainda vai a meio. Falta saber se o andor e seus carregadores se mantêm firmes ou se finalmente prevalecerá a tal da verdade desportiva, ainda que apenas em metade da competição.




Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



Onde Está a Bola? #36 (e vencedor #35)


Regressa o Onde Está a Bola? com a oferta de dois bilhetes para o importante jogo contra o Rio Ave FC, a ser disputado no próximo sábado dia 21 de Janeiro às 16h00.

Para se habilitar a ganhar os bilhetes, basta que o estimado leitor descubra onde está escondida a bola original na imagem seguinte (ou se não está lá de todo).


Onde Está a Bola? #36

 
Respostas possíveis #36 (Rio Ave):

A - Bola Azul
B - Bola Castanha
C - Bola Verde 
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:


1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória.

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (com pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo;

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis irá investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido. Pode concorrer em simultâneo a ambas as edições ou fazê-lo em separado.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #36 deste passatempo termina às 23h00 de 19 de Janeiro e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o seu prémio até às 13h00 de dia 20.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio).

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio!


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Falta apenas encerrar as contas da edição anterior, a #35.


Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.



E agora, o resultado do sorteio. Em oposição com "a norma", desta vez apenas três concorrentes acertaram na resposta!




#35 - Moreirense

 

Resposta certa: Bola Laranja

 

Vencedora: Sara Matos!




A Sara optou por uma selfie humorística, mas, na verdade, o que se pretende são selfies reais - fica o esclarecimento, para que não se repita. De resto, fica registada a "efeméride" do marcador e instantes de bons momentos passados no nosso Dragão!

Agora toca a concorrer, que o próximo jogo é fundamental e a equipa precisa do estádio cheio!



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Unscontrósjoutros


Uns contra os outros. É esta a mensagem do "dia", explorada de forma oposta conforme o lado da barricada: "estamos todos uns contra os outros" ou "o que eles querem é pôr-nos uns contra os outros".





Se pertencermos aos 0,002% que constituem o establishment Portista, é a última a versão que vinga.

Se pertencermos aos 70% que constituem o establishment anti-Porto, a primeira é a única versão.

Mas, se por (in)felicidade cósmica, são, tal como eu, pertencentes aos restantes 29,998% dos portugueses que são Portistas (contas minhas, não gostam, azar), então há uma grande probabilidade de se sentirem divididos.

Por um lado, somos isso mesmo - Portistas, e tal acarreta um sentido de responsabilidade e seguidismo natural, próprio do adepto de qualquer grande clube de futebol; e, enquanto tal, a necessidade intrínseca de termos como verdadeira a segunda versão é considerável. 

Por outro lado, dando um pouco mais de uso ao cérebro que o Senhor nos deu, tudo se torna menos evidente e muito mais confuso.

Sim, é possível que tenha sido mais um dos muitos lacaios do polvo de Vieira (nome científico octopus orelhudus) a borrar a pintura do escritório de Adelino Caldeira, do restaurante-to-be da companheira do Xaninho e do portão da garagem de Madureira, o macaco líder dos Super Dragões.

É possível. Para fomentar a discórdia latente entre Portistas, devido à péssima gestão e consequentes resultados (ou falta deles) dos últimos anos. Possível e fácil de fazer.

Mas é igualmente possível (e provável?) que tenha mesmo sido um Portista, pouco importa se pertencente a uma claque ou não, a fazer as tais pinturas (nada) rupestres. Como não considerar essa hipótese?

Eu, por exemplo, sinto-me impelido a lavrar o meu protesto, ainda que sem saber bem como. Graffitar não seria a minha escolha, por motivos vários, mas outros métodos existem. Mas graffitar poderia muito bem ser a solução encontrada por muitos, dada a simplicidade e eficácia do processo.

Que provas têm os dirigentes Portistas para afirmar com tanta convicção que "certamente" não foram Portistas a perpetrar tais actos? Aposto que as mesmas que os merdia ao serviço da corja centralista, para dizer o seu contrário.




O que é factual é que as "pinturas" foram feitas. Por quem e com que intenção, só os executantes e/ou mandantes poderão esclarecer. Dada a ínfima probabilidade de isso vir a acontecer, fico-me pela dúvida iluminada.

Sei bem que são muitos, mesmo muitos, os que desejam um final trágico da liderança de Pinto da Costa - não pelo que representa na actualidade, mas antes pelos muitos anos de sofrimento e humilhações infligidas. Imperdoáveis em três vidas, quanto mais numa só. E burros como eles só, preferem hipotecar a continuidade do desgoverno actual (que tão bem lhes tem servido), apenas para verem satisfeita (uma parta d)a sua sede vingança.

Dentro da nossa barricada, há também "muitos" que já intuíram que esta Era já se possa ter esgotado faz tempo. E, consequente e racionalmente, clamam pelo aparecimento de novas propostas para liderar o clube. E nesta linha de raciocínio, não é complicado conceber que "um de nós" tenha levado a cabo estas pinturas de revolta, filhas da impotência de não encontrar quem possa dar outro rumo ao Clube. Fácil de conceber e de aceitar. 


Então em que ficamos? Revolta interna ou intromissão externa para promover a insurreição?

Desculpem, mas não sou capaz de responder. Não tenho certezas porque não conheço os factos. Mas mais relevante do que isto, será saber o que não se pode deduzir daquilo que (não se) sabe. Mais importante do que saber quem são os autores, é inferir da validade da(s) mensagem(s):

- Será correcto e justo chamar à pedra Adelino Caldeira por ser "abutre e comissionista" e responsável pela contratação de Depoitre?

- Será apropriado "marcar" o novel restaurante de Alexandre Pinto da Costa (ganho com muito suor) como sendo residência de um "traidor" e servente do "polvo à la carte"?

- Terá Fernando Madureira responsabilidades na perpetuação do status quo, ao ponto de ser apelidado de "mamão" e precisar de acordar o Super Dragão que há dentro dele?
 
Sem provas, não acuso.




Nada me garante (sem possibilidade de ser contrariado) que Adelino Caldeira seja o pior dos piores da SAD Portista. Que é co-responsável, ninguém pode negar, é uma inerência do cargo que ocupa há largos anos. Se foi dele que partiu a iniciativa de contratar Depoitre, também não sei - mas "dizem-me" que não. Portanto nim, não sei se é justo isolá-lo dos demais administradores e presidente da SAD, mas sim, tem quota-parte da responsabilidade de tudo o que lá se passa e, portanto, de tudo o que de mau se passou nas últimas épocas.

É público que Alexandre tem vivido à custa do FC Porto e ainda não encontrei respostas válidas, que justifiquem a necessidade do seu envolvimento nos negócios onde beneficiou de avultadas comissões. E como todos sabemos, tempos houve em que se associou ao lampião José Veiga e com ele conspirou contra o Porto., estando inclusive envolvido no ingresso de ex-portistas no Benfica. Portanto sim, parece-me válida a mensagem.

Já sobre o Macaco, não consigo dizer. Que o vejo em (quase) todos os jogos a liderar a claque que mais puxa pela minha equipa, é um facto, e um que merece ser positivamente valorizado. Se beneficia pessoalmente da venda de bilhetes a membros da claque e a adeptos normais, não sei. Muitos dizem que sim, mas ninguém me apresentou provas até hoje. Não é por ter decidido tirar um curso superior que o vou criticar: bem pelo contrário, felicito-o por o ter feito e incentivo outros com "idênticas" aspirações a fazê-lo. 

E sobre as supostas aspirações de Fernando Madureira a integrar os quadros do clube e da SAD? A serem verdadeiras, são perfeitamente legítimas, tal como as de qualquer outro Portista. Já sobre o valor acrescentado que poderia trazer, a questão é totalmente diferente, bem como a minha resposta. Mas uma que nem sequer vou abordar, até que esse cenário se perspective.




O que sobressai de tudo isto?

Que a bola não tem entrado o suficiente nas balizas adversárias. Provavelmente, porque não temos avançados em quantidade e maturidade suficiente. Certamente, porque Nuno não tem demonstrado a habilidade necessária para liderar um plantel do melhor clube português. Definitivamente, porque os árbitros não nos apitam de acordo com as Leis do Jogo.

Em graus diferentes, mas todas estas evidências concorrem para a situação actual. Valorizar mais uma ou outra (como eu fiz, pela escolha dos advérbios), dependerá sempre do ponto de vista. O meu é seguramente parcial, mas sempre honesto. Tomara a muitos supostos "imparciais" poder dizer o mesmo sem se rirem.



Nota final: Francisco J. Marques tem-se destacado como "ponta-de-lança" da nossa nova estratégia de comunicação "institucional" e tem marcado muitos "golos" nesse papel. Merece, portanto, o meu aplauso, conforme já referi. No entanto, há uma linha muito ténue que separa a defesa dos interesses do Clube da defesa dos interesses da direcção do clube (muitas vezes, contra os próprios Portistas) e Francisco J. Marques, como todos os demais no Porto, deve ter muito cuidado para não pisar essa linha demasiadas vezes. Uma por outra, sem nunca insultar Portistas, ok, a malta tolera. Mas insistir nisso fará como que muitos, que hoje estão ao seu lado, o vejam como apenas mais um ao serviço da direcção. E isso seria um desperdício. E injusto, sobretudo para o Francisco.




Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Do Silva da Tasca (Speakers' Corner)


Dando asas aos ideais democráticos do DPcA, eis a segunda edição do Speakers' Corner, um espaço criado para que todo e qualquer leitor se possa exprimir sobre o que bem entender, como melhor lhe parecer.

E que edição esta. Nem mais nem menos do que o orgulhoso proprietário da Tasca do Silva, uma casa única na bluegosfera, que merece ser visitada todo o santo dia - mesmo não havendo novos petiscos, voltar e provar os anteriores, ligeiramente aquecidos, pode acabar por ser toda uma nova degustação. Porque o senhor Silva escreve maravilhosamente bem - não pela escrita em si mesma, mas pelo que provoca. 

Assegure-se o estimado leitor de que dispõe de uns saborosos cinco minutos livres antes de começar a ler - prometo que será recompensado.

(LAeB) 




BÊBADO(S?) NO CANTO DOS FALANTES



Às vezes fecho mais cedo e termino o dia aqui, inevitavelmente neste canto na penumbra. Gosto desta localização estratégica: mais personagem que narrador, mais vigia que participante. Mais longe, no fundo.

Tem dias que me fico por cá, a trocar fumo de cigarros pelo cheiro das cigarrilhas do dono. Outros em que ninguém se senta nessa cadeira. Um por outro em que coincidências me trazem amigos de sítios diversos.

O que não supunha era que me Aparecesses. Sempre pensei que aconteceria em casa, eu tapado até aojolhos com dois cobertores, numa manhã fria. Ou na zona de fumadores da Tasca.

- Nana, meu menino, campo neutro. Querias jogar em casa, era? - Sorri, pândego. Puxa para si um copo de fundo grosso e a garrafa de vodka.

- Oh, quero lá saber. O que me incomoda é essa luz a infectar-me as dioptrias. Nada discreto, hein? - Avio a minha vodka, num copo igual ao dele, de um glo só. Refill.

- Nem me fales. É um perfeito tormento. Mas não consigo lembrar-me de como se desliga isto. Havias de tentar adormecer com esta luminosidade toda a emanar-te da nuca ou lá de onde pujisto a vir. Que maçada.

- Pode ser. Também não é por isso que me vou condoer. Estamos um belo bocado esquinados, eu e Tu. Está claro que já sabias.

- Que queres? Não é como se isto fosse uma novela e eu o guionista.  Até preferia, que era tudo muito mais tranquilo. Mas não se dá o caso, paciência.

- Ah, bem, pensei que essa coisa da omnipresença e da omnisciência fosse a sério. Afinal, andajájaranhas como nós. - Quase esboço um sorriso.

- Ui, ui, ajomnicoisas. Uma carga de trabalhos, nada mais. Tem um gajo que estar em todo o lado e saber todas as coisas. Chiça, já imaginaste? Há sítios onde preferia não estar, entendes? E coisas que não quero saber, ponto. Well, nada feito, não pode ser. - Baixa a cabeça, pensativo.

- Lá está, ninguém escapa à sua natureza...

- Pfff, balelas. Pois se fui eu que inventei tudo isto. - Descreve um arco com a mão direita. - Ainda hoje me pergunto onde estava com a cabeça, raisparta!

- Either way, não é o melhor momento. Quem sabe daqui a muito tempo tenha menos raiva ou assim.

- Oh, eu quero lá saber da tua raiva. Apeteceu-me hoje, está feito. Mantenho uma série de benefícios em relação a vocês, comuns. - Pisca um olho.

- Vejo que sim. O poder da Vida e da Morte, por exemplo. Que bela lambada Te dava, não fosse saber que És só um vapor de Vodka marada.

- Ou então não...

- Epá, mas sou a Joana Solnado? Deixa-Te de tretas.

- Não, essa é com o catraio que se comunica. E é muito interessante que não estejas em êxtase por me pores as vistas em cima.

- Já Te disse que estou de mal Contigo. Foste uma besta, essa é que é essa.

- Jovem, jovem. - Abana a cabeça. - Por acaso achas que eu tenho tempo e paciência para me encarregar dos detalhes? Se morre este ou nasce aquela?

- Acho! Afinal, não se trata da Tua obra mais perfeita? Belo serviço, sim Senhor. Palmas para o Autor. Woohoo, bis, bis. - Bato palmas.

- Se calhar, deixavas de ser sarcástico. Diz que não dá muita saúde irritar-me. Pá, não sou eu quem diz. Diz-se por aí, nem sei bem quem. - Solta risinhos irónicos.

- Uh, uma ameaça! A seguir quê? Tiras-me o Livre Arbítrio?

- Nop, isso não dá. Ainda estou para saber como é que embarquei nessa coisa do Livre Arbítrio, credo. Que belo molho de brócolos fui arranjar. Mas pronto, pensei que tinha tido mais cuidado com a vossa inteligência. Chego à conclusão que estive mais inspirado na parte das mamas do que na do cérebro. Nem mais, para Obra Mais Perfeita, eram uma bela trampa, eram sim senhor. Tirando as gajas, está claro.

- Pá, foda-se, ninguém te pediu nada!

- Não?

- Bom, sim, está bem, pedimos. Tu percebeste. Não pedimos essa pessegada do Adão e tal...

- A verdade é que, de alguma forma estranha, vocês me espantam continuamente. E nem sempre por maus motivos. Só quase sempre.

- Blablabla, lérias. Não tarda, estás à espera que Te agradeça qualquer coisinha. É preciso ter lata.

- Sim, espero. Porquê? Tu, tão religiosamente cético, tão lucidamente cheio de dúvidas, porventura crês que não me deverias nenhum agradecimento? - Fixa-me o olhar.

- Repito-Te: Não é a melhor altura. - Desvio.

- Agora mesmo, neste instante! Nada por que agradecer? Digamos que eu não era um mero efeito da destilação dessa vodka. Tu, cheio de toda essa injustiça, nada por que dar graças?

- Muito. - Um cisco faz-me lacrimejar, acompanhando as pessoas que Amo acima da Vida e me desfilam nos olhos.

- Aí tens! Muito, nunca tudo. Pouco fosse, nunca é nada. - Deixa o copo bater com estrondo na mesa. Vazio, de novo. Inspira muito profundamente, reprime o que devia ser um soluço e diz, deixando sair o ar: - Agradece!

- Estou grato. - Inapelavelmente.

...


Ele passa-me uma manta pelos ombros. Estende-me a mão.

- Então, adormeces aqui, no Canto dos Falantes? Já fechei tudo, só sobram as luzes de emergência. Desculpa ter-me distraído, mas viste que tinha o tasco cheio. Maldita vodka, hein? - Sorri gozão. - Anda daí, levo-te a casa.

...


- Senhor! - Grita, enquanto abre as enormes e pesadas cortinas. - Senhor, Você nos livre, mais uma série de grandes desgraças. Era suposto Vossa Senhoria não dormir, caramba!

- Pedro, Pedro, grita mais baixinho, se fazes o favor. E traz-me duas aspirinas e um Guronsan, muito rápido. - Puxa os cobertores até taparem a queixada.


Soundtrack to vodka on the speakers corner: It's a wild ride


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Por esta altura, o grupo dos leitores que já são habituais da Tasca pensam para com os seus botões "caramba, que até esta espelunca fica com um ar ligeiramente distinto quando assim apresentada!". Os que ainda a não conheciam, "ando eu a desperdiçar o meu tempo aqui, quando existe ISTO noutro lado...". Pois sim, só há um pequeno senão: é que o Silva não vê um boi de bola.


Obrigado pela partilha Silva; e que, tê-lo feito, te faça bem.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Onde Está a Bola? #35


Regressa o Onde Está a Bola? à normalidade com a oferta de dois bilhetes para o jogo contra o Moreirense FC, a ser disputado no próximo domingo dia 15 de Janeiro às 18h00.

Para se habilitar a ganhar os bilhetes, basta que o estimado leitor descubra onde está escondida a bola original na imagem seguinte (ou se não está lá de todo).


Onde Está a Bola? nº35



Respostas possíveis #35 (Moreirense):

A - Bola Azul
B - Bola Laranja
C - Bola Verde 
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:


1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória.

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (com pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo;

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis irá investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido. Pode concorrer em simultâneo a ambas as edições ou fazê-lo em separado.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #35 deste passatempo termina às 23h00 de 12 de Janeiro e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o seu prémio até às 13h00 de dia 13.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio).

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio!



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Falta apenas dar nota dos vencedores das edições #33 e #34.

Na #33 aconteceu algo inédito: nem o vencedor original, nem os dois suplentes reclamaram em tempo útil o prémio, pelo que os bilhetes foram entregues ao primeiro que respondeu "eu quero" nos comentários.

Esta solução de recurso tornou-se inevitável dada a proximidade temporal com o início do jogo, mas é minha intenção corrigir em definitivo este aspecto, antecipando o limite de participação para pelo menos 72h antes do jogo a que os bilhetes se referem.

Em todo o caso, quem respondeu mais rápido (e tinha já acertado na resposta, por felicidade) foi a "repetente" Maria Tavares.

Já na edição #34 tudo decorreu sem sobressaltos e os bilhetes foram entregues logo à primeira tentativa.



#33 - Marítimo

 

Resposta certa: Bola Preta

 

Vencedora*: Maria Tavares!








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#34 - Chaves

 

Resposta certa: Não há nenhuma bola

 

Vencedor: Manuel Tavares Jesus!









Excelentes imagens de emocionantes momentos passados no nosso Dragão! Parabéns a ambos, agora toca a concorrer!



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor